O temporal que atingiu Minas Gerais neste domingo (25/10) – considerado pela Companhhia Energética do estado (Cemig) como o de maior impacto em seus 74 anos de história – não afetou somente a distribuição de energia, mas também em projetos sociais e de proteção animal, como Refúgio Bem Viver, uma organização sem fins lucrativos no Bairro Charneca, em Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, que abriga mais de 80 animais silvestres vítimas de maus-tratos e desenvolve um projeto de conservação com onças-pintadas.
Comandado pelo médico-veterinário Felipe Coutinho, o refúgio está há mais de 24 horas sem energia elétrica e pode perder mais de uma tonelada de carne, que estava armazenada em três freezers cheios de alimentos recém-chegados para os animais. Segundo Felipe, o estoque é composto por doações, por isso, os prejuízos são incalculáveis e colocam em risco o funcionamento do local.
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A preocupação com os animais
Em depoimentos enviados à reportagem, Felipe Coutinho relatou a angústia diante da falta de posicionamento da Cemig: "Estamos há mais de 24 horas sem luz. Esse problema é recorrente aqui na região, mas dessa vez nem previsão estão dando. A gente tem três freezers lotados que enchemos na semana passada. Já está começando a descongelar e a gente vai perder essa carne. Mais de uma tonelada de carne de doação que não tem nota fiscal, então você imagina só o tamanho do problema para a gente, que trabalha com recurso praticamente próprio", desabafou o veterinário.
Segundo o responsável, a Cemig foi procurada por telefone e não respondeu com prazos de retorno. Os moradores do bairro relatam que as equipes sequer chegaram ao ponto de rompimento dos cabos na região.
A revolta também se estende em relação à falta de manutenções preventivas na região. De acordo com Felipe, a rede local é frágil e alvo de quedas constantes de energia.
O impacto do temporal em MG
A situação vivida pelo Refúgio Bem Viver reflete o estrago provocado pelo temporal que desabou sobre o estado no domingo. A Cemig foi procurada pela reportagem sobre o caso e divulgou os dados sobre o impacto das tempestades.
De acordo com a fornecedora, cerca de 640 mil clientes foram inicialmente afetados pela falta de energia em todo o estado.
A tempestade foi acompanhada por rajadas de vento que chegaram a 150 km/h em Patos de Minas, 105 km/h em Lavras e 90 km/h em Belo Horizonte. A empresa também divulgou que caíram cerca de 60 mil raios, um volume seis vezes maior que o esperado.
A companhia informou a ampliação da mobilização para 4.600 profissionais até a tarde desta segunda-feira (26/10) para atuar de forma ininterrupta. Cerca de 410 mil clientes já tiveram o serviço restabelecido, restando aproximadamente 200 mil ainda sem luz.
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*Estagiário sob supervisão da subeditora Regina Werneck
