Há 11 anos, o rompimento da Barragem do Fundão, em 5 de novembro de 2015, em Mariana, injetava 45 milhões de metros cúbicos de rejeitos de minério de ferro na Bacia Hidrográfica do Rio Doce, afetando cerca de 2,2 milhões de pessoas em 45 municípios e deixando 19 mortos. Mas nem todos foram afetados da mesma forma. Entre Mariana e o município de Rio Doce, a lama provocou destruição de estruturas e propriedades.
A energia da onda de rejeitos se dissipou no Lago de Candonga, produzindo, de Rio Doce em diante, efeitos na saturação da água por rejeitos, da calha e da ecologia. Na data em que se rememora aquela que se tornou conhecida como a pior tragédia socioambiental do país, a reportagem do Estado de Minas segmentou os impactos na bacia, tendo como base 10 mil depoimentos de atingidos, colhidos pela Fundação Getulio Vargas (FGV) em todos os territórios atingidos.
São narrativas que se somam às expectativas de atingidos ouvidos atualmente pela reportagem e que serão divididas em três edições, sendo esta primeira concentrada na área entre Mariana e Rio Doce, onde a lama provocou mortes, destruiu casas, estradas, pontes, propriedades e modos de vida.
“As vozes das vítimas ganharam espaço em um acervo histórico sem precedentes. O Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getulio Vargas (FGVces) lançou o Banco de Narrativas das Pessoas Atingidas pelo Rompimento da Barragem de Fundão, reunindo aproximadamente 10 mil fragmentos de depoimentos que documentam como a lama de rejeitos transformou irreversivelmente a vida na Bacia do Rio Doce”, informa a FGV.
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O acervo é resultado de mais de 250 interações realizadas por uma equipe de 20 pesquisadores, em 44 municípios. Durante oficinas, rodas de conversa e entrevistas, moradores relataram desde a perda de entes queridos até a destruição de modos de vida centenários ligados ao rio e ao mar, já que a onda de rejeitos chegou ao Atlântico, na costa do Espírito Santo.
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No aniversário da tragédia, nessa quinta-feira, ex-moradores voltaram ao distrito de Bento Rodrigues, devastado pela lama, para homenagear as vítimas da tragédia com balões, cruzes, procissão e protestos.
