Falha de GPS nos jatos da Azul: entenda o que parou os voos em Confins
Uma pane global no cérebro eletrônico de jatos Embraer E2 suspendeu operações. Saiba por que a segurança de voo nunca esteve em risco
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Uma falha global em receptores de GPS provocou o cancelamento de 34 voos da Azul no Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, em Confins, entre terça e quarta-feira. Segundo a BH Airport, concessionária do terminal, foram 30 cancelamentos na terça, sendo 15 partidas e 15 chegadas. Outros quatro voos foram afetados na manhã de quarta.
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A Azul informou que uma instabilidade em receptores de sinais GPS da Honeywell atingiu aeronaves em diferentes partes do mundo, incluindo os jatos Embraer E195-E2 usados pela companhia. Em nota, a empresa aérea afirmou que os passageiros afetados receberam assistência conforme a Resolução nº 400 da Anac.
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Para entender a pane, é preciso olhar para o cérebro eletrônico dos jatos da família E2, chamado Primus Epic 2.0. Desenvolvido pela Honeywell, o sistema equipa a cabine com tecnologia de ponta, substituindo botões analógicos por grandes telas e controles que permitem aos pilotos alterar rotas de voo em tempo real.
O computador projeta imagens 3D do terreno, desenha a pista de pouso virtualmente e possui um radar meteorológico inteligente. Para que tudo funcione com precisão, o equipamento depende intensamente do sinal de GPS.
Avião voa sem GPS? A questão da segurança
Sim, uma aeronave comercial voa com total segurança sem GPS. Imagens do painel de alguns jatos afetados mostraram alertas de perda de sinal, o que impede a realização do procedimento "RNP AR", uma aproximação de pouso guiada por satélite que exige rigorosa precisão.
A ausência do sinal, no entanto, não deixa o avião "cego". Os jatos possuem múltiplos sistemas de navegação redundantes, como sensores inerciais e navegação por rádio baseada em antenas no solo. A aeronave sabe onde está e como chegar ao destino.
A decisão de manter os aviões no chão obedece a protocolos operacionais estritos. Voar sem essa precisão limita as rotas e as condições climáticas para pouso, além de descumprir requisitos legais para determinados voos. É uma medida de prevenção, não um risco à segurança.
Reset no sistema e investigação
Enquanto a solução definitiva não é liberada, mecânicos aplicam uma reinicialização a frio ("cold restart"). Um boletim técnico da Embraer orienta a cortar a energia dos módulos de navegação, forçando o sistema a limpar a memória e buscar o sinal novamente. A solução, porém, é provisória.
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O problema será resolvido com uma atualização de software da Honeywell, que deverá ser instalada pelas equipes de manutenção. Em nota, a Embraer informou que acompanha o caso e presta suporte técnico aos clientes, reforçando que a ocorrência não impacta a segurança de voo.