Alireza Arafi assume o posto de liderança interina no Irã após a morte do aiatolá Ali Khamenei, ocorrida nesse sábado (28/2), durante ataques aéreos conjuntos dos Estados Unidos e Israel em Teerã.
Com a ativação do Artigo 111 da Constituição iraniana, foi formado um conselho de liderança temporário composto pelo presidente Masoud Pezeshkian, pelo chefe do judiciário Gholamhossein Mohseni Ejei e por Arafi como o membro jurista indicado pelo Conselho de Discernimento da Conveniência.
Esse arranjo garante a continuidade das funções do líder supremo até que a Assembleia de Especialistas eleja um sucessor permanente, um processo que pode levar semanas ou meses.
Nascido em 1959 na cidade de Meybod, na província de Yazd, Alireza Arafi vem de uma família clerical tradicional. Seu pai, o aiatolá Mohammad Ibrahim Arafi, era próximo de Ruhollah Khomeini, fundador da República Islâmica. Aos 11 anos, em 1969, ele se mudou para Qom para estudos religiosos avançados nos seminários mais prestigiados do país, onde se formou em jurisprudência islâmica, teologia e filosofia.
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Líder religioso
Antes do conflito deste sábado, Arafi já ocupava posições de grande influência no establishment religioso e político iraniano, sempre nomeado diretamente ou com forte apoio do falecido Khamenei. Em 1992, aos 33 anos, foi designado como líder de orações de sexta-feira em sua cidade natal, um sinal precoce de confiança do regime. Ele dirigiu a Universidade Internacional Al-Mustafa, focada na exportação do islamismo xiita para o exterior, e desde 2016 liderava o sistema nacional de seminários islâmicos do Irã, supervisionando a formação de milhares de clérigos.
Em 2019, Khamenei o nomeou membro do Conselho dos Guardiães, órgão que veta candidatos eleitorais e interpreta a Constituição. Em 2022, ele ingressou na Assembleia de Especialistas, responsável por escolher e fiscalizar o líder supremo. Arafi é descrito como um clérigo conservador e linha-dura, alinhado à ideologia revolucionária da República Islâmica.
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Perfil conservador
Ele defendeu publicamente medidas rígidas como a obrigatoriedade do hijab, criticou protestos internos — inclusive os de 2022 — e defendeu punições exemplares contra opositores. Sua trajetória o posicionava como um dos nomes mais confiáveis do sistema teocrático, com experiência em educação religiosa, administração institucional e supervisão política.
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Embora não seja o líder supremo permanente e único, Arafi exerce agora, como parte do conselho interino, as principais prerrogativas do cargo, incluindo decisões estratégicas em meio à crise militar e ao luto nacional de 40 dias declarado pelo regime. Sua nomeação reflete a busca por continuidade e lealdade ao legado de Khamenei em um momento de extrema tensão externa e incerteza interna. O futuro depende da Assembleia de Especialistas, onde Arafi também tem assento, e analistas apontam que sua estabilidade institucional o torna um forte candidato para uma transição mais definitiva.
