Sigla de facção criminosa é escrita na areia do Morro do Careca, cartão-postal de Natal
SDC, em referência a Sindicato do Crime, foi apagado por policiais ambientais, disse governo
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RECIFE, PE (FOLHAPRESS) - O Morro do Careca, principal cartão-postal de Natal, amanheceu nesta segunda-feira (18) com a sigla SDC escrita na areia. As letras fazem referência ao Sindicato do Crime, principal facção criminosa do Rio Grande do Norte.
O morro está situado na praia de Ponta Negra, na zona sul. A facção surgiu em 2013 após dissidências do PCC (Primeiro Comando da Capital) dentro do sistema prisional potiguar e já manteve aliança com o CV (Comando Vermelho).
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A facção ganhou projeção nacional após a onda de ataques registrada em março de 2023 no estado. Na ocasião, ônibus, prédios públicos, bases policiais e veículos foram incendiados em dezenas de cidades do Rio Grande do Norte.
O grupo também esteve no centro da disputa com o PCC que culminou no massacre da Penitenciária de Alcaçuz, em 2017, quando ao menos 27 presos morreram durante confrontos.
A Secretaria de Estado da Segurança Pública e da Defesa Social informou que policiais militares do Batalhão Ambiental foram acionados para retirar a inscrição da areia. Segundo a pasta, o trabalho foi concluído.
O Morro do Careca tem acesso proibido desde 1997 devido ao avanço da erosão e ao risco de deslizamentos. Desde 2011, a área é classificada como APP (Área de Preservação Permanente).
O ponto turístico está no centro de uma ação civil pública do MPF (Ministério Público Federal) contra a Prefeitura de Natal (RN), que afirma que o sistema de drenagem implantado após a obra de "engorda" da praia de Ponta Negra, custeada com quase R$ 100 milhões em recursos federais, opera com falhas graves, incluindo tubulações falsas, galerias bloqueadas com concreto e estruturas sem funcionamento adequado.
A ação foi protocolada no dia 6 na Justiça Federal do Rio Grande do Norte. Nela, o MPF pede a reestruturação integral da drenagem da praia e medidas emergenciais antes do período chuvoso.
Procurada pela reportagem, a gestão do prefeito Paulinho Freire (União Brasil) negou irregularidades na execução da obra e afirmou que as estruturas apontadas pelo MPF seguem o projeto técnico aprovado pelos órgãos competentes.
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Segundo a administração municipal, as chamadas tubulações falsas correspondem a estruturas desativadas previstas na solução de engenharia adotada para o sistema de drenagem.