Uma cadela da raça husky siberiano, de quatro meses, morreu durante um procedimento de banho e tosa em um hospital veterinário de Ipatinga, no Vale do Aço, em 5 de setembro e ocorreu no mesmo estabelecimento que, em 2022, foi alvo de uma denúncia após um cão perder um dos olhos durante um atendimento.

A cadela, chamada Sky, foi buscada na casa do tutor, André Bicalho, por uma funcionária do hospital por volta das 7h20. Ele afirma ter imagens de câmeras de segurança que registraram a retirada do animal. A previsão inicial era que o banho fosse realizado durante a manhã, mas, por volta das 12h30, a funcionária informou que ainda não havia conseguido concluir o procedimento e perguntou se poderia entregar Sky mais tarde. O tutor concordou.

Às 14h58, André recebeu uma mensagem pelo WhatsApp do hospital informando que a cadela estava pronta e que poderia ser levada de volta para casa. Ele permaneceu aguardando a entrega, mas o animal não chegou. Por volta das 17h02, recebeu uma ligação informando que Sky havia morrido.

A explicação apresentada pela funcionária, conforme o relato do tutor, foi de que a cadela teria ficado muito agitada com o barulho do secador e sofrido uma parada cardíaca.

André questionou o intervalo entre a mensagem que indicava que o procedimento havia terminado e a comunicação da morte. Para ele, se Sky já estava pronta para ser entregue, não ficou esclarecido o que ocorreu nas horas seguintes.

“Se às 14h58 da tarde a cachorra estava pronta, por que não foi entregue? Duas horas depois ligam comunicando o óbito. Onde acharam essa cachorra nesse intervalo?”, questionou.

Segundo o boletim de ocorrência, uma funcionária relatou aos policiais que realizava o banho de Sky quando, durante a secagem, a cadela apresentou sinais de fraqueza e desmaiou. Ela teria acionado o veterinário, que foi ao local e realizou tentativas de reanimação, mas não conseguiu reverter o quadro.

Ainda conforme o registro, o veterinário confirmou o relato apresentado e apontou uma possível parada cardiorrespiratória como causa da morte. O documento, no entanto, não apresenta uma conclusão definitiva sobre o que provocou o óbito.

Após a morte, o corpo de Sky permaneceu sob responsabilidade do hospital veterinário, que informou que adotaria os procedimentos de praxe, conforme orientação do tutor.

Dúvidas sobre o atendimento

André questiona por que o procedimento não teria sido interrompido caso Sky estivesse muito agitada durante a secagem e afirma que não recebeu uma explicação convincente sobre o intervalo entre a mensagem de que a cadela estava pronta e o telefonema informando a morte.

“Eu não tive resposta concreta, convincente nenhuma. Só falaram que ela se assustou com o secador e sofreu uma parada cardíaca. Uma cachorra que já estava pronta para ser entregue. Como assim?”, questionou.

Segundo o tutor, a morte ocorreu durante a segunda vez que Sky esteve no estabelecimento. A cadela havia tomado a última dose de vacina no hospital em 25 de agosto e, após o primeiro banho, voltou para casa muito sonolenta, passou o dia deitada e sem querer brincar, o homem diz que chegou a suspeitar de uso de calmante, mas não teve confirmação de que algum medicamento havia sido administrado. “Ela voltou extremamente assim, parecia que estava dopada. Só ficava deitada, não queria saber de brincar”, relatou.

Após a morte, André foi ao hospital e recebeu o corpo de Sky, mas afirma que não conseguiu levá-lo para casa devido ao impacto emocional e à preocupação com os filhos. O tutor diz que passou a questionar se algum medicamento poderia ter sido administrado e se isso teria relação com a parada cardíaca, mas ressalta que não sabe o que provocou a morte e aguarda a investigação para esclarecer o caso.

Um boletim de ocorrência foi registrado após a morte de Sky. O tutor afirma ainda ter procurado outros órgãos para denunciar o caso e que um inquérito foi aberto na Polícia Civil para apurar as circunstâncias da morte.

Caso Beethoven, em 2022

O caso de Sky ocorre quatro anos depois de outra denúncia envolvendo o estabelecimento. Em maio de 2022, a advogada Idamara Fernandes deixou o cão Beethoven, um shih-tzu, no local para banho, tosa e hospedagem durante uma viagem. Segundo ela, recebeu uma ligação de uma clínica veterinária informando que o animal havia chegado ensanguentado e com hemorragia, sendo necessária a retirada do globo ocular.

Na época, Idamara afirmou ao Estado de Minas que não havia autorizado previamente a sedação ou a cirurgia e que não foi informada sobre a gravidade do estado de saúde do cão. Ao procurar o estabelecimento, ouviu de uma funcionária que ela dava banho em outro animal e não havia presenciado o ocorrido. A tutora também relatou que não havia câmeras na área onde os animais permaneciam, apenas na recepção.

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A reportagem procurou a Polícia Civil de Minas Gerais e o hospital veterinário. Até a publicação, não houve retorno. O espaço segue em aberto.

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