Nossa História, Nosso Patrimônio

Instituto Cultural Amílcar Martins completa 25 anos e lança "joia da coroa"

Referência internacional, instituto, com sede em BH, lança edição especial sobre coleção de obras do seu acervo bibliográfico para marcar data

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Nosso estado já conquistou belos títulos internacionais, e um deles, especificamente, enche de orgulho os apaixonados por livros, documentos, história. Há uma década, a Unesco reconhecia como Patrimônio Documental da Humanidade, no Programa Memória do Mundo, a Coleção de Obras Raras da Biblioteca Mineira do Instituto Cultural Amílcar Martins (Icam), com sede em BH. O programa destaca conjuntos documentais de excepcional valor histórico para a humanidade.

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Com mais de 15 mil títulos e um dos mais importantes conjuntos bibliográficos sobre nosso estado, o Icam celebra 25 anos de atuação. Para marcar as “bodas de prata” com a preservação da cultura, haverá solenidade hoje, às 19h, no auditório da Academia Mineira de Letras (Rua da Bahia, 1.466, Bairro de Lourdes, em BH). Da comemoração, faz parte o lançamento do livro “As joias da Coroa”. Guardião do acervo e à frente do Icam, o professor Amílcar Martins reafirma seu compromisso com a preservação de memória, pesquisa e produção cultural de Minas.


Ao longo de sua trajetória, o Icam consolidou a maior biblioteca especializada em história de Minas já catalogada. O acervo reúne entre 1,8 mil e 2 mil obras raras, muitas delas dos séculos 18 e 19, incluindo exemplares de valor bibliográfico, a exemplo da primeira edição de “Marília de Dirceu”, de Tomás Antônio Gonzaga, publicada em 1792, e uma primeira edição de “Grande Sertão: Veredas”, de Guimarães Rosa, com dedicatória autografada do escritor.


Além da biblioteca, o instituto desenvolve projetos permanentes de incentivo à pesquisa, promove seminários, exposições e cursos de conservação e restauro de livros e documentos. Realiza ainda ações de digitalização de acervos e publica obras relevantes sobre a história mineira. E mais: atua continuamente na preservação e divulgação de seu patrimônio bibliográfico, no fortalecimento das atividades de pesquisa e na ampliação do acesso da população a esse valioso patrimônio cultural. A biblioteca do Icam fica na Rua Ceará, 2037, Bairro Funcionários, Região Centro-Sul de BH, está aberta ao público de segunda a sexta-feira, das 9h às 18h.

LANÇAMENTO

A obra lançada hoje traz ao público a “joia da coroa” do acervo bibliográfico do Icam. Formada por 1.807 títulos de livros dos séculos 18, 19 e das primeiras décadas do século 20 sobre a história de Minas, contempla diferentes áreas do conhecimento. Primeiro acervo bibliográfico brasileiro agraciado com o título de Memória do Mundo, a coleção reúne livros, opúsculos, periódicos, mapas e manuscritos.


“As joias da Coroa”, informa o professor Amílcar, seleciona 20 livros para representar a riqueza e a diversidade da coleção do Icam, usando referências de importantes especialistas brasileiros e estrangeiros em bibliografia, história e bibliofilia, como Rubens Borba de Moraes, José Mindlin, José Honório Rodrigues, Hélio Gravatá e Pedro Corrêa do Lago. Entre os principais temas, está a influência da religião católica na vida dos mineiros durante o século 18, com destaque para obras relacionadas às grandes festas barrocas de Vila Rica e Mariana, como Triunfo Eucarístico e Áureo Trono Episcopal.


A coleção também preserva registros sobre a medicina praticada em Minas no período colonial, como o Erário Mineral, de Luís Gomes Ferreira, e obra sobre supostas curas da Lagoa Grande, atual Lagoa Santa. Outro conjunto fundamental trata da história política, incluindo Guerra dos Emboabas, Revolta de Vila Rica e Inconfidência Mineira. E ainda relatos de viajantes estrangeiros e a literatura colonial mineira, estando presentes obras dos poetas inconfidentes Cláudio Manuel da Costa, Alvarenga Peixoto, Tomás Antônio Gonzaga, além de Silva Alvarenga, Basílio da Gama e Santa Rita Durão.

“CUIDADORES DA MEMÓRIA” DESCOBREM...

