A imagem de Aparecida pioneira das Gerais
Estiva, no Sul de Minas, guarda a primeira imagem de Nossa Senhora Aparecida entronizada no estado. Peça sacra chegou no século 19 e fica na igreja dedicada à padroeira do Brasil
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No dia dedicado a Nossa Senhora Aparecida, contamos a história da mais antiga imagem entronizada em Minas da padroeira do Brasil. Estiva, no Sul do estado, expoente do Caminho da Fé, guarda na sua igreja matriz a peça sacra que deu nome à paróquia, localizada no Centro da cidade e destino, neste 12 de outubro, de milhares de participantes de missas, procissão e outras cerimônias religiosas.
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A história começa em 1810, quando havia poucas casas na região da qual originou Estiva, município às margens da rodovia Fernão Dias, perto da divisa com São Paulo. Ao antigo lugar, chegou para residir a viúva Rosa Maria Lopes, mulher de muitas posses e grande religiosidade, conforme explica o pesquisador e escritor Jean Carlos de Andrade: “Era também uma senhora caridosa, sempre pronta para oferecer, gratuitamente, comida e hospedagem a quem chegava”.
Em 1835 ou 1836, não se sabe exatamente o ano, passaram pela região algumas pessoas em romaria e, agradecidas pela acolhida, presentearam Rosa Maria com uma imagem de Nossa Senhora Aparecida”, afirma Jean Carlos. A capelinha existente no local, erguida em 1843, foi demolida para dar lugar a outro templo, em 1925. Esse, por sua vez, também saiu de cena na década de 1990 para construção da atual igreja matriz. A Paróquia Nossa Senhora Aparecida de Estiva está vinculada à Arquidiocese de Pouso Alegre, e a imagem tem tombamento municipal.
Responsável pela Biblioteca Municipal José Xavier da Costa e pelo Museu Municipal de Estiva, Jean Carlos diz que a história da imagem local de Nossa Senhora Aparecida se encontra embasada em documentos e consta do Inventário de Proteção do Patrimônio Cultural, aos cuidados da Secretaria Municipal de Cultura.
PROCLAMAÇÃO
Para entender melhor essa história, é preciso voltar no tempo, mais exatamente a 1717, quando três pescadores encontraram uma imagem de Nossa Senhora da Conceição, no Rio Paraíba do Sul, em São Paulo. Na fé e na boca do povo, passou a ser chamada Nossa Senhora da Conceição Aparecida e daí Nossa Senhora Aparecida.
Com o tempo, a pequena imagem, presente hoje no Santuário Nacional de Aparecida (SP), se tornou um símbolo da devoção no Brasil. Em 1929, durante o Congresso Mariano, em Aparecida, celebrando o 25º ano do aniversário de coroação da imagem da “Mãe Aparecida”, os bispos brasileiros pediram à Santa Sé para Ela ser oficialmente reconhecida como Padroeira do Brasil.
A solicitação do clero foi encaminhada pelo arcebispo do Rio de Janeiro, cardeal Sebastião Leme, e acolhida pelo Papa Pio XI, que assinou o decreto em 16 de julho de 1930. No ano seguinte, em 31 de maio de 1931, houve a proclamação solene no Rio de Janeiro, então capital federal, com a participação de cerca de 1 milhão de pessoas.
NOVA EXPOSIÇÃO DESTACA POTENCIAL...
Novidade no Museu da Gruta do Maquiné, em Cordisburgo: está aberta uma exposição que conta, desde os primórdios, a história desse espetacular patrimônio cultural e científico de Minas. De forma interativa, os visitantes podem ouvir depoimentos de pessoas importantes, ao longo de décadas, nessa trajetória, conhecer a linha do tempo, assistir a um cineminha sobre o dinamarquês Dr. Lund (1801-1880), considerado o “pai da paleontologia brasileira”, e ainda tocar um pedaço de estalactite (formação existente que brota do alto de uma caverna em direção ao chão). Para a criança, há a brinquedoteca. A mostra tem à frente a empresa Urbanes Parques que, desde 2021, é responsável pela gestão da Gruta do Maquiné, atuando na conservação, manutenção e valorização do local.
