O Sindicato dos Professores de Minas Gerais (Sinpro Minas) divulgou uma nota de repúdio ao Colégio Santa Dorotéia, em Belo Horizonte, após a morte da professora Michelle Elizabeth Sabarense Rabelo Amorim, na segunda-feira (19/10). A entidade critica a decisão de manter as aulas depois do falecimento da docente. Em resposta, a escola afirma que a medida considerou as necessidades das famílias e não representa falta de respeito à professora.
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Segundo a nota do sindicato, Michelle morreu a caminho do hospital, após passar mal nas dependências do colégio. A entidade questionou a decisão de manter a rotina escolar após o ocorrido.
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Em entrevista, a presidente do Sinpro Minas, Valéria Morato, que está há dez anos à frente da entidade, afirmou que "a nota de repúdio foi motivada por abordagens e denúncias de professores que se sentiram ultrajados com a forma como a escola agiu diante da morte da colega". Para ela, denunciar a postura da instituição faz parte do papel do sindicato.
Valéria disse que, de acordo com relatos de professores, os colegas de Michelle fizeram um rodízio para participar da despedida no velório, mas precisaram retornar à escola para assumir as salas de aula, mesmo abalados com a morte da professora. A presidente afirmou ainda que o sindicato pretende prestar homenagens a Michelle conforme o desejo da família.
A Diretora da Escola, Zuleica Ávila, disse em comentário na publicação do Sinrpo que "Não aceitamos que a história do Colégio Santa Dorotéia seja reduzida a uma narrativa que coloca em dúvida nossa humanidade, nossa ética e nosso compromisso educativo".
Procurada, a Diretora não respondeu às perguntas sobre se a escola manteve as aulas e se liberou os professores para o velório. A coordenação de comunicação do Colégio Santa Dorotéia confirmou que as atividades escolares foram mantidas na segunda-feira (19/10), dia da morte da professora, e na terça-feira (20/10), data do velório de Michelle. A instituição informou que Michelle lecionava a disciplina de Formação Humana e Cristã desde 2016 e também atuava como assessora de Pastoral junto aos grupos de juventude.
O colégio se manifestou por meio de uma nota, onde contestou as críticas do sindicato e afirmou que o episódio foi transformado em uma condenação pública baseada em informações que considera distorcidas e inverídicas. A instituição argumentou que a decisão levou em conta a realidade de mais de 3.200 estudantes e de famílias que dependem do funcionamento da escola para organizar a rotina e deixar os filhos em segurança.
A diretoria também afirmou que manter as aulas não significa indiferença à morte da professora e que uma decisão administrativa não é, por si só, prova de desrespeito à dignidade humana. A escola criticou o que classificou como uma tentativa de desqualificar suas práticas e provocar revolta pública.
Ao final da nota, o colégio manifestou solidariedade à família, aos estudantes, aos amigos e aos colegas de Michelle e afirmou que a comunidade escolar está de luto. O Sinpro Minas, por sua vez, defende o respeito à memória da professora e à dignidade dos trabalhadores da educação.
Abaixo as publicações do Sinpro e do Colégio:
Em ambas as publicações, professores e colegas de Michelle comentam, questionando e condenando a atitude de manter as aulas após a morte da professora. Além deles, alguns pais e alunos endossam a indignação com relação a atitude. Uma das alunas ressalta em comentário da publicação do Sinpro "Obrigada por falar o que nós, alunos, sentimos hoje!" e afirma que ter aula normal foi um desrespeito com os alunos e falta de noção da escola.
Ao mesmo tempo, alguns pais comentam apoiando e entendendo a posição da escola, afirmando que "o que estão dizendo não aconteceu, a escola foi e sempre é muito humana".
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*Estagiária sob supervisão do editor-executivo João Renato Faria
