ATAQUES À VENEZUELA

Por que cobriram os olhos e os ouvidos de Maduro durante sua captura

Especialistas explicam em detalhes à BBC Mundo os principais elementos da primeira imagem divulgada de Nicolás Maduro após ser capturado por forças militares dos Estados Unidos neste sábado

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A imagem correu o mundo em questão de minutos.

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A primeira foto de Nicolás Maduro após ser detido no âmbito de uma operação militar dos Estados Unidos, neste sábado, ficará na memória de muitos.

O registro fotográfico veio a público poucas horas depois de tropas de elite dos EUA prenderem quem comandava o regime venezuelano desde 2013, em uma operação ordenada pelo próprio Donald Trump.

Foi o próprio Trump quem compartilhou a fotografia de Maduro na rede Truth Social, no momento em que a então vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, pedia uma prova de vida após a captura do mandatário e de sua esposa.

Até agora, sabe-se que Maduro e sua mulher, Cilia Flores, foram presos durante a madrugada no Forte Tiuna, no sudoeste de Caracas, e depois transportados de helicóptero até o navio de guerra Iwo Jima, para serem levados — via Cuba — a Nova York.

Ali, ambos enfrentarão a Justiça norte-americana por acusações de conspiração para o narcoterrorismo, conspiração para introduzir cocaína nos EUA e outros crimes relacionados a armas.

Na BBC Mundo, especialistas em defesa e operações militares foram consultados sobre quais conclusões podem ser tiradas dessa primeira imagem, na qual Maduro aparece vestindo roupas esportivas, com as mãos aparentemente algemadas e com sentidos como a visão e a audição bloqueados.

Técnicas comuns

Para Mark Cancian, coronel reformado do Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos e assessor sênior do Departamento de Defesa e Segurança do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), "o governo tratou essa detenção como uma questão de aplicação da lei, e não como uma operação militar, por isso Maduro foi tratado como um detido".

"Isso se reflete primeiro na retórica e também no tratamento: ele é capturado, transferido para centros de detenção, e se aplicam a ele todos os procedimentos que seriam aplicados a qualquer preso acusado de um crime", acrescenta.

Segundo especialistas, nesse contexto, é uma prática comum — particularmente nos Estados Unidos — que, em operações desse tipo, sejam bloqueados sentidos como a visão e a audição.

"Tratam-se de técnicas de detenção comuns em apreensões militares, que servem tanto para silenciar ou isolar o detido e impedir que ele se comunique com outros quanto para proteger a segurança da missão, evitando que o detido conheça os métodos, o pessoal, os locais e as capacidades empregadas durante a operação", afirma John Spencer, especialista norte-americano em operações militares e guerra urbana e presidente de Estudos de Guerra Urbana do Modern War Institute, em West Point.

Matthew Savill, diretor de Ciências Militares do Royal United Services Institute (RUSI) — o mais antigo centro de estudos de Defesa e Segurança do mundo e o principal do Reino Unido — concorda que esses protocolos respondem a motivos táticos.

"O mais provável é que isso seja feito para que ele esteja mais subjugado e tenha menos chances de escapar, além de dificultar que consiga identificar qualquer um dos integrantes da equipe da Força Delta envolvidos em sua captura", afirma.

Alguns analistas, no entanto, apontam que o uso de fones de ouvido no caso de Maduro pode se dever simplesmente ao deslocamento de helicóptero até o navio de guerra Iwo Jima, onde esse tipo de proteção é exigido por protocolo.

Outro elemento da imagem é a garrafa de água que Maduro segura entre as mãos.

"Eu considero isso uma medida habitual de saúde e segurança para detidos; eles precisam de água. Acho que é algo bastante padrão", diz Cancian.

Colete salva-vidas

Na imagem, também é possível ver Nicolás Maduro com um objeto ao redor do pescoço.

Segundo especialistas consultados pela BBC Mundo, trata-se de um colete salva-vidas inflável, como os usados normalmente em aeronaves e na Marinha como medida de segurança em caso de contato dos passageiros com a água.

O colete aparentemente conta com um sistema de inflagem manual e outro com cilindros de CO?, perceptíveis como pequenas esferas pretas ao redor do equipamento.

Além disso, alguns analistas destacam as etiquetas laranja e pretas visíveis atrás das mãos.

Esses itens seriam luzes químicas, que brilham no escuro e costumam ser colocadas nos passageiros quando há deslocamento noturno sobre o convés de voo, para facilitar sua identificação.

Desprevenido?

A imagem de Maduro também sugere o contexto em que ele foi detido.

A posição das mãos indica que ele aparentemente está algemado, e sua vestimenta — um conjunto esportivo — sugere que a operação pode tê-lo surpreendido durante a madrugada.

Isso coincide com a versão apresentada pelo presidente Donald Trump, que afirmou que tanto Maduro quanto sua esposa foram capturados enquanto tentavam se trancar em uma sala segura no Forte Tiuna.

"Ele estava tentando chegar a um lugar seguro, que não era seguro, porque teríamos explodido a porta em cerca de 47 segundos", disse Trump.

"Ele chegou até a porta. Não conseguiu fechá-la. Foi imobilizado tão rapidamente que nem chegou a entrar naquele cômodo", acrescentou.

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