Após 30 anos de espera, Palácio das Artes será restaurado
No momento em que completa 55 anos, complexo de cultura passará por obras com investimento inicial de R$ 10 milhões, fruto de parceria entre Ministério Público e governo do Estado
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Após três décadas de espera, o Palácio das Artes, estrela maior da Fundação Clóvis Salgado (FCS), em Belo Horizonte, vai finalmente receber as tão aguardadas obras de restauração. Fruto de parceria entre Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e governo estadual, o serviço terá investimento, na primeira fase, de R$ 10 milhões. Hoje, às 16h45, haverá a assinatura do termo de compromisso para concretização do projeto com a presença do procurador-geral de Justiça, Paulo de Tarso Morais Filho, e de representantes da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo (Secult-MG).
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O compromisso estabelece as bases para ações relacionadas ao restauro do complexo cultural, um dos principais equipamentos mineiros. O anúncio chega no momento em que o Palácio das Artes completa 55 anos de uma história que sempre encanta os olhos do público com óperas, música erudita e popular, shows de renomados artistas brasileiros e internacionais, peças, exposições e mostra de cinema, além de cursos para formação profissional. A cerimônia de assinatura do compromisso para restauro será no foyer do Grande Teatro Cemig.
O Palácio das Artes nasceu da visão de Juscelino Kubitschek (1902-1976), quando prefeito de BH (de 1940 a 1945), com a encomenda ao arquiteto Oscar Niemeyer (1907-2012) do projeto de um centro cultural diverso, no Centro da capital e junto ao Parque Municipal Américo Renné Giannetti. Com o tempo, o espaço cresceu e criou vínculos profundos com artistas, produtores culturais e o público mineiro, marcando o cenário urbano como ponto de encontro, identidade cultural e formação.
Toda essa trajetória pode ser vista na exposição “Acervo Palácio das Artes – seria uma rima, não seria uma solução”. Administrado pela FCS/Secult-MG, o teatro tem sua história contada por obras, entre quadros, esculturas, fotografia e outros “tesouros” artísticos da casa. Como registrou o presidente da fundação, Yuri Mello Mesquita, a mostra é, sobretudo, “uma homenagem a toda a comunidade da FCS que contribui tanto para a cultura do nosso estado”.
Palco iluminado
Da portaria, na Avenida Afonso Pena, número 1.537, aos camarins e palco, passando pelas salas de aula e ensaio, o Palácio das Artes é um complexo de 18 mil metros quadrados, com quatro andares, circundado pelo Parque Municipal. A construção vai muito além do teatro com 1,7 mil lugares no qual já se apresentaram nomes sagrados do drama e da comédia, da ópera e da dança, dos ritmos eruditos e populares.
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No palco, sempre um espetáculo. Foram "muitas emoções" em shows de Roberto Carlos, Gal Costa e outros grandes astros e estrelas. Ali, o bailarino e coreógrafo Mikhail Baryshnikov dançou “O corsário”, Bibi Ferreira cantou Piaf e José Saramago ensinou o evangelho à luz da língua portuguesa. Ao som do seu bandoneon, Piazzola recriou o tango argentino, Madredeus emocionou com as vozes d’além mar e Sebastião Salgado trouxe imagens para eternizar um mundo de luz e sombras. E teve Elis Regina viajando no “Trem azul” e Antunes Filho impressionando com a montagem de “Macunaíma”.
Conforme a instituição, o Palácio das Artes é o maior centro de formação, produção e difusão cultural de Minas e um dos maiores da América Latina com esse perfil. Sede da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais, do Coral Lírico de Minas Gerais e da Cia. de Dança Palácio das Artes, abriga o Centro de Formação Artística e Tecnológica (Cefart), com cursos básicos e profissionalizantes de artes visuais, dança, música, teatro e tecnologias da cena.
O complexo cultural dispõe de recursos cênicos e acústicos de elevado padrão técnico para a montagem de óperas, peças teatrais, concertos, espetáculos de dança e shows de música popular, além de galerias de artes visuais, cinema, e salas adequadas para lançamento de livros, palestras, congressos e seminários.
Origem
A partir da idealização do então prefeito JK para a edificação de um novo espaço para as artes na capital, o Teatro Municipal de Belo Horizonte, com projeto original de Niemeyer, as obras foram iniciadas em 1942. O arquiteto projetou o teatro de forma que a fachada ficasse voltada para o parque, ligado à Afonso Pena por uma passarela de concreto, mas as obras foram paralisadas em 1945.
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Dez anos depois, o arquiteto Hélio Ferreira Pinto foi convidado para redimensionar o projeto original do teatro, transformando-o no Palácio das Artes. Em 1966, o governador Israel Pinheiro assumiu o compromisso de concluir a obra, e o complexo cultural foi inaugurado oficialmente em 14 de março de 1971, com a abertura do Grande Teatro do Palácio das Artes em um concerto da peça “Messias”, de Händel, com regência de Isaac Karabtchevsky.
Outros espaços foram criados posteriormente, como o Cine Humberto Mauro (1978), Teatro João Ceschiatti e Galeria Arlinda Corrêa Lima (1984), Sala Juvenal Dias (1993), Galeria Genesco Murta (início da década de 1990), Galeria Mari’Stella Tristão (2016), PQNA Pedro Moraleida (2017) e Galeria Aberta Amilcar de Castro (2018).
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Linha do tempo
Confira os principais fatos na história do Palácio das Artes:
- 1909 – BH tem 12 anos de fundação, quando é inaugurado o Teatro Municipal, na esquina das ruas Bahia e Goiás, no Centro. Em 1942, o local é transformado em cinema e demolido 41 anos depois.
- 1942 – Prefeito Juscelino Kubitschek inicia obra do Teatro Municipal, projetado por Oscar Niemeyer. Voltado para o Parque Municipal Américo Renné Giannetti, ele seria ligado à Avenida Afonso Pena por passarela.
- 1945 – Obra do teatro é paralisada. Cidade recebe, em caráter provisório, o Teatro de Emergência, mais tarde denominado Teatro Francisco Nunes e localizado dentro do Parque Municipal.
- 1955 – Projeto original do Palácio das Artes é reformulado pelo arquiteto Hélio Ferreira Pinto, abrigando, além do teatro, sala de exposição, museu de gravura e anfiteatro.
- 1966 – Governador Israel Pinheiro assume o compromisso de concluir o Palácio das Artes.
- 1970 – Em 30 de janeiro, o Palácio das Artes é inaugurado na Avenida Afonso Pena.
- 1970 – Em 3 de setembro, é publicado o decreto que regulamenta a Lei nº 5.455 de 10/6/70, que instituiu a Fundação Palácio das Artes.
- 1971 – Em 14 de março, abrem-se, pela primeira vez, as cortinas do Grande Teatro do Palácio das Artes, com apresentação de “O Messias”, de Haendel.
- 1978 – Em 20 de setembro, a Lei nº 7.348 muda o nome da Fundação Palácio das Artes para Fundação Clóvis Salgado, instituição vinculada à Secretaria de Estado da Cultura
- 1997 – Em 7 de abril, um incêndio destrói o Grande Teatro do Palácio das Artes.
- 1998 – Em 27 de julho, depois de 15 meses de obra, o Grande Teatro é reaberto ao público.