Nove pessoas tiveram a prisão preventiva decretada pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) por suspeita de integrar associação criminosa especializada em aplicar golpes em idosos. A decisão foi tomada pela 2ª Vara das Garantias de Belo Horizonte. Os investigados haviam sido presos nessa quarta-feira (28/10). O grupo operava na capital mineira e em outras cidades da Região Metropolitana.
A decisão da Justiça também autorizou a realização de buscas em 14 endereços na capital mineira e na Grande Belo Horizonte (BH); o bloqueio judicial de até R$ 300 mil nas contas dos investigados – para garantir o ressarcimento às vítimas; e a apreensão de um veículo suspeito de ter sido adquirido com recursos dos crimes.
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Os investigados abriam empresas de fachada, que funcionam como falsas consultorias financeiras, com o intuito de dar aparência de legalidade e atrair vítimas – principalmente aposentados e pensionistas.
As informações coletadas pela polícia mostram que o esquema contava com uma estrutura bem definida, com a presença de pessoas que ficavam responsáveis por alugar os imóveis e outras para atender.
As apurações mostram que o primeiro contato dos criminosos com as vítimas era feito por telefone. Os suspeitos prometiam aos idosos o cancelamento de descontos indevidos em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Os beneficiários eram atraídos até os escritórios de fachada do grupo, local em que forneciam dados bancários e faziam o reconhecimento facial. Com o acesso às contas, os investigados contratavam empréstimos consignados de alto valor e transferiam o dinheiro para contas do grupo ou de terceiros.
As informações do inquérito apontam que, para dificultar o trabalho investigativo, o grupo mudava constantemente de endereço e trocava os nomes das falsas empresas. Desde 2025, os criminosos teriam feito ao menos 21 vítimas e causado o prejuízo de mais de R$ 300 mil.
O caso segue em investigação e o processo tramita em segredo de Justiça.
Seis mulheres e três homens presos
A investigação começou em janeiro de 2025, quando uma das vítimas procurou a 3ª Delegacia de Polícia Civil Centro, na capital mineira, para denunciar o golpe. A partir desse primeiro relato, outros idosos e aposentados foram ouvidos, o que permitiu a identificação de semelhanças entre os casos.
Nessa quarta, foram cumpridos nove mandados de prisão preventiva e 13 mandados de busca e apreensão em Belo Horizonte, Santa Luzia e Vespasiano, cidades da Região Metropolitana.
Entre os presos estão seis mulheres e três homens, com idades entre 20 e 50 anos. Segundo o delegado, uma mulher é apontada como possível líder do grupo. A participação dos demais suspeitos também é investigada.
Durante as buscas, os investigadores apreenderam aparelhos celulares que serão periciados. A análise dos dispositivos pode ajudar a esclarecer se há outros envolvidos no esquema e identificar novas vítimas.
Justiça bloqueia R$ 300 mil
O prejuízo apurado chega a pelo menos R$ 300 mil em transferências bancárias, sem considerar saques em dinheiro. "O dinheiro era enviado tanto para contas de terceiros quanto para contas de integrantes do próprio grupo", afirmou o delegado titular da unidade, Carlos Eduardo Vieira Nunes, em coletiva nessa quarta. A Justiça determinou que esse valor fosse bloqueado.
Após os procedimentos na delegacia, os homens serão encaminhados ao Centro de Remanejamento do Sistema Prisional (Ceresp) Gameleira, em Belo Horizonte, já as mulheres para à unidade de remanejamento feminino em Vespasiano.
Como buscar ajuda
Pessoas que suspeitam ter sido vítimas de golpes semelhantes devem ir à delegacia. "Não tenha vergonha. Todo mundo está sujeito a sofrer um golpe. Procure uma unidade policial, principalmente a 3ª Delegacia de Polícia Civil Centro, na Rua dos Guajajaras, número 1353, no Barro Preto. Aqui nós sabemos de todo a maneira de agir deles. Nós sabemos quem são os autores, como funciona o grupo criminoso."
O delegado orienta aposentados e pensionistas a desconfiarem de contatos de terceiros que prometam revisar contratos, reduzir descontos ou devolver dinheiro relacionado a benefícios previdenciários.
Em caso de dúvidas sobre questões financeiras, procure os meios oficiais.
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*Estagiário, com informações de Larissa Leone e Wellington Barbosa
