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Telas na infância: fala de médico sobre possíveis alterações no desenvolvimento acende alerta, mas o que as evidências permitem concluir exige atenção

Estudo com ressonância magnética mostra diminuição da massa cinzenta; médico reforça a importância do afeto e do contato humano na família

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O uso de telas por crianças vai além do tempo gasto em celulares ou tablets, envolvendo debates sobre descanso, brincadeiras e convivência familiar. O médico espanhol Manuel Sans Segarra, especialista em cirurgia geral e digestiva, abordou o tema durante uma entrevista à Radio Nacional de España (RNE) sobre seu livro "La humanidad en crise".

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Ele afirma que estudos com ressonância magnética funcional já demonstram os efeitos do abuso de telas. "Vimos que as crianças que abusam das telas têm transtornos morfológicos visíveis na ressonância magnética", declarou o especialista.

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Segundo Segarra, foi observada uma diminuição da massa cinzenta do lobo frontal. A preocupação de especialistas se estende à forma como as crianças aprendem a se relacionar com as pessoas ao seu redor. Para o autor, a criação dos filhos exige uma presença que supera o fato de estar fisicamente no mesmo ambiente.

O médico citou uma cena que costuma observar em restaurantes, com cada membro da família focado em um dispositivo. "O pai com o telefone, a mãe com o telefone, a criança com o tablet", descreveu. Ele questiona o que fica de fora dessas interações: "Onde está o contato humano?".

A observação também inclui os pais no debate, mostrando que o problema não se limita ao uso da tecnologia pelos filhos, mas ao espaço que os adultos reservam para compartilhar experiências. Uma mesa pode reunir a família, mas não garante que seus integrantes se ouçam.

Sans Segarra relaciona essa proximidade com a autoestima infantil. Ele explica que a estrutura de uma criança passa por ajudá-la a desenvolver a autoestima, o que se faz "convencendo, não vencendo, e a arma é o amor".

Esse acompanhamento, segundo o médico, acontece em gestos cotidianos, como "contato pessoal, abraço, beijo, falar". São ações que ilustram sua defesa de uma criação onde as conversas e as demonstrações de carinho tenham seu próprio espaço, sem interrupções por dispositivos.

*Estagiária sob supervisão da subeditora Regina Werneck

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