WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) - Em Minnesota, o medo se espalha entre brasileiros de diferentes status migratórios. André (nome fictício) vive perto de Minneapolis. Ele diz à Folha que passou 29 dias deste mês trancado no apartamento com a esposa e um primo, evitando qualquer deslocamento que pudesse chamar atenção de agentes federais de imigração.

A tensão não vem de rumores distantes, mas da rotina diária: os relatos são de carros parados por horas em frente aos prédios, agentes circulando pelas ruas e mensagens que se acumulam em grupos de WhatsApp com informações sobre detenções de imigrantes.

 


Sem inglês fluente nem status migratório regular, André conta que entrou nos Estados Unidos pela fronteira com o México, vive há três anos em Minnesota e trabalha na construção civil. O local de destino foi estratégico; ele buscou o país para tentar prosperar, mas priorizou o Meio-Oeste por ter menos brasileiros.

Calcula-se que em Minnesota vivem cerca de 2.500 brasileiros, pouco menos de 0,05% da população. Cenário bem diferente de estados como Flórida, com 110 mil brasileiros, que representam 0,5% da população --os dados são do censo dos Estados Unidos.

Com a ostensiva presença do ICE (a polícia de imigração) no estado desde dezembro, André afirma que precisou calibrar a estratégia e decidiu não sair de casa. "A gente foi vendo pelo WhatsApp, pessoas conhecidas, da mesma cidade que eu, sendo pegas. Aí você entende que tem que se resguardar", diz.

A alimentação nesse período de confinamento chegou por meio de amigos e conhecidos que têm status migratório regularizado. "A gente não sai porque sabe que, se sair, eles pegam. Na rua, eu sei que eles estão pegando e vão me pegar. Em casa, eu tenho certeza de que eles não vão arrebentar minha porta."

Mesmo sem trabalhar por quase um mês, André diz que conseguiu se manter com uma reserva financeira. O dinheiro agora acabou, e o último cheque foi para pagar o aluguel. "Agora não tem mais como ficar em casa. Tenho que voltar."

Depois da morte de um segundo cidadão americano em decorrência de disparos feitos por agentes de imigração, André afirma ter percebido que a tática dos funcionários federais mudou. Em vez de rondas rápidas, os agentes passaram a permanecer estacionados por horas em regiões que concentram maior número de imigrantes. "Eles ficam quietos, esperando aparecer alguém."

Mesmo quem está com a documentação em dia foi contaminado pela tensão. Katia Mitchell, 53, vive há quase três décadas nos EUA, é cidadã americana e construiu carreira em grandes multinacionais.

"No começo, eu me achava imune. Trabalhei aqui desde 1998, contribuí, paguei impostos", diz. "Hoje eu tenho medo. Só saio com passaporte e outros documentos. Quero ter mais provas se me pararem."

Moradora da região metropolitana de Minneapolis, Katia diz que evita supermercados, postos de gasolina e áreas onde percebe maior presença de agentes. O receio, segundo ela, vem da percepção de seu sotaque. "Você abre a boca e eles já sabem que você não é daqui."

O medo generalizado também motivou a solidariedade, e Katia passou a ajudar famílias brasileiras e hispânicas que não conseguem sair de casa. Ao lado do marido e da filha, faz entregas de alimentos deixados discretamente nas portas dos apartamentos.

"Na primeira entrega, eu vi crianças na janela e os direitos delas escritos nas mãozinhas. Eu comecei a chorar dentro do carro. Não tem como não chorar."

Para não criar ainda mais tensão, ela diz ter o hábito de avisar as famílias quando está chegando. A orientação é que eles não saiam de casa até que ela chegue. Só quando Katia já está na porta é que eles abrem para pegar os mantimentos. Ela descreve a experiência como emocionalmente exaustiva. "É uma sensação de montanha-russa, de adrenalina. Você ajuda, mas sai tremendo."

Neste cenário, ela passou a integrar a rede de apoio que conecta imigrantes, voluntários e organizações, tentando oferecer um respiro em meio ao medo que agora permeia o dia a dia de quem vive em Minnesota.

Para André, cada passo fora do apartamento é um teste de coragem. Após quase um mês em casa, ele decidiu que era hora de tentar voltar à rotina. No dia da entrevista, falou com a reportagem pelo telefone enquanto caminhava pela rua, algo que não fazia havia semanas.

Ao retornar para casa, suspirou aliviado. "Cheguei em casa, graças a Deus."

Ele também desempenhou papel importante nas campanhas políticas de Hillary Clinton, tanto em sua candidatura ao Senado quanto em suas disputas pela presidência, em 2008 e 2016, consolidando sua influência dentro do Partido Democrata. " width="720" height="480">

Ele também desempenhou papel importante nas campanhas políticas de Hillary Clinton, tanto em sua candidatura ao Senado quanto em suas disputas pela presidência, em 2008 e 2016, consolidando sua influência dentro do Partido Democrata.

