A Força Aérea Brasileira (FAB) informou nesta segunda-feira (14/9) que analisa os registros de áudio nos quais um piloto em Minas Gerais ouviu: “Você não manda nem em casa, quer mandar aqui?”. A conversa entre a controladora de voo e o piloto, incluindo a provocação, repercutiu nas redes sociais e na imprensa graças à jovem Thamiris dos Passos, de 24 anos. Moradora de Itaguaí, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, ela acompanha o canal AVTV, no YouTube, que exibe em tempo real imagens de aeroportos acompanhadas dos áudios das conversas entre pilotos e controladores.

O episódio aconteceu no último dia 4. Thamiris acompanhava várias transmissões, mas, ao passar por uma delas, notou algo diferente. "Como tenho o hábito de escutar, eu sei que a conversa é sempre muito técnica. Mas, nesse dia, eu notei que uma conversa entre um piloto e uma controladora do Galeão estava muito informal", declarou nas redes sociais. 

O avião, com copiloto e passageiro, saiu do Rio de Janeiro e tinha como destino final Varginha, no Sul de Minas. Durante a comunicação com o controle de tráfego aéreo, o piloto questionou a inclusão de um ponto em seu plano de voo que aumentaria o trajeto até a cidade mineira.

A controladora explicou que a alteração seria necessária em razão das aeronaves que pousavam no Aeroporto Internacional do Galeão. O piloto, porém, afirmou que havia outras possibilidades de rota e questionou a necessidade da mudança.

A controladora pediu que ele aguardasse um momento enquanto verificava o que poderia ser feito. Na sequência, outra voz entrou na comunicação e afirmou: “Você não manda nem em casa, quer mandar aqui”.

"Na aviação, não há problema em perguntar. Perguntar é essencial. Ele questionou em relação à mudança da rota. Acredito que o piloto foi coerente", completou a jovem, acrescentando o que espera para o futuro: "Amo a área da comunicação. Hoje, faço locução comercial e, futuramente, quero ser comissária de bordo e cabo da Aeronáutica". 

FAB reforça compromisso com "padrões operacionais"

Por meio de nota, a Força Aérea Brasileira (FAB) declarou ter "conhecimento da comunicação mencionada e que os registros de áudio da frequência de comunicação utilizada no momento estão sendo analisados tecnicamente". O caso é analisado no Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA).

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"O DECEA reitera que a atuação dos controladores de tráfego aéreo envolvidos ocorre de acordo com os padrões operacionais, de cortesia e de profissionalismo estabelecidos para a prestação dos serviços de navegação aérea no Brasil. Ressalta-se, ainda, que o gerenciamento do fluxo de tráfego aéreo e eventuais alterações de rota são realizados com base em critérios técnicos e operacionais, tendo como prioridades a segurança, a regularidade e a eficiência das operações aéreas. Conforme estabelecido na Instrução do Comando da Aeronáutica (ICA) 100-37 – Serviços de Tráfego Aéreo, autorizações e suas alterações podem ser emitidas pelo órgão de controle sempre que necessárias ao gerenciamento do tráfego aéreo, inclusive para evitar possíveis conflitos entre aeronaves", informou a FAB.

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