‘Eu era a emergência’: mãe chama a polícia para si mesma
Privação de sono e a rotina intensa de cuidados médicos levaram mãe de quatro filhos a ligar para a emergência em um pedido de ajuda
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Mãe de quatro filhos, a americana Kylie Grimes viralizou em todo o mundo por ter chamado a polícia para si mesma em um momento de desespero ao perceber que havia atingido seu limite emocional. Em entrevista ao Daily Mail, Grimes contou que estava sozinha em casa naquela noite, enquanto o marido trabalhava até tarde, e se sentia “completamente exausta” por ter passado semanas dormindo menos de duas horas seguidas.
Por volta das 21h45 daquele dia, o jantar ainda não havia sido servido, os filhos estavam agitados e o caçula, de 15 meses, chegou a se engasgar ao colocar terra de um vaso de plantas na boca. Embora a situação tenha sido controlada rapidamente, a mãe afirmou que aquela foi a gota d’água. “Percebi que não estava bem e que precisava de ajuda imediata”, relatou.
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A rotina da família havia se tornado ainda mais desgastante após dois dos filhos de Grimes receberem diagnóstico de diabetes tipo 1. Segundo ela, os dias e as noites passaram a girar em torno de alarmes, medições constantes de glicemia, aplicações de insulina e medo permanente de emergências médicas.
“Meu sistema nervoso estava sempre em alerta máximo”, disse. A mãe descreveu uma sensação contínua de vazio, exaustão extrema e incapacidade de desligar, mesmo durante a madrugada.
Na noite do episódio, além do engasgo do filho com terra, Grimes descobriu que a criança também havia ingerido parte de um bastão repelente de insetos. Ela ligou imediatamente para o centro de controle de intoxicações e, após encerrar a chamada, entrou em colapso emocional.
“Eu era a emergência”
Sem saber a quem recorrer, Grimes decidiu ligar para o 911, número de emergência dos Estados Unidos. Ao ser questionada pela atendente sobre qual era o problema, ela foi direta: “Eu”.
A operadora manteve a calma, ouviu o relato e permaneceu ao telefone até a chegada dos policiais. No local, os agentes verificaram que as crianças estavam em segurança e, em seguida, sentaram-se com a mãe para ouvi-la. Mais tarde, providenciaram o contato com uma terapeuta especializada em crises.
Depois de se acalmar, Grimes retomou a rotina da noite: preparou o jantar e colocou os filhos para dormir. “Tudo voltou ao normal”, relatou. Apesar da aparente simplicidade do desfecho, ela afirma que o telefonema mudou a vida da família.
Segundo a mãe, após o episódio, Grimes e o marido passaram a aceitar ajuda de amigos e familiares, tanto para tarefas cotidianas quanto para apoio nos cuidados médicos das crianças.
A história ganhou repercussão nacional depois que Grimes publicou nas redes sociais imagens do momento em que a polícia esteve com ela. “Eu não estava tentando me machucar nem machucar meus filhos. Eu só queria uma saída. Queria uma noite inteira de sono. Queria silêncio”, escreveu.
Ela afirmou que hesitou em tornar o episódio público por medo de julgamentos e de ser vista como incapaz de cuidar dos filhos. Ainda assim, decidiu compartilhar a experiência para ajudar outros cuidadores que enfrentam situações semelhantes.
“Prometi mostrar o lado feio e o lado bonito. E agora, nossa vida não está bonita”, escreveu. Para ela, o caso evidencia uma realidade pouco discutida: o esgotamento extremo de cuidadores, especialmente aqueles responsáveis por crianças com doenças crônicas.
Hoje, Grimes diz estar mais consciente de seus limites e reforça a mensagem que motivou a divulgação do caso. “Amar os filhos não torna ninguém imune à exaustão. Pedir ajuda não é sinal de fraqueza, mas de humanidade”, destacou.
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