Adaptado aos tempos atuais, com maior presença do futebol feminino e denúncias contra o racismo e a xenofobia, o Museu do Futebol de São Paulo reabre suas portas nesta sexta-feira (11) após mais de oito meses de reformas. 

Inaugurado em 2008 no estádio do Pacaembu, o Museu do Futebol apresenta o 'esporte bretão' como parte indissociável da identidade nacional brasileira desde sua chegada ao Brasil no final do século 19. 

Até seu fechamento para reforma em novembro de 2023, os quase 5 milhões de visitantes que passaram pelo museu só puderam conhecer a história e a evolução do futebol no Brasil através dos homens. 

As façanhas das inúmeras estrelas que o futebol brasileiro produziu ao longo de sua história, de Pelé e Garrincha a Ronaldinho e Neymar, não eram acompanhadas pela presença de compatriotas do porte de Marta, o que mudará com esta nova proposta. 

"Desde que foi inaugurado, o museu tinha uma lacuna, que era não contar a história do futebol feminino no Brasil", explicou à AFP a diretora técnica do museu e uma das curadoras, Marília Bonas.

"O que vemos hoje é uma renovação em que as mulheres estão igualmente representadas aos homens no Brasil. O futebol feminino foi proibido por 40 anos e isso ajuda a explicar por que aqui, no país do futebol, o futebol feminino não é tão valorizado quanto o masculino", acrescentou Bonas. 

Além disso, "a remodelação traz à tona o debate sobre o racismo, a xenofobia e outras questões de direitos humanos que estão muito presentes no futebol, não só no Brasil, mas em todo o mundo", destacou a curadora.

Para outro dos curadores, Leonel Kaz, "é um museu da história do Brasil contada por uma paixão, o futebol. É um museu de uma história antropológica, sociológica e etnográfica do povo brasileiro". 

Propriedade do governo do estado de São Paulo, o Museu do Futebol recebeu 15,8 milhões de reais para sua reforma.

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