Amanda Christina Souza Pinto, que confessou ter matado a mãe, Maria do Rosário de Fátima Pinto, então com 67 anos, e a filha, uma menina de 10 anos, irá a júri popular nesta quarta-feira (30/9). Os crimes foram cometidos em março de 2023, dentro do apartamento em que a família vivia, no Bairro Piratininga, em Venda Nova, em Belo Horizonte.
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Denunciada pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), Amanda Christina responderá por duplo homicídio, com diversas qualificadoras: meio cruel, recurso que dificultou a defesa, contra mulher por razões da condição de sexo feminino (feminicídio) e em contexto de violência doméstica e familiar.
No crime cometido contra a mãe, há ainda a qualificadora de motivo torpe. No caso do assassinato da criança, incidem também as qualificadoras de motivação para garantir a ocultação do crime anterior e contra menor de 14 anos.
Amanda Christina foi detida em flagrante e teve a prisão convertida para preventiva. Após cometer o crime, ela chegou a ser hospitalizada, já que atentou contra a própria vida, colocando a cabeça dentro do forno do apartamento e ligando o gás. A mulher foi resgatada inconsciente, mas com vida, pelo Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (CBMMG).
Relembre o caso
No depoimento que prestou à polícia, a mulher contou que estava no quarto conversando com a mãe quando elas começaram a "brincar". A mulher teria então passado o braço em volta do pescoço da idosa e, segundo ela, naquele momento sentiu "uma sensação ruim" e "vontade de apertar", começando, em seguida, a estrangular a idosa.
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De acordo com a autora, a vítima tentou pedir ajuda, inclusive para o cachorro da família, mas ela não soltou até ter certeza de que Maria do Rosário tinha parado de respirar.
Amanda também contou aos policiais militares que a menina de 10 anos, que dormia em outro quarto, acordou e bateu na porta, perguntando o que estava acontecendo. Ela disse para a garota não abrir a porta, pois ela estaria “resolvendo um problema” com a avó da menina. Em seguida, Amanda cobriu o corpo da mãe com um lençol e ordenou que a filha fosse tomar café.
Segundo o Boletim de Ocorrência, ao encontrar a filha a mulher disse para a criança que a avó tinha passado mal e morrido. Amanda então argumentou que, como era Maria do Rosário que sustentava a casa e cuidava das duas, ela também teria que morrer. Ainda segundo a mulher, a menina poderia escolher entre morrer junto ou ir para um abrigo.
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Após discutir a situação com a filha, que chegou a sugerir para a mãe que chamasse o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), a polícia ou alguém de confiança, elas chegaram ao consenso de se matar. A menina teria dito que "iria com a mãe até o fim".
Tentativas de matar a filha
Amanda afirmou que não teve coragem de matar a garota no mesmo dia e que ambas tomaram remédio para dormir, ficando no apartamento com a avó morta. No dia seguinte, ela decidiu matar a filha, que novamente pediu para ligar para alguém, mas a mãe teria dito para a garota que "a decisão já estava tomada".
Ela então tentou cortar os pulsos da menina, mas os ferimentos foram superficiais. Ela decidiu, então, matar a filha da mesma forma como tinha feito com a avó da criança. Amanda passou, então, a enforcar a garota por duas vezes, mas, segundo ela, a criança se debateu muito e resistiu. Por isso, a mulher amarrou a filha, usando uma calça, e passou a apertar seu pescoço até que ela parasse de respirar.
Em seguida, Amanda deitou ao lado da garota e por duas vezes tentou se matar ingerindo remédios. Como isso não funcionou, no dia seguinte, Amanda vedou as frestas das portas de sua casa, colocou a cabeça dentro do forno de um fogão e ligou o gás.
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Mesmo com a tentativa de barrar o cheiro do gás, o síndico do prédio percebeu o odor e estranhou o latido constante do cachorro do apartamento. O Corpo de Bombeiros foi acionado e encontrou Amanda desmaiada, mas com vida. Ela foi socorrida pelos militares e encaminhada a um hospital.
