O lançamento de um novo relógio da suíça Swatch provocou cenas de caos em diferentes cidades do mundo no último fim de semana, levando a empresa a fechar algumas lojas por questões de segurança. Foram registradas brigas, empurra-empurra, correrias e filas quilométricas em lojas em diversas partes do mundo, como Nova York (EUA), Mumbai (Índia), Dubai (Emirados Árabes), Milão e Barcelona (Espanha), Bangkok (Tailândia) e Osaka (Japão).
O responsável pela confusão é o Royal Pop, desenvolvido em parceria com a relojoaria suíça de luxo Audemars Piguet. A linha mistura características do tradicional modelo Royal Oak, da grife, com o visual colorido da linha POP da Swatch lançada nos anos 1980.
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Embora os relógios sejam vendidos por cerca de US$ 400 a US$ 420 (aproximadamente R$ 2 mil), valor considerado baixo para padrões da Audemars Piguet, a procura foi impulsionada por outro fator: a expectativa de revenda com preços muito superiores. Após uma campanha intensa de divulgação, milhares de consumidores se reuniram em frente às lojas da marca no domingo (17/5).
Em Paris, cerca de 300 pessoas se aglomeraram e a polícia utilizou gás lacrimogêneo para dispersar o público. Em Nova York, uma pessoa foi presa durante a confusão na Times Square. Já em Milão, houve brigas tanto na abertura das lojas quanto após o esgotamento dos produtos.
Na Alemanha, filas de até 300 metros foram registradas em cidades como Düsseldorf e Colônia. Em Dubai, o lançamento chegou a ser cancelado em alguns shoppings, enquanto lojas em cidades britânicas como Londres, Liverpool e Manchester fecharam preventivamente. Apesar dos episódios, não houve registro de feridos graves.
Em comunicado, a Swatch pediu que os consumidores evitassem comparecer às lojas em grande número e apontou que não há risco de o produto se esgotar. "Para garantir a segurança de nossos clientes e funcionários nas lojas Swatch, pedimos gentilmente que não se dirijam em grande número às nossas lojas para adquirir este produto”, disse em nota.
A empresa afirma que a coleção não é limitada, embora seja considerada "especial", e estabeleceu uma regra de compra: um relógio por pessoa, por dia e por loja.
Corrida por revenda impulsionou procura
O principal motivo por trás da disputa não parece ser apenas o interesse pelo produto em si, mas o mercado de revenda. Enquanto o preço oficial gira em torno de US$ 400, alguns modelos começaram a aparecer em plataformas online por valores até dez vezes maiores. Um conjunto completo dos oito modelos chegou a ultrapassar US$ 25 mil (R$ 126 mil) em sites especializados.
Segundo especialistas, a situação repete um fenômeno já observado em lançamentos anteriores envolvendo marcas de luxo e edições especiais, em que o valor de revenda acaba alimentando ainda mais o interesse do público.
Royal Pop é produzido em biocerâmica e chama atenção pelo alto valor de revenda
O Royal Pop segue uma estratégia semelhante à usada no lançamento do MoonSwatch, colaboração entre Swatch e Omega que virou febre mundial em 2022 e vendeu cerca de 3 milhões de unidades entre 2022 e 2023. A nova coleção inclui oito modelos de relógios de bolso produzidos em biocerâmica, material desenvolvido pela própria marca. As peças possuem mecanismo mecânico SISTEM51, reserva de energia de até 90 horas e podem ser usadas no bolso, no pescoço ou presas a bolsas.
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