O cardiologista gaúcho Daniel Kollet, de 55 anos, investigado por abusar de pacientes, também é acusado de assédio sexual contra ex-funcionárias. As vítimas relataram os episódios ao "Fantástico", da TV Globo, neste domingo (12/4).
Uma enfermeira que trabalhou com médico em hospital relatou situação de assédio. "Ele tentava me beijar, e eu tentava tirar. Ele pegava com força minha mão e enfiava minha mão dentro da calça. Eu chegava a sair com os punhos vermelhos", disse a vítima ao "Fantástico", sem ser identificada. "Fiquei em choque, não sabia o que fazia."
Outra enfermeira foi demitida após episódio envolvendo cardiologista. "Acordei com ele com as calças abaixadas em cima de mim. Tentei me desvencilhar dele, mas como eu estava com uma mão embaixo da cabeça, ele tentava levantar minha blusa, tirar minha roupa, até que comecei a gritar. E quando fui fazer a queixa para a minha chefia, eles não deram muita importância. E eles me demitiram mesmo assim. Sem prestar apoio nenhum", disse a vítima, que não foi identificada.
Ela ainda ressaltou que ninguém acreditava nos casos. "A gente olha no comentário das redes sociais, das mulheres falando: 'Ai, por que não denunciou antes?' Acham que é fácil. As pessoas não acreditam na gente. Precisaram 30 mulheres passarem praticamente pela mesma coisa para daí alguém dar ouvido, para realmente acreditarem que foi verdade, que realmente aconteceu", declarou.
Ao "Fantástico", a defesa do médico afirmou que os "fatos são antigos" e que cardiologista nega acusações. "Verificamos que a grande maioria dos fatos mencionados refere-se a relatos antigos, remontando a anos atrás, bem como que há menções envolvendo pessoas que, em princípio, sequer eram pacientes do profissional investigado, circunstâncias que serão devidamente apuradas no decorrer do processo", diz nota. "A defesa afirma que seu cliente mantém a negativa quanto às imputações que lhe são atribuídas, aguardando o regular andamento do processo para o devido esclarecimento."
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Os advogados ainda disseram que não vão se manifestar sobre casos individualizados. Segundo eles, "em razão do sigilo que envolve os procedimentos, bem como para preservar a adequada condução da apuração e o próprio exercício do direito de defesa."
Denúncias
São mais de 40 denúncias. Na semana da prisão do médico, o delegado Valeriano Garcia Neto informou ao Uol que 28 mulheres haviam registrado ocorrência. No "Fantástico" desta noite, o número já ultrapassava 40. "Como ele trabalha em Taquara há 20 anos, acho que vai passar de centena o número de vítimas. O crime mais antigo que tivemos conhecimento faz 20 anos", disse ao Uol o delegado Valeriano Garcia Neto no início de abril.
Vítimas eram de todas as idades. "Ele despia as vítimas e, na hora do exame, se abraçava nelas, tocando-as. Ele pedia segredo, dizendo que era uma demonstração de carinho e também sob pretexto de orientação espiritual. Há relatos de estupro de vulnerável, porque uma das vítimas foi sedada. Ele se dizia médium e dizia querer sentir a energia das vítimas", conta o delegado.
Uma das vítimas era casada com um amigo de longa data de Kollet. Ela se consultava desde 2024 com o médico e estranhou desde o começo o comportamento do cardiologista. Ela tentava engravidar e sentia muitas dores no estômago. Ao supostamente examiná-la, Kollet apalpou sua barriga e os seus seios. A vítima ainda afirmou que Kollet estava com ereção e disse para ela que era médium e que queria abraçá-la para passar "uma energia boa". No ano passado, passou por situação semelhante e relatou ao marido. Por medo de julgamentos, não registrou a ocorrência.
Outra vítima também relatou ser apalpada. Em depoimento, ela informou que estava sem a parte de cima da roupa para fazer um exame. Após o procedimento, enquanto se vestia, o médico teria dito que daria um abraço nela. Ele se aproximou por trás da vítima, passando a mão em seus seios.
Uma terceira vítima também relatou ter sido apalpada. Ela afirmou que ficou só de calcinha no consultório para fazer exames e o médico teria dito que "ela estava bem, que não precisava se preocupar", dando um abraço e passando as mãos em suas costas e ombros. Ela ainda afirmou que ele teria tentado tocar os seus seios e, na hora de ir embora, o médico teria elogiado o abraço da vítima e que a situação seria "um segredo que ficaria entre eles".
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Cremers está apurando o caso. Em nota, o Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio Grande do Sul (Cremers) disse que medidas administrativas já foram tomadas para a investigação do caso. "A situação é grave e deve ser apurada com rigor. Se comprovada a denúncia, todas as ações necessárias serão tomadas para punir os responsáveis", afirma o texto.
