A artesã canadense Amanda Booth transforma o que para muitos pode ser algo nojento em itens valiosos. Aos 36 anos, ela criou um negócio que produz joias feitas a partir de materiais incomuns enviados pelos próprios clientes, como esperma, leite materno, cinzas póstumas, pedaços de cordão umbilical, menstruação, dentes e até garras ou penas de animais de estimação.
Antes de criar a loja Trinkets, Amanda trabalhava como consultora em uma empresa de maquiagem. A modelagem em argila surgiu inicialmente como uma forma de terapia durante um período difícil de sua vida.
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O hobby acabou ganhando força graças ao apoio de amigos e seguidores nas redes sociais, que passaram a encomendar peças personalizadas. O que começou como um processo de recuperação pessoal tornou-se a principal fonte de renda da família.
Atualmente, Amanda recebe entre 100 e 150 pedidos por mês e envia os trabalhos para clientes em diversas partes do mundo, incluindo Japão, Hong Kong, Austrália, Nova Zelândia, países da Europa, regiões da África, além dos Estados Unidos e Canadá. Apesar dos materiais chamarem atenção, Amanda afirma que cada peça nasce de uma história pessoal.
"As peças são muito pessoais e feitas sob encomenda, geralmente criadas com base no que o cliente quer representar", explicou em entrevista ao jornal Extra.
As encomendas podem simbolizar o nascimento de um filho, a perda de um bebê, o luto pela morte de alguém próximo ou o vínculo com um animal de estimação. Segundo ela, os materiais utilizados têm forte valor sentimental e, justamente por isso, precisam ser enviados pelos próprios clientes.
"Os clientes sempre precisam enviar seus próprios materiais para seus pedidos. Não aceito doações e nem vendo materiais sentimentais e pessoais de outras pessoas", disse.
Ao longo dos anos, a artista recebeu materiais dos mais variados tipos: cinzas, flores, terra de sepultura, leite materno, placenta, dentes, fios de cabelo, sangue, sangue menstrual, sangue decorrente de aborto espontâneo, areia, sêmen, unhas, ossos, pele de répteis e até amostras vaginais. O mais estranho foi a unha do pé de alguém, para ser transformado em um pingente.
O tempo de produção varia de acordo com a complexidade das peças. Em média, o prazo é de oito semanas a partir da encomenda, embora algumas criações exijam mais de 12 horas de trabalho manual. Entre os projetos mais trabalhosos, ela destaca tabuleiros de xadrez feitos com cinzas de pessoas falecidas, medindo cerca de 60 cm por 60 cm.
Enquanto algumas pessoas enxergam o trabalho como uma homenagem afetiva, outras reagem com estranheza. Nas redes sociais, Amanda diz receber frequentemente comentários negativos. "Os comentários geralmente estão cheios de ódio, nojo ou críticas", contou.
Se antes isso abalava sua autoestima, hoje a artesã encara as reações de forma diferente e até com humor. "Agora respondo alguns comentários de forma irônica e divertida. Até os comentários negativos ajudam meu negócio, então sou grata por qualquer interação”, pontuou.
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Dentro de casa, ela recebe apoio da família. A filha mais velha ajuda ocasionalmente na produção, enquanto as menores participam dobrando embalagens. Já o marido, Alfredo Alcantara, que viveu por dois anos um relacionamento à distância com a artesã, também sempre incentivou o trabalho.
