Um show organizado pela Turning Point USA para ser uma alternativa contra o show do porto-riquenho Bad Bunny no intervalo do Super Bowl, evento da final da NFL, uniu homenagens a Charlie Kirk, na noite desse domingo (8/2). O grupo defende os valores conservadores nos campi de universidades e escolas de ensino médio do país e foi fundado por Kirk e Bill Montgomery em 2012. 

Charlie Kirk morreu após ser baleado no pescoço durante um discurso na Utah Valley University, na cidade de Orem (UT/EUA). Após o assassinato, foi considerado “herói” dos jovens conservadores estadunidenses que, em grande maioria, se declararam publicamente contra a escolha da NFL em ter Bad Bunny no show principal. Politizado, o artista se apresenta majoritariamente em espanhol e é publicamente defensor de imigrantes no país.

Conforme informações do The New York Times, o show da Turning Point foi pensado para concorrer com o espetáculo oficial. O principal nome foi o artista Kid Rock, que também atua como ativista político e havia prometido tocar “boas músicas para quem ama os Estados Unidos”.

A apresentação uniu quatro artistas do country e contou com um público em estúdio fechado, com transmissões ao vivo no YouTube e em plataformas alinhadas à direita como Daily Wire+ e One America News Network.

Dentre os artistas, o cantor Lee Brice apresentou uma música inédita, com letra que faz referências a debates sobre identidade de gênero, incluindo trecho em que diz à filha que “meninos não são meninas” e o refrão que diz: “não é fácil ser country neste país hoje em dia”. A música em questão foi dedicada a Charlie Kirk que, segundo o cantor, “deu microfones às pessoas para que pudessem dizer o que pensavam”.

Quando o show de Bad Bunny se aproximava do fim, Kid Rock assumiu o palco e cantou uma versão abreviada do sucesso próprio “Bawitdaba”, de 1999. Na sequência, apresentou a música de Cody Johnson “Til You Can’t” com um verso próprio, com referência à fé cristã e redenção espiritual - ideia associada a Kirk por ele mesmo em outras apresentações.

O show alternativo finalizou com imagens de Charlie Kirk no telão e o público presente repetindo o nome do ativista.

Show politizado

O show de Bad Bunny, cantor que se apresenta majoritariamente em espanhol e faz declarações públicas contra o Serviço de Imigração e Alfândega do Governo Trump (ICE, na sigla em inglês), foi duramente criticado por frentes conservadoras do país. O artista não citou nominalmente o ICE e incluiu referências à ilha de Porto Rico, território estadunidense, tanto no design do palco quanto nas letras das músicas.

O artista percorre o mundo desde novembro de 2025, com a turnê “Debí Tirar Más Fotos”. O único show do artista nos Estados Unidos foi o do Super Bowl. Recentemente, recebeu o prêmio de Álbum do Ano no Grammy 2026. Em 2022, foi o primeiro artista que canta em língua não-inglesa a receber o prêmio de Artista do Ano na mesma premiação.

O próprio Donald Trump usou as redes sociais para afirmar que o show foi “a pior apresentação de todos os tempos” e uma “afronta aos EUA”. Isto porque, em certo momento da performance, Bad Bunny insinuou que América não é apenas os Estados Unidos, mas todo o continente americano, e nomeou todos os países. 

"É uma afronta à grandeza da América e não representa nossos padrões de sucesso, criatividade ou excelência. Ninguém entende uma palavra do que esse cara está dizendo, e a dança é repugnante, especialmente para as crianças pequenas que estão assistindo em todo o país e no mundo inteiro", escreveu Trump. 

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Em uma entrevista recente, o presidente disse que não compareceria à partida e chamou a escolha da NFL de "uma péssima decisão". Meses antes, quando o porto-riquenho foi anunciado, a secretária de Segurança Interna do país, Kristi Noem, disse que o ICE estaria em peso no jogo.

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