Minascentro chega aos 100 anos sem parar no tempo
Prédio centenário abriga uma história que reúne cena cultural, negócios, turismo e eventos que movimentam BH. Participação de moradores será fundamental para enriquecer essa trajetória
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Foi na noite de 30 de setembro de 1988 que Cazuza fez seu último show em BH. Eu estava na plateia com amigos e todos nós aplaudimos muito o cantor e compositor (1958-1990) que bradava “Ideologia, eu quero uma pra viver...”, versos emblemáticos daqueles tempos.
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O espetáculo me vem agora à memória, em música, letra e dança, diante do centenário do prédio do Minascentro – oficialmente, Centro de Convenções Israel Pinheiro da Silva –, em cujo teatro o artista se apresentou. Parece que foi ontem, e penso que o “poeta” sempre teve razão: “O tempo não para”, e assim Cazuza batizou meses mais tarde um belo álbum.
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Felizmente, ainda temos de pé e na ativa o equipamento cultural tão importante. O Centro de Convenções Israel Pinheiro da Silva, na Avenida Augusto de Lima, ao lado da Praça Raul Soares, exibe mais de 23 mil metros quadrados de área construída, palmeiras na frente e boa vizinhança com o Mercado Central.
Sob responsabilidade da Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemge), o imóvel tem, desde 2021, sua operação feita por meio de concessão à iniciativa privada. Atualmente administrado pelo Consórcio Gestor Minascentro, o espaço recebe feiras, exposições, congressos, shows, formaturas e demais eventos que movimentam a vida cultural, o turismo e os negócios na capital.
Para celebrar o centenário, a administração do Minascentro faz um chamado à população em busca de fotografias, documentos e registros que ajudem a contar essa trajetória. Quem tiver imagens de festas, casamentos, formaturas, eventos, momentos de trabalho e outras lembranças vividas no prédio pode participar desse resgate. Basta acessar o instagram @edifício.minascentro ou enviar o material para marketing@grupochv.com.br O objetivo é reunir memórias, ampliar o acervo histórico do edifício e compartilhar essas histórias com o público.
PEDRA FUNDAMENTAL
Tombada pelo Conselho Deliberativo do Patrimônio Cultural do Município de Belo Horizonte e integrante do Conjunto Urbano da Praça Raul Soares-Avenida Olegário Maciel, a edificação tem sua trajetória contada a partir de 15 de junho de 1926, quando ocorre o lançamento da pedra fundamental. A inauguração se deu três anos depois (1929) e, ao longo das décadas seguintes, houve diferentes usos vinculados à administração pública estadual, especialmente a Secretaria de Saúde. Em 1981, por decreto estadual, foi criado o centro de convenções, com inauguração em 15 de março de 1984.
Em estilo neoclássico, presente entre a construção de BH 1897 e a década de 1920, o Minascentro ocupa um quarteirão inteiro entre as ruas Curitiba, Guajajaras, Santa Catarina e Avenida Augusto de Lima.
QUASE 100% DOS MUNICÍPIOS MINEIROS...
Completando três décadas de atuação, o ICMS Patrimônio Cultural, referente ao exercício de 2026, prevê repasses para 847 dos 853 municípios mineiros no próximo ano. Coordenado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha-MG), o programa contribui para fortalecer políticas municipais de proteção do patrimônio, estimulando conservação de bens culturais, educação patrimonial, realização de inventários, criação e gestão do Fundo Municipal de Preservação do Patrimônio Cultural e ainda a valorização das identidades e referências culturais locais. Segundo a direção do Iepha-MG, o resultado de agora evidencia “a maturidade e a força da política pública” que se consolidou como importante instrumento de preservação e valorização do patrimônio cultural de Minas, “além de consolidar o patrimônio cultural como presença no cotidiano”. A expectativa é de atingir 100% das cidades em 2027.
...TERÃO REPASSE DO ICMS CULTURAL
Ao longo de sua trajetória, informa o Iepha-MG, o ICMS Patrimônio Cultural ajudou a transformar a preservação em ação permanente dos municípios. Representou avanços significativos no processo de institucionalização das políticas municipais de preservação do patrimônio cultural, aproximou o patrimônio das comunidades e ampliou o compromisso com a memória, a história e a cultura mineiras. O alcance de 846 municípios participantes revela, também, importante mudança de perspectiva: “o patrimônio deixou de ser compreendido apenas como memória do passado e passou a ser reconhecido como patrimônio presente vivo, dinâmico, valorizado e integrado ao cotidiano das comunidades”. No atual exercício, Mariana, na Região Central, obteve a maior pontuação.
PAREDE DA MEMÓRIA
No domingo (4), fiéis do mundo inteiro celebram um dos santos mais queridos da Igreja Católica. Fundador da Ordem Franciscana e protetor da natureza e dos animais, São Francisco de Assis tem uma legião de devotos em Minas Gerais, embora muitas das imagens que o representam estejam desaparecidas. É o caso, por exemplo, do distrito de Itatiaia, em Ouro Branco, que teve seu bem sacro furtado, em 1994, da Matriz Santo Antônio. Na época, os ladrões levam 21 peças. À frente da campanha para localizar o acervo está a Associação Sociocultural Os Bem-te-vis, presidida por Wilton Fernandes.
MEMORIAL 1
Valorização da cultura, fé e história em São Brás do Suaçuí, na Região Central, a 105 quilômetros de BH. Está aberto à visitação, na Paróquia São Brás, o Memorial Igreja Matriz de São Brás, que fica no corredor direito do templo do século 18 rico em arte rococó e acervo sacro. Concebido como marco comemorativo da tricentenária devoção ao padroeiro local, o Memorial apresenta a trajetória da edificação e do lugar desde 1713. Além de expor técnicas construtivas da edificação, reúne documentos, partituras musicais, imagens em madeira e objetos litúrgicos.
MEMORIAL 2
Sob liderança do padre Luciano Ferreira de Oliveira, a criação do Memorial Igreja Matriz de São Brás foi fundamentada em pesquisa da jornalista Maria Auxiliadora Mendes da Silva e Souza, que se dedica há 11 anos a resgatar, em fontes primárias, a história do outrora distrito de Suaçuí, atual município de São Brás do Suaçuí. Com entrada franca, o Memorial fica aberto de segunda a sexta-feira, das 7h às 16h (exceto feriados), e aos sábados e domingos uma hora antes das missas. Informações sobre visitas fora dos horários estabelecidos podem ser obtidas pelo WhatsApp (31) 3738-1152 ou pelo e-mail paroquiasaobrassbs@gmail.com. As missas são celebradas às quintas (7h), sábados (19h), domingos (8h30 e 19h), dia 3 de cada mês (15h) e primeira sexta-feira do mês: (19h, sujeito a alterações).
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Sons da cidade
Será na quarta-feira (30), às 19h, no Cine Santa Tereza, em BH, o lançamento do documentário “Vozes da Cidade”. Com cerca de 30 minutos de duração, reúne histórias de pessoas que têm, na voz, o principal instrumento de trabalho. Realizado pela Espinha Audiovisual, o doc convida o público a redescobrir a cidade a partir de sua paisagem sonora. E busca identificar, registrar e preservar um patrimônio imaterial da capital: as vozes que ecoam pelas ruas, feiras, lojas, mercados e meios de comunicação.