Como são as minas navais e por que são perigosas no Estreito de Hormuz
Minas navais são explosivos colocados debaixo d'água para danificar ou destruir navios e muito usadas em guerras porque são baratas e difíceis de detectar
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SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - A Inteligência dos Estados Unidos disse ter identificado sinais de que iranianos começaram a instalar minas navais no Estreito de Hormuz, considerado a principal rota marítima do petróleo do Oriente Médio.
Autoridades americanas disseram que o Irã estaria usando embarcações menores, capazes de transportar de duas a três minas cada, para lançá-las no estreito, segundo a rede de TV CBS News. A estimativa é de que o país tenha aproximadamente entre 2.000 e 6.000 minas navais, produzidas principalmente pelo próprio Irã, China ou Rússia.
A instalação de minas ainda não é extensa -são apenas algumas dezenas instaladas nos últimos dias, segundo fontes da CNN. No entanto, o Irã ainda mantém de 80% a 90% de seus barcos pequenos e lançadores de minas na região, o que significa que suas forças poderiam, teoricamente, instalar centenas de minas na via navegável.
As forças navais do Irã mantêm frotas de barcos rápidos pequenos capazes de implantar considerável número de minas navais, segundo analistas. Submarinos também podem lançar minas por meio de tubos de torpedos.
O QUE SÃO MINAS NAVAIS?
Minas navais são dispositivos explosivos colocados debaixo d'água para danificar ou destruir navios. Elas são amplamente usadas na guerra naval porque são relativamente baratas e difíceis de detectar.
As minas podem conter de 45 kg a mais de 900 kg de explosivos, segundo o Robert Strauss Center for International Security and Law, da Universidade do Texas. Forças militares usam minas para bloquear o acesso a águas, danificar embarcações navais ou forçar navios a rotas específicas onde são mais fáceis de atingir.
Existem diferentes modelos de minas navais. Elas variam dependendo de como são posicionadas e acionadas. Algumas ficam presas ao fundo do mar, enquanto outras podem ser ancoradas a certa profundidade. Em outros casos, elas podem ficar à deriva.
AS MINAS NAVAIS DO IRÃ
Entre os modelos mais sofisticados no arsenal iraniano destaca-se a EM-52, uma mina de origem chinesa. Essa mina fica no fundo do mar e, ao identificar a aproximação de uma embarcação por meio de sensores, lança uma espécie de foguete diretamente contra o alvo, segundo o Robert Strauss Center for International Security and Law.
O Irã enfrenta restrições para produzir ou posicionar grandes quantidades dessa mina avançada, pois dispõe apenas de três submarinos adequados para o lançamento desse tipo específico, diz o instituto. Diante dessa limitação, o país poderia recorrer a barcos de pequeno porte para colocar minas mais básicas e convencionais em maior volume.
POR QUE AS MINAS PODEM SER EFICAZES EM HORMUZ
A geografia do Estreito de Hormuz o torna particularmente vulnerável à guerra de minas. As faixas estreitas de navegação significam que mesmo um número limitado de minas poderia interromper o tráfego ou forçar embarcações a evitar certas rotas, segundo o Times of India.
Até mesmo a ameaça de minas pode afetar significativamente o transporte marítimo global. Um relatório da CIA de 2009 afirmou que o Irã poderia usar mineração limitada ou até mesmo a ameaça de mineração para dissuadir embarcações e aumentar custos de seguro para navios que entram no Golfo Pérsico. "Tal mineração seria tão eficaz quanto um bloqueio", dizia o relatório.
COMO AS MINAS SÃO IMPLANTADAS
As minas podem ser lançadas por várias plataformas, incluindo navios navais, submarinos, aeronaves ou barcos menores. Navios grandes são tradicionalmente usados para lançar minas, mas embarcações menores também podem implantar certos tipos, tornando a tática mais difícil de detectar.
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COMO AS MINAS DANIFICAM NAVIOS
Quando uma mina detona debaixo d'água, a explosão gera tanto uma onda de choque quanto uma bolha de gás em rápida expansão. A onda de choque pode danificar o casco, eletrônicos e sistemas mecânicos de um navio, enquanto a bolha de gás ascendente pode desestabilizar a embarcação ao levantá-la ou dobrar sua estrutura.
A extensão dos danos depende de fatores como o tamanho da carga explosiva, a profundidade da mina e o tipo de navio envolvido.
DONALD TRUMP REAGE
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, exigiu a retirada das supostas minas navais colocadas pelo Irã no Estreito de Hormuz. O líder americano escreveu mensagem nas redes sociais pedindo a remoção dos supostos artefatos explosivos. "Se o Irã tiver colocado minas no Estreito de Hormuz, e não temos relatos disso, exigimos a remoção imediata delas!".
"Se, por qualquer motivo, minas foram colocadas e não forem removidas imediatamente, as consequências militares para o Irã serão de uma magnitude sem precedentes. Se, por outro lado, removerem o que quer que tenha sido colocado, será um grande passo na direção certa! Além disso, estamos usando a mesma tecnologia e capacidade de mísseis empregadas contra traficantes de drogas para eliminar permanentemente qualquer barco ou navio que tente minar o Estreito de Hormuz. Eles serão neutralizados com rapidez e violência", disse Donald Trump, na Truth Social.
Donald Trump disse depois que os EUA já destruíram 10 navios minadores inativos no Estreito de Hormuz.
A Guarda Revolucionária do Irã disse na semana passada que havia fechado o Estreito de Hormuz para navios. A medida foi anunciada pela forças militares após ataque dos EUA que matou líder supremo aiatolá Ali Khamenei. Os iranianos ameaçaram dizendo que incendiariam qualquer navio que tentar passar pela região.
BLOQUEIO PODE IMPACTAR PREÇOS DO PETRÓLEO
O Estreito de Hormuz é a via estreita entre Irã e Omã que liga o Golfo ao Mar Arábico. Em condições normais, ele concentra a saída de cargas de grandes produtores como Arábia Saudita, Iraque, Irã, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Qatar, segundo a Reuters.
Por ali passa o equivalente a cerca de 20% do consumo global de petróleo em um dia normal. A interrupção dessa rota é o motivo de o conflito ter impacto imediato no preço do barril e no custo do frete, já que parte relevante do abastecimento mundial depende desse corredor.
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Analistas e autoridades do setor citam que um bloqueio pode reter de 20% a 25% do petróleo exportado no mundo. O volume retido seria de mais de 20 milhões de barris por dia, com destino principalmente a países da Ásia, como China, Japão, Índia e Filipinas, segundo especialistas ouvidos pelo UOL.
O impacto tende a ser maior na Ásia, que concentra grande parte da demanda por petróleo do Oriente Médio. Metade do fornecimento da China, maior importadora global, e 90% do Japão vêm da região.
Empresas de navegação e grandes companhias de petróleo passaram a suspender embarques e operações no entorno do estreito. Os embarques pela rota ficaram paralisados após armadores receberem um aviso do Irã informando que a área estava fechada para a navegação.
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