Reprodução do X @BillClinton
Após deixar a Casa Branca, Bill Clinton manteve uma presença ativa na vida pública. Fundou a Fundação Clinton, organização dedicada a temas como saúde global, combate à pobreza, mudanças climáticas e desenvolvimento sustentável, e passou a atuar como mediador em conflitos internacionais e como palestrante em fóruns globais. 
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Após deixar a Casa Branca, Bill Clinton manteve uma presença ativa na vida pública. Fundou a Fundação Clinton, organização dedicada a temas como saúde global, combate à pobreza, mudanças climáticas e desenvolvimento sustentável, e passou a atuar como mediador em conflitos internacionais e como palestrante em fóruns globais. 

Reprodução do X @BillClinton
Embora tenha sido absolvido pelo Senado e permanecido no cargo até o fim do mandato, o episódio deixou marcas duradouras em sua imagem pública e aprofundou a polarização política nos Estados Unidos, antecipando um cenário que se tornaria ainda mais intenso nos anos seguintes. " width="720" height="480">

Embora tenha sido absolvido pelo Senado e permanecido no cargo até o fim do mandato, o episódio deixou marcas duradouras em sua imagem pública e aprofundou a polarização política nos Estados Unidos, antecipando um cenário que se tornaria ainda mais intenso nos anos seguintes.

Kremlin.ru/Wikimédia commons
Apesar dos êxitos econômicos e diplomáticos, a presidência de Clinton foi profundamente marcada por escândalos políticos e pessoais, culminando no processo de impeachment em 1998, após acusações de perjúrio e obstrução de justiça relacionadas ao caso envolvendo a estagiária Monica Lewinsky.  " width="720" height="480">

Apesar dos êxitos econômicos e diplomáticos, a presidência de Clinton foi profundamente marcada por escândalos políticos e pessoais, culminando no processo de impeachment em 1998, após acusações de perjúrio e obstrução de justiça relacionadas ao caso envolvendo a estagiária Monica Lewinsky. 

Domínio Público/Wikimédia commons
A política externa também foi um dos pilares de sua administração. Clinton atuou na ampliação da Otan, apoiou acordos de paz no Oriente Médio, como os Acordos de Oslo, e liderou intervenções internacionais nos Bálcãs, buscando encerrar conflitos que marcaram a Europa pós-Guerra Fria.  " width="720" height="480">

A política externa também foi um dos pilares de sua administração. Clinton atuou na ampliação da Otan, apoiou acordos de paz no Oriente Médio, como os Acordos de Oslo, e liderou intervenções internacionais nos Bálcãs, buscando encerrar conflitos que marcaram a Europa pós-Guerra Fria. 

Domínio Público/Wikimédia Commons
Em 1992, Bill Clinton foi eleito presidente dos Estados Unidos, derrotando o então presidente George H. W. Bush. Aos 46 anos, tornou-se um dos presidentes mais jovens da história do país.  " width="720" height="480">

Em 1992, Bill Clinton foi eleito presidente dos Estados Unidos, derrotando o então presidente George H. W. Bush. Aos 46 anos, tornou-se um dos presidentes mais jovens da história do país. 

Domínio Público/Wikimédia Commons
Esse período consolidou sua imagem como um democrata pragmático, capaz de dialogar com diferentes correntes políticas e defender uma agenda de centro, o que mais tarde seria conhecido como a “Terceira Via”.
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Esse período consolidou sua imagem como um democrata pragmático, capaz de dialogar com diferentes correntes políticas e defender uma agenda de centro, o que mais tarde seria conhecido como a “Terceira Via”.

Reprodução do X @BillClinton
Após derrota na disputa pela reeleição, ele retornou ao governo estadual em 1982 e permaneceu no posto por mais uma década, implementando reformas voltadas à educação, à modernização administrativa e ao crescimento econômico.  " width="720" height="480">

Após derrota na disputa pela reeleição, ele retornou ao governo estadual em 1982 e permaneceu no posto por mais uma década, implementando reformas voltadas à educação, à modernização administrativa e ao crescimento econômico. 

Reprodução do X @BillClinton
A entrada de Bill Clinton na política se deu no Arkansas, onde foi eleito procurador-geral do estado em 1976 e, dois anos depois, governador, tornando-se um dos mais jovens a ocupar o cargo.  " width="720" height="480">

A entrada de Bill Clinton na política se deu no Arkansas, onde foi eleito procurador-geral do estado em 1976 e, dois anos depois, governador, tornando-se um dos mais jovens a ocupar o cargo. 

Domínio Público/Wikimédia Commons
Durante o curso de Direito em Yale, uma das mais prestigiadas instituições do país, conheceu Hillary Rodham, que se tornaria sua esposa e também uma personalidade influente na política americana.  " width="720" height="480">

Durante o curso de Direito em Yale, uma das mais prestigiadas instituições do país, conheceu Hillary Rodham, que se tornaria sua esposa e também uma personalidade influente na política americana. 

