A delegada da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) Ana Paula Lamego Balbino, esposa do empresário Renê da Silva Nogueira Júnior, acusado de matar a tiros o gari Laudemir de Souza Fernandes, teve a licença médica prorrogada por mais 30 dias. A medida, com início em 7 de setembro, foi publicada no Diário Oficial do Estado (DOE) desta terça-feira (15/9).
A renovação ocorre após a delegada ter sido transferida para um setor administrativo da Polícia Civil, em uma mudança determinada pela chefia da corporação. Ana Paula deixou a Casa da Mulher Mineira, vinculada à Diretoria Especializada de Atendimento à Mulher (Defam), e foi removida para a Diretoria de Administração e Pagamento de Pessoal (Dapp), da Superintendência de Planejamento, Gestão e Finanças (SPGF).
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A remoção foi determinada pela chefe da Polícia Civil, Letícia Gamboge, após deliberação unânime do Órgão Especial do Conselho Superior da Polícia Civil, em reunião realizada em 18 de agosto. A decisão considerou que a servidora estava afastada do cargo ou função por período superior a 180 dias.
A mudança de lotação não significa que a delegada tenha retornado às atividades. Ela permanece afastada por mais 30 dias, conforme a nova licença médica. As prorrogações anteriores tinham duração de 60 dias, o que torna o atual período de afastamento mais curto.
Ana Paula está afastada das funções desde 13 de agosto de 2025, dois dias após a morte de Laudemir. O crime completou um ano em agosto deste ano. Desde o primeiro afastamento, as licenças médicas foram prorrogadas sucessivamente.
A primeira licença foi concedida em agosto de 2025 para tratamento de saúde no Hospital da Polícia Civil. O documento não detalhava o quadro clínico da delegada. Em dezembro daquele ano, houve nova prorrogação. Já em 2026, o afastamento foi novamente estendido.
Durante o período, Ana Paula permaneceu vinculada à Polícia Civil, mas sem exercer atividades operacionais. Com a remoção determinada em agosto, passou a ter como unidade de lotação a área administrativa da corporação.
A reportagem entrou em contato com a defesa de Ana Paula Lamego Balbino e com a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) e aguarda retorno. O espaço permanece aberto para manifestação.
O caso Laudemir
O gari Laudemir de Souza Fernandes foi morto a tiros na manhã de 11 de agosto de 2025, enquanto trabalhava na coleta de lixo na Rua Modestina de Souza, no Bairro Vista Alegre, na Região Oeste de Belo Horizonte.
Segundo as investigações, o crime ocorreu depois de uma discussão de trânsito. O caminhão de coleta teria parado para dar passagem a veículos quando Renê da Silva Nogueira Júnior teria se irritado com a situação.
Ainda conforme a apuração, o empresário teria usado uma arma de fogo pertencente à esposa para efetuar os disparos contra Laudemir.
O caso levou a investigações nas esferas criminal e administrativa. Ana Paula foi indiciada por prevaricação e porte ilegal de arma de fogo. A suspeita é de que ela tenha permitido ou facilitado o acesso do companheiro à pistola registrada em seu nome.
As apurações também apontaram que a delegada teria conhecimento de que Renê utilizava armas pertencentes a ela, incluindo a pistola Glock calibre .380 que teria sido usada no crime.
No dia da morte do gari, Ana Paula foi levada à sede da Corregedoria da Polícia Civil para prestar esclarecimentos sobre o uso da arma. A versão apresentada por ela passou a ser analisada pelos investigadores diante dos elementos reunidos no inquérito.
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Renê da Silva Nogueira Júnior responde pelo assassinato de Laudemir. O processo segue em andamento na Justiça.
