A viagem de romeiros que partiu de Lavras, no Sul de Minas Gerais, rumo ao Santuário Nacional de Aparecida (SP) e terminou em tragédia na manhã de domingo (20/9), era realizada de forma clandestina, segundo a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). O acidente, ocorrido por volta das 5h30, na Rodovia Doutor Avelino Júnior (km 232), em Cruzeiro (SP), provocou a morte de seis pessoas após o veículo despencar em uma ribanceira de cerca de 15 metros de altura.
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Em nota oficial, a ANTT informou que consultou seus sistemas e constatou que o ônibus de placa BXF-8324 está registrado em nome de pessoa física e não tinha vínculo com nenhuma empresa autorizada pela agência para transportar passageiros em viagem interestadual. Também não havia Licença de Viagem (LV) emitida para o trajeto.
"Sob o ponto de vista da regulação federal do transporte rodoviário interestadual de passageiros, a viagem era realizada de forma clandestina", declarou a agência federal.
Irregularidades nas empresas
De acordo com a ANTT, a Botelho Viagens, empresa apontada como proprietária do veículo, não possui autorização da agência para transporte interestadual de passageiros.
Além disso, segundo a mesma nota, a Meteoro Transportes Coletivos não possui autorização vigente da ANTT desde 26 de abril de 2026. O ônibus acidentado não apresentava vínculo reconhecido com essa empresa pela agência.
Sem a presença de uma empresa autorizada ligada ao veículo e sem a licença de deslocamento, a ANTT confirmou que não foi identificada nenhuma autorização federal que apoiasse o serviço.
O acidente
O ônibus levava fiéis mineiros quando perdeu o controle e caiu em uma ribanceira no trecho paulista. Cinco passageiros morreram no local do acidente e uma mulher veio a óbito na Santa Casa de Cruzeiro. Entre os mortos estão um homem de 47 anos, de Lavras; um idoso de 74 anos, natural de Itumirim; uma mulher de 63 anos; um homem não identificado de aproximadamente 50 anos; e uma criança de 10 anos.
O motorista do veículo, que também é apontado como proprietário da empresa Botelhos Viagens, foi socorrido e levado ao Pronto-Socorro de Lorena. A operação de resgate mobilizou viaturas do Corpo de Bombeiros de Cruzeiro, Cachoeira Paulista, Lorena e Guaratinguetá, além do apoio de órgãos locais.
Apuração das causas e fiscalização
A ANTT ressaltou que a apuração sobre as condições mecânicas do ônibus e as circunstâncias exatas do acidente cabe às autoridades policiais e à perícia técnica. A Polícia Militar Rodoviária de São Paulo e a Polícia Civil investigam as causas.
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A agência reforçou que mantém a fiscalização — inclusive em horários noturnos, fins de semana e períodos de grandes deslocamentos religiosos — para combater o transporte clandestino, além de receber denúncias da população para auxiliar nas operações contra os serviços irregulares. (Com informações de Joubert Júnior)