- Reprodução do X @BillClinton
Ele desenvolveu ainda jovem interesse por política e vida pública, influenciado pelo contexto social do sul dos EUA e por figuras como o presidente John F. Kennedy (foto), que o inspirou a seguir a carreira pública. " width="720" height="480">

Ele desenvolveu ainda jovem interesse por política e vida pública, influenciado pelo contexto social do sul dos EUA e por figuras como o presidente John F. Kennedy (foto), que o inspirou a seguir a carreira pública.

Domínio Público/Wikimédia Commons
Nascido em 19 de agosto de 1946, em Hope, no estado do Arkansas, William Jefferson Clinton, conhecido como Bill Clinton, é uma das figuras mais marcantes da política norte-americana das últimas décadas. 
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Nascido em 19 de agosto de 1946, em Hope, no estado do Arkansas, William Jefferson Clinton, conhecido como Bill Clinton, é uma das figuras mais marcantes da política norte-americana das últimas décadas. 

Reprodução do X @BillClinton
Os dois casos que motivaram as reações foram as ações que resultaram na morte de Alex Pretti, um enfermeiro de 37 anos de Minneapolis, e de Renee Good, também cidadã americana de 37 anos, ocorridos com diferença de semanas entre si durante operações do ICE na mesma cidade. " width="720" height="480">

Os dois casos que motivaram as reações foram as ações que resultaram na morte de Alex Pretti, um enfermeiro de 37 anos de Minneapolis, e de Renee Good, também cidadã americana de 37 anos, ocorridos com diferença de semanas entre si durante operações do ICE na mesma cidade.

Chad Davis/Wikimédia Commons
As críticas de Clinton fazem parte de uma reação mais ampla de líderes políticos. O ex-presidente Barack Obama e sua esposa Michelle classificando os episódios como uma “trágica chamada de atenção” para a nação e denunciando as táticas empregadas pelos agentes do Departamento de Segurança Interna (DHS), que supervisiona as operações do ICE.  " width="720" height="486">

As críticas de Clinton fazem parte de uma reação mais ampla de líderes políticos. O ex-presidente Barack Obama e sua esposa Michelle classificando os episódios como uma “trágica chamada de atenção” para a nação e denunciando as táticas empregadas pelos agentes do Departamento de Segurança Interna (DHS), que supervisiona as operações do ICE. 

Flickr Lauren Victoria Burke
O pronunciamento de Clinton aconteceu no mesmo dia em que o presidente Donald Trump acusou dirigentes democratas de cidades e estados de serem responsáveis pela violência e pelas mortes registradas durante confrontos entre manifestantes, civis e agentes federais.  " width="720" height="486">

O pronunciamento de Clinton aconteceu no mesmo dia em que o presidente Donald Trump acusou dirigentes democratas de cidades e estados de serem responsáveis pela violência e pelas mortes registradas durante confrontos entre manifestantes, civis e agentes federais. 

Reprodução/TV Globo
No texto, Clinton afirmou que “as pessoas no comando mentiram para nós”, criticando a forma como as ações foram explicadas e a resposta dada às imagens divulgadas por testemunhas. Ele também acusou as lideranças federais de adotar táticas cada vez mais agressivas, além de dificultar investigações conduzidas por autoridades locais.  " width="720" height="480">

No texto, Clinton afirmou que “as pessoas no comando mentiram para nós”, criticando a forma como as ações foram explicadas e a resposta dada às imagens divulgadas por testemunhas. Ele também acusou as lideranças federais de adotar táticas cada vez mais agressivas, além de dificultar investigações conduzidas por autoridades locais. 

Reprodução do X @BillClinton
Em mensagem publicada no seu perfil no X (ex-Twitter), Clinton qualificou os episódios como inaceitáveis e apontou falhas na atuação das autoridades federais comandadas pelo atual presidente, Donald Trump.
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Em mensagem publicada no seu perfil no X (ex-Twitter), Clinton qualificou os episódios como inaceitáveis e apontou falhas na atuação das autoridades federais comandadas pelo atual presidente, Donald Trump.

Reprodução do X @BillClinton
Bill Clinton, ex-presidente dos Estados Unidos, fez fortes críticas às recentes ações de  agentes do ICE, o Serviço de Imigração e Alfândega, que resultaram em mortes de cidadãos americanos na cidade de Minneapolis, no estado de Minnesota.  " width="720" height="480">

Bill Clinton, ex-presidente dos Estados Unidos, fez fortes críticas às recentes ações de  agentes do ICE, o Serviço de Imigração e Alfândega, que resultaram em mortes de cidadãos americanos na cidade de Minneapolis, no estado de Minnesota. 

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Reprodução do X @BillClinton
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