O templo da cultura mineira será revitalizado. O termo de compromisso para a restauração do Palácio das Artes, em Belo Horizonte, foi assinado na tarde de ontem, pelo procurador-geral de Justiça (PGJ), Paulo de Tarso Morais Filho, e pelo secretário de Estado de Cultura e Turismo (Secult-MG), Leônidas de Oliveira. O documento é referente à primeira etapa da obra, que contemplará o Grande Teatro e consumirá R$ 10 milhões, provenientes do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG).
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Os valores foram recuperados a partir da atuação do MPMG em casos de sonegação fiscal, ou ainda de compensações por crimes ambientais, e serão redirecionados por meio da Plataforma Semente, vinculada à própria entidade. “Quando você recupera um tributo que deveria ter sido recolhido para o Estado, a gente devolve pra sociedade através de obras como essa”, explica o PGJ. “Quando há degradação ambiental por qualquer agente, nós celebramos um acordo, e as multas são destinadas para essas finalidades.”
De acordo com a Secult-MG, as obras começarão no ano que vem, após a conclusão do processo licitatório para escolha da empresa que as executarão. Uma vez iniciados os trabalhos, a previsão é que eles durem de cinco a sete meses. Nessa fase, ocorrerá a troca das cadeiras e dos carpetes, o restauro dos pisos do palco e das plateias e a renovação de toda a infraestrutura elétrica, incluindo a fiação que passa por baixo do assoalho do Grande Teatro.
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A arquiteta-urbanista responsável pelo projeto, Du Leal, explica que o Palácio das Artes nunca havia passado por um processo de restauração, que visa preservar as características originais do imóvel: houve uma obra entre 1997 e 1998, após um incêndio que destruiu o Grande Teatro. “Esse trabalho começa com o diagnóstico, com estudo de patologias, com toda uma história, um levantamento histórico. A gente está aqui já há quase três anos com uma equipe grande de historiadores e arquitetos, analisando cômodo a cômodo”, pontua.
O equipamento é tombado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico (Iepha-MG) e também pelo Município de Belo Horizonte. A edificação, que foi projetada em 1942 por Oscar Niemeyer, mas entregue somente em 1970, após intervenções e ampliações Hélio Ferreira Pinto, integra o Conjunto Paisagístico do Parque Municipal Américo Renné Giannetti, popularmente conhecido como Parque Municipal.
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A arquiteta explica que as cores dos novos revestimentos do Grande Teatro, em tonalidades mais quentes – os carpetes do piso, por exemplo, serão vermelhos –, remetem aos materiais que compunham o espaço na década de 1970, quando da inauguração. As novas poltronas, feitas sob medida, empregam madeira, que fica exposta, por exemplo, nos apoios de braço e são mais robustas. De acordo com a profissional, as antigas, que tinham apenas um apoio central, revelaram problemas de durabilidade.
Por sua vez, o responsável pela Secult-MG destacou que o complexo cultural recebe, anualmente, cerca de 3 milhões de pessoas. “O Palácio das Artes, nos últimos anos, perdeu muito para outros lugares de Minas em qualidade; o som, a acústica, hoje, estão muito prejudicados. Então, nós vemos com muita alegria a revitalização dessa casa, que é o coração das artes em Minas Gerais”, avalia.
Grande Teatro
Com 1.707 lugares, o Grande Teatro Palácio das Artes é um dos maiores espaços de espetáculos do Brasil. O palco italiano tem 20 metros de profundidade e boca de cena de 18 metros de largura por sete metros de altura. O espaço conta ainda com fosso para orquestra, com capacidade para até 80 músicos, e elevadores que permitem diferentes configurações cênicas.
Demais dependências
A restauração do Grande Teatro é apenas a primeira fase das obras no Palácio das Artes. Nas próximas etapas, os demais espaços do complexo, que tem cerca de 18 mil m² de área construída e inclui duas galerias, duas salas de espetáculo, cinema, pátio ajardinado e os ambientes do Centro de Formação Artística e Tecnológica (Cefart), também serão contemplados. Nesse caso, porém, ainda não há previsão para o início das intervenções, nem para a captação dos recursos, que devem totalizar R$ 39 milhões.
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Morais Filho, inclusive, abre a possibilidade de novas participações do MPMG, por meio de futuras destinações do Projeto Semente. “Eu tenho plena convicção que, por se tratar de uma obra da magnitude que nós podemos conhecer aqui, novas possibilidades se abrirão para que todo o projeto seja contemplado”, diz.
Mesmo sem previsões, Du Leal já antecipou algumas características do projeto de restauração, com foco no Foyer do Grande Teatro. O espaço também receberá nova fiação, associada a iluminação por LED, energeticamente mais eficiente. Ali, serão expostas obras de arte do acervo da própria Fundação Clóvis Salgado, tornando-o uma espécie de galeria de arte, além de poltronas para os frequentadores.
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Porém, o destaque no projeto de restauração do Foyer será a ampliação da sacada externa, que deverá ocupar toda a fachada voltada para o Parque, permitindo maior integração com a área verde. Ela servirá tanto para acomodar mesas para a cafeteria, que serve lanches e bebidas nos intervalos dos espetáculos, quanto de cobertura para o acesso às salas Juvenal Dias e João Ceschiatti, localizadas no pavimento inferior.
