Quem é Daniel Ortega, presidente que anunciou fim das eleições na Nicarágua
Líder nicaraguense está no poder de forma ininterrupta desde 2007; no fim de semana, ele declarou que o país não realizará mais eleições
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O presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, voltou ao centro do noticiário internacional após afirmar que o país não terá mais eleições. A declaração, feita durante um discurso no último domingo (19/7), fez com que seu nome disparasse nas buscas do Google Brasil nesta terça-feira, registrando um crescimento de mais de 5 mil por cento em relação às últimas 24 horas.
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"Não haverá mais eleições aqui para que eles tentem tomar o governo e conquistar o poder", declarou Ortega durante as comemorações do aniversário da Revolução Sandinista de 1979.
"Os dias em que partidos apoiados pelos ianques e pelos somozistas voltariam ao poder acabaram. Nunca mais", declarou. O presidente, no entanto, não explicou como pretende implementar o fim das eleições no país.
Essa foi a primeira aparição pública de Ortega nos últimos dois meses. No discurso, ele também reforçou as críticas de organismos internacionais, que apontam a Nicarágua como um dos regimes mais fechados e autoritários da América Latina.
Quem é Daniel Ortega?
Daniel Ortega é um político e ex-guerrilheiro que se tornou uma das principais lideranças da Revolução Sandinista, movimento que derrubou a ditadura da família Somoza em 1979. Integrante da Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN), ele assumiu inicialmente a coordenação do governo revolucionário e, em 1985, foi eleito presidente da Nicarágua com cerca de 60% dos votos.
Na época, Ortega era visto como um símbolo da esquerda latino-americana e do combate à influência dos Estados Unidos na América Central. O sandinismo defendia ideias anti-imperialistas, nacionalistas e voltadas para reformas sociais.
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Após governar até 1990, Ortega perdeu as eleições para Violeta Barrios de Chamorro e também foi derrotado nas disputas presidenciais de 1996 e 2001. Ele retornou ao poder em 2007. Desde então, nunca mais deixou a Presidência.
Como Ortega permaneceu no poder?
Ao longo dos últimos anos, Daniel Ortega promoveu uma série de mudanças que ampliaram a permanência no comando do país. Em 2014, uma reforma constitucional eliminou os limites para a reeleição presidencial consecutiva. Com isso, Ortega foi reeleito sucessivamente e consolidou seu domínio sobre o governo.
Em 2024, novas alterações na Constituição fortaleceram ainda mais o Executivo. Entre as mudanças, a esposa dele, Rosario Murillo, foi oficialmente nomeada copresidente, e o mandato presidencial passou de cinco para seis anos.
Hoje, o casal concentra amplo controle sobre instituições como o Judiciário, as Forças Armadas e os órgãos eleitorais.
Governo é acusado de autoritarismo
A imagem de Ortega também mudou ao longo das últimas décadas. Se nos anos 1980 ele era visto como um líder revolucionário de esquerda, atualmente especialistas classificam o governo como um regime cada vez mais autoritário.
A principal ruptura ocorreu em 2018, quando grandes manifestações contra reformas do governo foram reprimidas com violência. Segundo organismos internacionais, mais de 300 pessoas morreram durante a repressão.
Desde então, organizações como a ONU, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) e diversos governos passaram a denunciar perseguições contra opositores, jornalistas, estudantes, empresários e defensores dos direitos humanos.
A eleição presidencial de 2021 também foi alvo de fortes críticas internacionais. Antes da votação, diversos possíveis candidatos da oposição foram presos, enquanto manifestações de dissidência foram criminalizadas.
Perseguição à Igreja Católica e às ONGs
Nos últimos anos, o governo Ortega também ampliou o confronto com a Igreja Católica. Padres e bispos críticos ao regime foram presos ou enviados ao exílio, enquanto congregações religiosas tiveram suas atividades restringidas. Em 2024, o governo cancelou o registro de cerca de 1.500 organizações sem fins lucrativos, incluindo centenas de entidades religiosas.
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Segundo o Escritório de Direitos Humanos da ONU, mais de 5 mil ONGs, universidades privadas e veículos de comunicação tiveram seus registros legais cancelados desde 2022, reduzindo significativamente o espaço da sociedade civil na Nicarágua.