Espanha antecipa eleições durante crise habitacional
Após ter pacote contra crise de aluguéis barrado, premiê busca renovar apoio popular em meio a um cenário político incerto e polarizado
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O primeiro-ministro Pedro Sánchez anunciou, nessa segunda-feira (5/10), a convocação de eleições antecipadas na Espanha para o dia 29 de novembro. O mandato atual do premiê estava previsto para durar até o final de 2027.
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A decisão é uma reação à rejeição do Parlamento espanhol, na semana passada, a um pacote de decretos do governo. As medidas tinham como objetivo barrar o aumento de aluguéis que alimenta uma crise habitacional no país.
O despejo de uma idosa de 87 anos de seu apartamento em Madri foi o estopim para uma onda de protestos que motivou o premiê, do Partido Socialista da Espanha (PSOE), a elaborar o pacote habitacional. A proposta, no entanto, foi barrada pelo Parlamento fragmentado.
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A antecipação do pleito é uma aposta arriscada para Sánchez. Sua sigla está atrás nas pesquisas de intenção de voto e uma derrota pode significar o fim de um dos últimos governos de esquerda da Europa, enquanto a extrema direita ganha terreno no continente.
Sánchez já conseguiu se reeleger na última vez que convocou eleições antecipadas, em 2019. Em pronunciamento, ele disse que é preciso "renovar o apoio popular" do Parlamento para formar uma maioria progressista maior e "continuar transformando a Espanha".
Após o anúncio, o líder da oposição, Alberto Nuñez Feijoó, do Partido Popular (PP), pediu que a população renove o governo. "Não podemos ter mais quatro anos da mesma coisa", afirmou.
Protestos e crise habitacional
No fim de semana, milhares de pessoas foram às ruas de Madri e de outras cidades espanholas para cobrar medidas contra a crise de moradia. Alguns manifestantes carregavam cartazes que pediam uma greve geral.
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“É uma vergonha. Isso só prova que somos nós, o povo, que temos de nos adaptar aos partidos políticos, e não os políticos ao que o povo quer”, disse Nando de Anguulo, de 26 anos, que participou do protesto em Madri disse ao jornal O Globo.
O Sindicato das Inquilinas da Espanha, que lidera a onda de manifestações, comunicou que os protestos seguirão até que consigam uma mudança nas leis.
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Em Madri, manifestantes montaram um acampamento que ocupou toda a Porta do Sol, a principal praça da capital. O grupo informou que seguirá no local até que as alterações sejam feitas.