Nossa História, Nosso Patrimônio

Uma voz pelos direitos femininos

Há 120 anos, nascia em Barão de Cocais Elvira Komel, mineira que lutou pelo voto das mulheres. Primeira advogada a atuar no fórum de Belo Horizonte, ela deixou um legado a ser reverenciado pelos brasileiros

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Seria muito pouco dizer que Elvira Komel (1906-1932) foi uma mulher à frente do seu tempo. Na verdade, ela “viveu” seu tempo em plenitude, com participação social, política e de luta pelos direitos femininos, deixando um legado valioso, embora ainda desconhecido por muitos brasileiros. A poucos dias do segundo turno da eleição presidencial, e em homenagem aos 120 anos de nascimento da mineira de Barão de Cocais, vamos contar um pouco da história dessa primeira advogada a atuar no fórum de Belo Horizonte. E sua incansável cruzada pelo voto feminino.

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Elvira morreu jovem, com apenas 26 anos, mas fez muito: defendeu os menos favorecidos, organizou congresso para discutir a situação feminina, deu apoio a Getúlio Vargas (1882-1954) na Revolução de 1930 e até lançou moda na capital usando culotes, as calças compridas da época.


Além de tudo, tornou-se pioneira em Minas no direito ao voto: “Era uma pessoa de vanguarda, uma cidadã que não queria ficar à frente dos homens, e sim lutar ao lado deles para o crescimento do país”, diz uma de suas maiores admiradoras, a professora, pesquisadora e artista plástica Maria Consoladora de Paiva Fam.


Elvira era primogênita de uma família com seis filhos – o pai, o austríaco José Ernesto Komel, técnico em instalação de usinas hidrelétricas, chegou ao país no início do século 20 e se estabeleceu em Barão de Cocais, antiga São João do Morro Grande onde se casou com Marieta, de 13. Com a chance de trabalho oferecida em Abre Campo, pelo coronel Olinto Ferreira de Paiva o casal se transferiu para aquela cidade da Zona da Mata, ficando por lá até 1927. Aproveitando as oportunidades, a menina estudou em Viçosa e depois seguiu para o Rio de Janeiro, fazendo vestibular na Faculdade de Direito. Enquanto estava na então capital federal, Elvira prestava serviço como datilógrafa voluntária no Instituto Nacional de Surdos-Mudos.

Formada, a jovem advogada veio para Belo Horizonte, onde seus pais estavam morando e se manteve engajada em movimentos urbanos que reagiam às oligarquias rurais e reivindicavam maior representação social. Estudiosa da trajetória da advogada mineira, Maria Paiva conta que, conforme relatos da época, ela tinha firmeza nos júris fazia, nos júris. “Enfrentou, por exemplo, o iniciante promotor de Justiça Afonso Arinos de Mello Franco (1905-1990)”. Com determinação, acrescenta a pesquisadora, Elvira foi a primeira mineira a ter direito a voto em eleições, num tempo em que esse ato era vedado às brasileiras – a autorização só veio com a Constituição de 1934.


Retratos de acervo familiar mostram Elvira, no Rio, sentada ao lado da primeira-dama Darcy Vargas (1895-1968), após a criação do Batalhão Feminino João Pessoa, nome em homenagem ao candidato a vice de Getúlio para presidente do Brasil, pela Aliança Liberal, assassinado em 26 de julho de 1930, na Paraíba. Ao lado das duas, se vê um grupo de moças fardadas. Em outra fotografia, desta vez em BH, costureiras posam ao lado da “comandante” que chefiava as mulheres em atividades de apoio logístico aos getulistas. Encerrada essa página da história, o batalhão se transformou em associação feminina.


Outro destaque foi o 1º Congresso Feminino Mineiro, realizado de 21 a 26 de junho de 1931 para debater temas de importância, como independência financeira, melhoria das condições de trabalho e criação de creches. “O objetivo primordial do encontro era integrar a mulher à vida sociopolítica do país, sem rupturas drásticas, apenas agregando valores. O interesse de Elvira era promover os direitos políticos e sociais das mulheres e que alguns deles fossem incluídos na Constituição Brasileira”, informa Maria Paiva.

HOMENAGEM NA TERRA NATAL

Até hoje não se sabe exatamente do que a advogada morreu, em 26 de julho de 1932. O certo é que teria sido acometida de forte dor de cabeça diagnosticada como meningite. Quem visitar Barão de Cocais, terra natal da advogada, poderá ver uma estátua dela na Praça Delfina Ângelo, mais conhecida por Praça da Lagoa.

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SÃO JOÃO DEL-REI REABRE AS PORTAS...

