Uma mulher de 45 anos morreu após ser sequestrada e lançada de uma ponte da rodovia A1, perto de Florença, na Itália. Lorena Isceri foi raptada na tarde de quinta-feira (3/9), pelo ex-namorado, Federico Vella. O caso é investigado como um possível feminicídio e é o sétimo assassinato de uma mulher atribuído a um parceiro ou ex-parceiro no país desde 15 de agosto.
O sequestro ocorreu na área de Rifredi, em Florença. Isceri foi forçada a entrar no porta-malas do carro dele e levada em direção a uma ponte na rodovia A1. Ela tentou acalmar o homem, mas não adiantou. Ainda com o celular, a mulher conseguiu ligar para um número de emergência e informar que havia sido raptada.
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Foi então que Federico parou o veículo, tomou o telefone e a atirou da ponte, pulando em seguida. Após a ligação, a polícia rastreou o sinal do celular de Lorena, mas chegou tarde demais. As autoridades investigam se ela foi morta antes de ser lançada.
A mãe de Isceri declarou à SkyTg24 que a filha parecia bem na última conversa que tiveram, na manhã de quinta-feira. Questionada sobre o relacionamento com Vella, ela disse que a filha havia falado sobre o assunto e estava "com muito medo".
Onda de violência
Dados do ministério do Interior italiano indicavam uma tendência de queda nos feminicídios nos primeiros seis meses de 2026. Números da aliança feminista Non Una di Meno mostravam que, até 8 de agosto, 40 mulheres haviam sido assassinadas neste ano.
Contudo, os casos aumentaram desde 15 de agosto. Sete mulheres, incluindo Isceri, foram mortas por um parceiro atual ou ex-parceiro desde então.
A coalizão governista de Giorgia Meloni havia se comprometido a combater a violência de gênero após a forte reação pública ao assassinato de Giulia Cecchettin, uma estudante de 22 anos, pelo ex-namorado em novembro de 2023.
Dois anos depois, o governo aprovou uma lei que, pela primeira vez, introduziu uma definição legal de feminicídio no código penal, punindo-o com prisão perpétua. A legislação também aumentou as penas para crimes como perseguição, violência sexual e compartilhamento de imagens íntimas sem consentimento.
Uma campanha para educar meninos em idade escolar sobre relacionamentos saudáveis foi frustrada depois que o governo a condicionou à aprovação dos pais.
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Luisa Rizzitelli, coordenadora na Itália da One Billion Rising, que luta pelo fim da violência contra as mulheres, afirmou que há pouco a celebrar em termos de resultados concretos. "A abordagem à trágica questão da violência masculina contra as mulheres tem se baseado em políticas de segurança, carecendo completamente de programas estratégicos e estruturais de formação e prevenção", disse à emissora.
Rizzitelli acrescentou que "a recusa teimosa em implementar a educação sexual e de relacionamentos nas escolas é um fator importante que alimenta a epidemia de feminicídios na Itália".
O que é feminicídio?
Feminicídio é o nome dado ao assassinato de mulheres por causa do gênero. Ou seja, elas são mortas por serem do sexo feminino. O Brasil é um dos países em que mais se matam mulheres, segundo dados do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos.
A tipificação do crime de feminicídio é recente no Brasil. A Lei do Feminicídio (Lei 13.104) entrou em vigor em 9 de março de 2015.
Entretanto, o feminicídio é o nível mais alto da violência doméstica. É um crime de ódio, o desfecho trágico de um relacionamento abusivo.
O que diz a Lei do Feminicídio?
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Art. 121, parágrafo 2º, inciso VI "Considera-se que há razões de condição de sexo feminino quando o crime envolve:I - violência doméstica e familiar; II - menosprezo ou discriminação à condição de mulher."
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Qual a pena por feminicídio?
Segundo a 13.104, de 2015, "a pena do feminicídio é aumentada de 1/3 (um terço) até a metade se o crime for praticado durante a gestação ou nos 3 (três) meses posteriores ao parto; contra pessoa menor de 14 (catorze) anos, maior de 60 (sessenta) anos ou com deficiência; na presença de descendente ou de ascendente da vítima."
