Morte de gari: delegada esposa de Renê pode completar um ano de afastamento
Novo afastamento da polícia foi publicado no Diário Oficial nesta quinta-feira (11/6); novo prazo vai até agosto
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A delegada da Polícia Civil (PCMG) Ana Paula Lamego Balbino, esposa do empresário Renê da Silva Nogueira Júnior, acusado de matar a tiros o gari Laudemir de Souza Fernandes, em 11 de agosto de 2025, no Bairro Vista Alegre, na Região Oeste de BH, teve a licença médica prorrogada por mais 60 dias. A decisão foi publicada no Diário Oficial de Minas Gerais desta quinta-feira (11/6).
De acordo com o ato divulgado pelo governo estadual, a servidora permanecerá afastada das funções. O novo período começou a contar em 9 de junho. Com a prorrogação, Ana Paula continuará fora das atividades até 9 de agosto. Caso não retorne ao trabalho, no dia 13 de agosto, a delegada completará um ano afastada da PCMG.
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Ana Paula foi afastada das funções dois dias após o crime - a suspeita é de que a arma dela foi usada pelo marido no episódio da morte do gari - e entrou em licença médica para tratamento de saúde no Hospital da Polícia Civil. O primeiro afastamento, de 60 dias, foi publicado em agosto de 2025, sem detalhamento sobre o quadro clínico.
Desde então, a licença médica vem sendo renovada sucessivamente. Em dezembro de 2025, houve nova prorrogação. Já em 2026, a medida foi estendida em fevereiro e novamente em abril, sempre pelo regime de 60 dias. Durante todo esse período, a delegada permaneceu vinculada à corporação, mas sem exercer funções operacionais.
Além do afastamento, a delegada passou a responder, desde 23 abril, a um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) instaurado pela Polícia Civil. O procedimento foi aberto pela Corregedoria-Geral da corporação e tramita sob sigilo.
A investigação administrativa está relacionada ao caso da morte do gari Laudemir e apura possíveis transgressões disciplinares atribuídas à delegada. Conforme a portaria publicada no Diário Oficial, as condutas investigadas podem resultar em penalidades previstas no Estatuto da Polícia Civil, incluindo demissão.
Segundo o documento, a apuração envolve suspeitas de condutas consideradas incompatíveis com o exercício da função pública e que poderiam comprometer a dignidade da instituição. Uma comissão formada por três delegados estáveis da Corregedoria foi designada para conduzir os trabalhos.
O Processo Administrativo Disciplinar é utilizado pela administração pública para investigar possíveis irregularidades cometidas por servidores e envolve etapas, como coleta de provas, apresentação de defesa e julgamento, podendo resultar em penalidades que vão de advertência até demissão.
Conforme a legislação estadual, o prazo para conclusão do PAD é de 60 dias a partir da citação do acusado, com possibilidade de ser prorrogado pelo mesmo período mediante solicitação do presidente da comissão responsável pela condução dos trabalhos.
Questionada sobre o motivo do afastamento e se houve alguma alteração em relação ao PAD, a Polícia Civil informou, em nota, que a renovação de licença para tratamento de saúde de servidores ocorre conforme a legislação vigente, após avaliação médica competente e seguindo os procedimentos administrativos previstos.
A corporação também esclareceu que o Processo Administrativo Disciplinar citado segue em tramitação sob responsabilidade da Corregedoria-Geral da Polícia Civil, com respeito aos princípios do devido processo legal e da ampla defesa.
O caso
O gari Laudemir de Souza Fernandes foi morto a tiros na manhã de 11 de agosto de 2025, enquanto trabalhava na coleta de lixo na Rua Modestina de Souza, no Bairro Vista Alegre, Região Oeste de Belo Horizonte.
Segundo as investigações, o crime aconteceu depois de uma discussão de trânsito. O caminhão de coleta teria parado para dar passagem a veículos quando Renê da Silva Nogueira Júnior teria se irritado com a situação.
Ainda conforme a apuração, o empresário teria utilizado uma arma de fogo pertencente à delegada e efetuado os disparos contra Laudemir.
O caso levou à abertura de investigações nas esferas criminal e administrativa. Na criminal, Ana Paula foi indiciada por prevaricação e porte ilegal de arma de fogo. A suspeita é de que ela teria permitido ou facilitado o acesso do companheiro à pistola registrada em seu nome.
As apurações apontam ainda que a delegada teria conhecimento de que Renê utilizava armas pertencentes a ela, incluindo a pistola Glock calibre .380 que teria sido usada no crime.
No dia da morte do gari, Ana Paula foi levada à sede da Corregedoria da Polícia Civil para prestar esclarecimentos sobre o uso da arma. A versão apresentada por ela durante o depoimento passou a ser analisada pelos investigadores diante dos elementos reunidos no inquérito.
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Renê da Silva Nogueira Júnior responde pelo assassinato de Laudemir. O caso segue em andamento na Justiça.