A ONG Pega Pra Castrar passou a manhã desta segunda-feira (22/9) instalando arapucas e gatoeiras em um terreno baldio na Rua Tamoios, ao lado do Elevado Dona Helena Greco, no Barro Preto, Região Centro-Sul de Belo Horizonte. A expectativa é capturar os 45 gatos que vivem no lote atualmente para receber tratamento e serem levados a um novo lar.  

Até o momento, 18 gatos foram capturados. Devido ao alto número de felinos em um mesmo local, a  iniciativa precisou da participação de três integrantes da ONG. 

“Nós somos capturadores especialistas em gatos. Não necessariamente precisa desse contingente, porque tanto a arapuca, quanto a gatoeira, que são as armadilhas que a gente usa, são muito eficientes, uma pessoa só bastaria para alguns animais, mas como são muitos aqui, a gente acaba fazendo essa força-tarefa”, explica Victor Felipe Melo, fundador da Pega Pra Castrar. 

Histórico de cuidados

Isabel Cristina Silva Barbosa cuida dos gatos há cerca de sete anos, quando se sensibilizou ao ver os animais serem atropelados, envenenados ou procurar comida na rua. Ela conta que, no início, eram apenas dez gatos, e que o proprietário do espaço não permitia que ela entrasse. Mesmo assim, Isabel passava comida por baixo do portão.

Depois de três anos, finalmente os proprietários cederam uma chave para ela poder cuidar dos gatos. “Esses gatos já estavam aqui e eu resolvi acolher e protegê-los. Comecei a cuidar deles aqui dentro e a ver que eles precisavam, não só de alimentação, mas também de limpeza, de remédio, de veterinário. Mas eu não consigo. A gente tem uma rede de protetores e pergunta aos veterinários o que que a gente pode dar para eles.

O caso ganhou repercussão no fim de agosto, quando a Justiça determinou a reintegração de posse do terreno, com autorização para arrombamento e apoio policial. A decisão deixou a cargo da cuidadora a retirada dos gatos.

"Estamos fazendo, com trabalho voluntário, uma tarefa que deveria ser do poder público. O manejo de animais sem tutor em situação de rua é uma questão de saúde pública e de bem-estar animal, e não pode depender só da boa vontade de particulares", afirma Victor Filipe.

Agora, a protetora espera que os gatos se sintam em casa no novo endereço e pede ajuda para conseguir manter as despesas: “Eles vão precisar de limpeza, de cuidado, de remédio e de bastante ração porque eles vão ficar em uma casa fechada. Então eu peço, por caridade, por amor aos animais, que me ajudem a alimentar e cuidar deles no novo lar”.

Como é feita a captura?

A ação reuniu uma equipe de voluntários e usou gaiolas disponibilizadas pelo próprio projeto. As gatoeiras são estruturas de metal nas quais são colocadas alimentos para atrair o animal a passar por uma espécie de túnel. Quando o gato está completamente dentro da estrutura, o sistema de fechamento é acionado. Em seguida, um capturador se aproxima e abre a armadilha apenas o suficiente para que o gato possa entrar em uma caixa de transporte. 

Já as arapucas são estruturas suspensas por um mecanismo que permite a entrada dos animais. Em imagens registradas pela equipe do Estado de Minas, um gato se aproxima e começa a se alimentar logo embaixo da arapuca. Pouco tempo depois, outros se aproximam e se juntam ao primeiro. Quando foi acionada, a armadilha conseguiu capturar quatro animais de uma vez. 

Ong Pega Pra Castrar inicia força-tarefa para capturar 45 gatos que vivem em terreno baldio no Barro Preto

Edésio Ferreira/EM/D.A Press

Victor conta que, no geral, a Pega Pra Castrar faz a captura, a castração e a devolução do animal para o local onde ele estava inicialmente. Esse método, chamado C.E.D., evita novas ninhadas, brigas por acasalamento e previne a disseminação de doenças. Além disso, quando os animais castrados voltam para seu local de origem, eles defendem o território e impedem a entrada de novos gatos no grupo. Com o tempo, a população diminui naturalmente.  

Entretanto, neste caso, os gatos serão levados para uma casa no Bairro Tirol, na Região do Barreiro, e disponibilizados para adoção. “O gato muitas vezes deixa a gente pegar ele no colo, mas na hora que você vai colocar na caixa de transporte, é um Deus nos acuda. E muitos deles são muito ariscos, a gente nem vê eles. Aqui tem 45 gatos em um lote que vai ter uma destinação comercial que não viabiliza a permanência deles aqui”, diz Melo. 

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Novas armadilhas foram montadas e deixadas no lote para que a ONG possa voltar e levar os novos gatos capturados ao longo dos próximos dias. 

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