O Instituto Histórico e Geográfico da Borda do Campo e Cercanias, com sede em Barbacena, desenvolve agora um trabalho exemplar e inovador. “Cuidadores da Memória”, esse é o nome da ação, está descobrindo histórias que ainda não chegaram aos arquivos oficiais e se encontram guardadas, com o maior cuidado, na casa de famílias, em comunidades e locais ainda distantes dos olhos do público. O valioso material inclui jornais, documentos, fotografias, partituras, livros raros, objetos e coleções particulares. “Nosso objetivo é mapear todos os tesouros preservados, durante décadas, por seus guardiões, pessoas que entenderam que não poderiam deixá-los perdidos ou simplesmente descartados”, informa Alex Guedes dos Anjos, vice-presidente do instituto e produtor-executivo do projeto. Entre os “cuidadores da memória”, está o pesquisador Robson José Moreira Abrantes (foto), residente em Alto Rio Doce. Em sua casa, ele transformou um espaço no Museu de Alto Rio Doce, como se tornou conhecida a coleção particular formada durante mais de quatro décadas.

...ARQUIVOS HISTÓRICOS PARTICULARES

A região histórica da Borda do Campo e Cercanias reúne, além de Barbacena, parte dos municípios de Antônio Carlos, Piranga, Rio Pomba, Alto Rio Doce e outros da Zona da Mata mineira. É nesse território que o “Cuidadores de Memória” atua para encontrar os guardiões e conhecer os arquivos guardados “com carinho e zelo”, diz Alex. Ao identificar e valorizar acervos históricos particulares na região, o Instituto Histórico e Geográfico da Borda do Campo e Cercanias quer unir duas pontas. “Vamos aproximar quem os preserva de pesquisadores, especialistas, profissionais que atuam nos setores de memória e patrimônio e demais interessados em contribuir com conhecimento, formação ou experiência para seus estudos, cuidado e valorização”, destaca Sérgio Ayres, presidente do instituto e coordenador-geral do projeto. No próximo semestre, haverá uma oficina para mostrar como preservar melhor os bens históricos. Para mais informações, enviar email para arquivosprivados@gmail.com ou mensagem no telefone com WhatsApp (032) 99866-2190.

GOSTEI DO QUE VI

À beira do Rio Taquaraçu, em Taquaraçu de Minas, um conjunto de esculturas chama a atenção de quem está a passeio pela turística região. Na Praça Largo do Rancho, se vê agora um tropeiro com seus animais, os quais carregam as bruacas, antigos baús usados para transportar mercadorias. A cena está eternizada por iniciativa da prefeitura local, via Secretaria Municipal de Cultura, e deverá ser inaugurada oficialmente até o fim do ano. Junto às esculturas, haverá uma placa mostrando a importância dos tropeiros na nossa história. Em pesquisa recente, o desembargador José Nepomuceno da Silva, natural do município distante 40 quilômetros da capital, explica que, no Largo do Rancho, os tropeiros vindos do Serro descansavam para, no dia seguinte, “rumarem para as cercanias daquela que viria a ser a capital do estado (Belo Horizonte)”. Naqueles tempos, a capital de Minas era Ouro Preto.

CONSERVAÇÃO PREVENTIVA 1

Será no próximo dia 30, em Santa Luzia, na Grande BH, o 1º Seminário de Treinamento de Conservação Preventiva: Zelo e Memória, promovido pelo Memorial da Arquidiocese de Belo Horizonte. Com duração de duas horas, está marcado para começar às 10h30, no Teatro Municipal Antônio Roberto de Almeida (foto), que fica na Rua Direita, 367, no Centro Histórico. Entrada gratuita, com emissão de certificado mediante preenchimento de formulário disponível em doc.google.com e no instagram: @memorialdaarquidiocesedebh e @arquidiocesedebelohorizonte

CONSERVAÇÃO PREVENTIVA 2

As próximas edições do 1º Seminário de Treinamento de Conservação Preventiva: Zelo e Memória serão em Caeté, Bonfim e Belo Horizonte, em datas a serem divulgadas. Sabará foi o primeiro município a sediar o encontro. Segundo a coordenadora do Memorial da Arquidiocese de Belo Horizonte, Amanda Vasconcelos Feltran, o objetivo é fortalecer a conscientização e o cuidado com patrimônio, incluindo-se as imaginárias e o conjunto arquitetônico.

MAGISCULTURA

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A Associação dos Magistrados Mineiros (Amagis) lança na quinta-feira (24/9), às 19h, em BH, o 34º número da revista MagisCultura, com artigos, contos, poemas e crônicas de juízes e desembargadores de Minas e convidados. Única no gênero no país, ela é editada ininterruptamente há 17 anos, com circulação semestral. Um dos destaques de agora está na apresentação e posse da Academia de Letras da Magistratura Mineira, que nasceu em agosto último inspirada nas sucessivas edições da revista. A presidente da Amagis, juíza Rosimere do Couto, afirma que a criação da Academia de Letras da Magistratura Mineira foi “decorrência natural, diria mesmo quase inevitável, das edições da MagisCultura”. Lançamento na Rua Albita, 160, Bairro Cruzeiro, na Região Centro-Sul da capital.

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