A promessa de reduzir descontos previdenciários e recuperar dinheiro levou 21 idosos e aposentados a cair em um golpe que causou prejuízo de pelo menos R$ 300 mil em transferências bancárias. Após mais de um ano de investigação, nove suspeitos de integrar o esquema de fraude foram presos nesta quarta-feira (28/10), durante a Operação Consignatus, realizada em Belo Horizonte, Santa Luzia e Vespasiano, na Região Metropolitana.
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A investigação começou em janeiro de 2025, quando uma das vítimas procurou a 3ª Delegacia de Polícia Civil Centro, na capital mineira, para denunciar o golpe. A partir desse primeiro relato, outras pessoas foram ouvidas e os investigadores identificaram semelhanças entre os casos. Segundo o delegado Carlos Eduardo Vieira Nunes, titular da unidade, os depoimentos indicaram que as fraudes eram praticadas pelo mesmo grupo.
Como as vítimas eram enganadas
De acordo com as investigações, os suspeitos tinham acesso prévio a informações sobre descontos nos benefícios previdenciários das vítimas. Com esses dados, entravam em contato com idosos e aposentados e afirmavam que havia contratos em vigor que poderiam ser revisados para reduzir os valores cobrados ou até garantir a devolução integral do dinheiro.
Os investigados se apresentavam como especialistas em consultoria financeira e diziam ter estrutura para solicitar a revisão ou o cancelamento dos descontos. As vítimas eram orientadas a comparecer pessoalmente a um escritório, onde os suspeitos ofereciam os supostos serviços.
O grupo tinha uma divisão de tarefas. Enquanto alguns integrantes faziam ligações e enviavam mensagens, outros recebiam as vítimas, preparavam contratos e realizavam operações financeiras, incluindo saques e transferências bancárias.
Seis mulheres e três homens presos
A Operação Consignatus foi realizada nesta quarta-feira (28/10), com o cumprimento de nove mandados de prisão preventiva e 13 mandados de busca e apreensão em Belo Horizonte, Santa Luzia e Vespasiano.
Entre os nove presos estão seis mulheres e três homens, com idades entre 20 e 50 anos. Segundo o delegado, uma mulher é apontada como possível líder do grupo. A participação dos demais suspeitos também é investigada.
Durante as buscas, os policiais apreenderam aparelhos celulares que serão encaminhados para perícia. O resultado da análise dos celulares deverá indicar se o grupo se limitava aos investigados presos ou se havia outros envolvidos, e identificar novas vítimas.
Justiça bloqueia R$ 300 mil
O prejuízo apurado chega a pelo menos R$ 300 mil em transferências bancárias, sem considerar saques em dinheiro. De acordo com o delegado, os recursos eram enviados tanto para contas de terceiros quanto para contas de integrantes do próprio grupo.
A Justiça determinou o bloqueio de R$ 300 mil, valor correspondente ao prejuízo identificado até agora. A medida, no entanto, não significa que o dinheiro já tenha sido recuperado ou devolvido às vítimas. Segundo o delegado, as vítimas poderão ser ressarcidas a depender do andamento do processo e das decisões judiciais.
Os investigados poderão responder por organização criminosa ou associação criminosa e estelionato eletrônico, com aumento de pena em razão da idade das vítimas, conforme informou o delegado.
Após os procedimentos na delegacia, os homens serão encaminhados ao Centro de Remanejamento do Sistema Prisional (Ceresp) Gameleira, em Belo Horizonte, já as mulheres para à unidade de remanejamento feminino em Vespasiano.
Como evitar novas fraudes
Pessoas que suspeitam ter sido vítimas de golpes semelhantes devem procurar uma unidade policial, especialmente a 3ª Delegacia de Polícia Civil Centro, na Rua dos Guajajaras, 1353, no Barro Preto.
O delegado orienta aposentados e pensionistas a desconfiar de contatos de terceiros que prometam revisar contratos, reduzir descontos ou devolver dinheiro relacionado a benefícios previdenciários. Em caso de dúvidas sobre empréstimos ou cobranças bancárias, a recomendação é procurar diretamente a instituição financeira. Para questões relacionadas a benefícios previdenciários, o atendimento deve ser feito pelos canais oficiais do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
O delegado também reforçou que as vítimas não devem ter vergonha de denunciar, mesmo que tenham acreditado nas promessas dos suspeitos. “Não tenha vergonha. Sofrer golpe, todo mundo está aí à mercê disso”, afirmou.
Ele recomendou que aposentados e pensionistas evitem resolver questões financeiras por meio de contatos não oficiais. “Nunca acreditem em terceiros. Se você tem um empréstimo feito junto ao banco, procure seu gerente. Ou se fez um empréstimo junto ao INSS, procure os canais oficiais do INSS. Nunca através de telefone, mensagem, através de terceiros. Quando a esmola é demais, o santo desconfia”, orientou.
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*Estagiária sob supervisão