...CIENTÍFICO E CULTURAL DO MAQUINÉ
O Museu da Gruta do Maquiné vai além de espaço complementar à visita à caverna: é também ambiente de memória, educação, ciência e cultura. Na exposição em cartaz, as formações encontradas no interior da gruta maravilham os visitantes pela harmonia com aspectos relacionados a descobertas, história e relevância científica do patrimônio. Projeto realizado pela Urbanes Parques, via Lei Rouanet, com patrocínio da Ecovias Norte Minas e apoio do Instituto Estadual de Florestas (IEF). Visitação de terça-feira a domingo, das 8h às 17h. Ingresso: R$ 24.
QUE FIM LEVOU?
Já falamos muito aqui sobre o Museu do Ouro de Sabará e a possível transferência do acervo para o Solar do Padre Correia. Pois vamos às últimas. Segundo informações da prefeitura local, que é proprietária do solar e ofereceu o imóvel para receber o acervo do museu, “a transferência avançou e se encontra em andamento, estando o processo dividido em quatro etapas”. A primeira, considerada principal, foi submetida à plataforma Semente, do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), e contempla estudo de viabilidade e adequação do espaço para receber o acervo, transferência das peças, adequações de climatização, revisões elétricas e melhorias na iluminação para futura exposição. Também está previsto o desenvolvimento do projeto expográfico a ser executado na segunda etapa. Já houve reunião com o MPMG para apresentar o andamento do projeto e solicitar a liberação dos recursos necessários à execução da primeira etapa. Inaugurado há 70 anos e fechado há mais de três, o Museu do Ouro está vinculado ao Instituto Brasileiro dos Museus (Ibram)/Ministério da Cultura e tem parte da fachada lateral escorada.
CINEMA 1
A pedido do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), a Justiça determinou que a Prefeitura de Coromandel, na Região do Alto Paranaíba, adote medidas emergenciais para preservar e estabilizar o Cine União, bem cultural inventariado desde 2007. A decisão ocorre após o desabamento parcial do telhado do imóvel, o que agravou as condições estruturais da edificação e pôs em risco a segurança de pessoas que circulam nas proximidades. A decisão atende a uma ação civil pública com pedido de tutela de urgência ajuizada pela 2ª Promotoria de Justiça de Coromandel que apurou, via inquérito civil, a deterioração progressiva do cinema e a falta de medidas de conservação.
CINEMA 2
Inaugurado em 1957, o Cine União encerrou suas atividades em 1990 e, desde então, está fechado e sem uso, sofrendo deterioração devido à falta de manutenção e em consequência de infiltrações, ação do tempo e presença de pombos. Na ação, o MPMG ressalta que a importância do cinema vai além de suas características arquitetônicas: “A relevância cultural transcende a dimensão arquitetônica. Como espaço de sociabilidade, ele foi responsável pela formação cultural, política e afetiva de múltiplas gerações de coromandelenses, tanto da zona urbana quanto da zona rural, em período no qual a televisão ainda não havia alcançado a capilaridade nacional que viria a ter na década de 1970”. O prédio do cinema foi objeto de permuta recente e integra o patrimônio do município.
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CARTA DO PILAR
Para criar novo ciclo do turismo em Minas, foi lançada em Ouro Preto a Carta do Pilar, com 10 princípios para orientar o setor. No documento, são considerados os seguintes aspectos: patrimônio, cultura e singularidade dos territórios, participação das comunidades, geração e permanência de valor local, trabalho, paisagem e natureza, acessibilidade, conectividade, tecnologia, hospitalidade e qualidade da experiência turística. A iniciativa tem à frente a Secretaria de Estado de Cultura e Turismo, o Conselho Estadual de Turismo e representantes do setor turístico e da comunidade local. A Carta do Pilar está aberta à adesão de municípios, Instâncias de Governança Regional (IGRs), empresas, instituições, trabalhadores, universidades, comunidades, detentores de patrimônio e organizações da sociedade civil.