Foi reaberto, no sábado, em São João del-Rei, o Museu Municipal Tomé Portes del-Rei, instalado na Casa do Barão, no Centro Histórico. Após amplo processo de revitalização e preservação, o espaço volta à cena cultural como um dos principais equipamentos de memória do município. Entre os serviços executados, estão requalificação expográfica, modernização das instalações e reforma completa das dependências, com boas novidades no restauro do acervo, incluindo quadros de Dom Pedro I e Dom Pedro II e uma liteira. Investimentos de cerca de R$ 1 milhão, com recursos do Fundo Municipal do Patrimônio Cultural (Fumpac), emendas parlamentares, Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio e iniciativa privada. Realização da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo e do Instituto Histórico e Geográfico, que atuaram de forma conjunta em todas as etapas do projeto.

...DE MUSEU COM 11 SALAS TEMÁTICAS

Com 11 salas temáticas, o Museu Municipal Tomé Portes del-Rei ocupa um sobrado do século 19 e oferece um passeio pela história e pelo patrimônio de São João del-Rei. O visitante vai percorrer as salas Religiosidade, Ciclo do Ouro e Império do Brasil, João Cândido, Serra do Lenheiro e Patrimônio Natural, Arqueológico e Etnográfico, Música, Patrimônio Imaterial e Festividades Populares, Pinacoteca, Galeria da Imagem e do Som, Liberdade, Imersiva e Ofícios. Conforme nota da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, a reabertura entrega ao público um equipamento cultural renovado, com destaque para cenografia e expografia. E mais: o espaço conta com recursos de acessibilidade, a exemplo de Libras, e virtualização inclusive em outras línguas, ampliando o acesso ao acervo dentro e fora da cidade. Horário de funcionamento do Museu: Das 8h às 17h, todos os dias, exceto às terças feiras. Ingressos custam R$ 10 e R$ 5 (meia entrada). Valores serão revertidos para a manutenção do Museu. São-joanenses não pagam entrada

Gostei do que vi

Tradições centenárias se uniram à devoção popular na 117ª Festa de Nossa Senhora do Rosário, no Quilombo de Pinhões, em Santa Luzia. Na Paróquia Bom Jesus e Nossa Senhora Aparecida, moradores e visitantes participaram de missa, procissão, cortejo e bênçãos. A festa começou com o “café de acolhida” ao Congado Nossa Senhora do Rosário, na residência da “rainha” Maria Antônia Diniz dos Santos. Em seguida, ela saiu em cortejo para se encontrar com “rei” Eudes Diniz Santos, seu filho, e todos seguiram em direção à Igreja Nossa Senhora do Rosário, onde houve missa celebrada pelo padre Onofre Júnior. Presente também a rainha perpétua, Maria Geralda Gonzaga Carvalho. No ano que vem, a comunidade vai celebrar 10 anos do reconhecimento como quilombo pela Fundação Cultural Palmares, vinculada ao Ministério da Cultura.

CHAFARIZ DO KAQUENDE

Um dos mais importantes símbolos do patrimônio cultural de Sabará, o Chafariz do Kaquende, no Centro Histórico, passará por obras de restauração. Segundo a prefeitura local, a bica do monumento ficará fechada até o próximo dia 30 para os necessários reparos. A intervenção foi aprovada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e contribui, segundo as autoridades municipais, para a preservação e conservação desse importante bem cultural da tricentenária cidade.

MEMORIAL DA MÚSICA

Diamantina terá o Memorial da Música, iniciativa que reúne a prefeitura local e o Festival de História (fHist), com o objetivo de narrar a trajetória musical na cidade desde o século 18 e articular conexões com a história da música brasileira. A estrutura física do novo equipamento inclui sala de projeções e palco para apresentações, núcleos de acervo documental e educativo e exposição permanente, mostras temporárias e terminais interativos. Tudo isso será num casarão do Centro Histórico, podendo ser o prédio da Intendência dos Diamantes e o Hotel Roberto, ambos em restauração, pelo Iphan, com recursos do PAC 2, e o Escola de Música, já restaurado.

NOVO BISPO

O papa Leão XIV nomeou dom Francisco Cota de Oliveira para ser o bispo da Diocese Itabira-Coronel Fabriciano – até então, ele estava à frente da Diocese de Sete Lagoas. Com 57 anos e natural de Onça do Pitangui, dom Francisco estudou filosofia na PUC Minas, em Belo Horizonte, e teologia no Instituto dom João Rezende Costa, da Arquidiocese de BH. No âmbito da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, integra a Comissão Especial para a Ecologia Integral e Mineração.

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