O Estado de Minas (EM) é finalista da 33ª edição do Prêmio CNT de Jornalismo, na categoria "Texto", uma das principais premiações da imprensa brasileira, segundo anunciou nessa quinta-feira (8/10) a Confederação Nacional do Transporte (CNT). A série produzida pela reportagem foi "Cargas de Risco", publicada em 7 de dezembro de 2025.
Ao todo são 35 trabalhos finalistas em sete categorias, além do Grande Prêmio CNT que elege o melhor de todos. O EM é o único veículo mineiro a vencer o Grande Prêmio CNT, em 2023, também na categoria texto.
Leia Mais
O texto da série especial "Cargas de Risco" é assinado pelos repórteres Mateus Parreiras e Luiz Ribeiro, e examina a precariedade, os perigos humanos, a violência criminosa e o impacto logístico-econômico no modal que transporta cerca de 65% das riquezas do Brasil.
A reportagem contou com fotografias de Mateus Parreiras, Luiz Ribeiro, Edésio Ferreira e Leandro Couri, além da produção de vídeos editados pelo núcleo multimídia do EM e registros em vídeo de Mateus Parreiras e Luiz Ribeiro.
A apuração partiu do processamento de bancos de dados massivos de ocorrências de sinistros, crimes, atendimentos e ações nas rodovias federais e estaduais, contrapondo estatísticas a vistorias de campo e relatos em primeira pessoa.
Foram consultadas 16 fontes entre especialistas de trânsito, psicólogos, policiais, analistas de tráfego, gestores, operadores do mercado, entidades, consultorias, concessionárias, autarquias e instituições. Pelo menos vinte pessoas trouxeram seus relatos a partir de experiências nas estradas, em postos de abastecimento, galpões de logística e onde esses caminhos se cruzaram.
Foi realizado um relacionamento pioneiro de microdados brutos da Polícia Rodoviária Federal - mais de 258 mil ocorrências e registros de vítimas - com estatísticas estaduais da Sejusp-MG e diagnósticos da CNT e consultorias de risco.
A equipe percorreu os pontos mais perigosos e conflagrados das rodovias - como Montes Claros, Francisco Sá, Grão Mogol, Brumadinho, Itatiaiuçu, Nova Lima, Betim e Contagem - para constatar as deformidades da pista e ouvir os trabalhadores do volante.
A produção não se limitou a expor números. Também detalhou os modos de atuação dos crimes (estruturas de quadrilhas) e elaborou guias de risco versus prevenção para condutores, concessionárias e autoridades públicas.
Os dados tratados revelaram que, embora os veículos de carga participem de cerca de 20% do total de sinistros registrados nas rodovias federais (52.446 de 258.741 ocorrências), eles estão presentes em quase metade das fatalidades (44% das mortes, somando 9.631 óbitos de 21.701 totais).
Uma tragédia com forte componente mineiro, já que Minas Gerais é o estado que lidera com folga em mortes por sinistros com carretas e caminhões (1.489 óbitos, cerca de 15,5% do total nacional) e em fatalidades dos próprios motoristas e ocupantes das cabines (444 mortos - 21,5% do país).
Risco de morte também pelo crime, mais uma vez com destaque em Minas Gerais. O estado lidera o ranking de roubos de cargas (1.749 casos, 38% nacional), furtos (3.539 casos) e roubos de veículos pesados (671 casos, 29,7%).
Em retas e pistas duplas, como no trecho paulista da BR-116 ou BR-101/SC, o excesso de confiança e a fadiga provocam reações tardias ou ausência de reação, resultando em colisões traseiras severas.
Nos trechos rurais montanhosos e de pistas simples (como a BR-251 e segmentos da BR-381), a velocidade incompatível e as curvas acentuadas provocam perda de controle, saídas de pista, colisões frontais e tombamentos. Cerca de 41% dos sinistros e 44% das fatalidades com carga decorrem de infrações diretas de trânsito.
Quais os crimes contra cargas nas rodovias?
O roubo de cargas gera prejuízo bilionário e atua de maneira estruturada: uso de informantes internos nas empresas, bloqueadores de sinal ("capetinhas" ou "chupa-cabras") para neutralizar o GPS, monitoramento com drones, batedores e transbordo rápido em galpões provisórios ("golpe da arara") ou armação contra seguradoras.
Rodovias cruciais como a BR-251 (no Norte de Minas) e a BR-381 (Fernão Dias e trecho de Ravena) operam saturadas, com traçados antigos e pavimento degradado, onde o risco de acidentes é imediatamente seguido pelo perigo de saques da carga e emboscadas criminosas.
Para chegar a esse resultado, as reportagens e fotografias inscritas foram validadas pela Comissão Organizadora e avaliadas por um grupo fixo de pré-selecionadores, formado por cinco jornalistas com atuação acadêmica.
Essa avaliação seguiu os seguintes critérios: relevância para o setor de transporte, para o transportador e para a sociedade; qualidade editorial; criatividade/originalidade; e atualidade dos temas.
Os vencedores serão conhecidos em novembro. Com o tema “Sempre em movimento”, a 33ª edição do Prêmio reconhece trabalhos jornalísticos que contribuem para ampliar o debate sobre o transporte e sua importância para o desenvolvimento econômico e social do Brasil. No total, mais de 500 trabalhos jornalísticos foram inscritos.
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
Agora, os trabalhos finalistas serão avaliados pela Comissão Julgadora do Prêmio CNT de Jornalismo 2026, formada por cinco profissionais com experiência em jornalismo e transporte: Cynthia Castro (editora de política de O Tempo); Luiz Megale (âncora da BandNews FM); Edilene Lopes (repórter e colunista da Rádio Itatiaia); Ana Carolina Moreno (presidente da Abraji – Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo); e Patricia Pacheco Bertozzi, especialista em transporte.
