Moradores lutam para salvar o Rio Araçuaí da mineração com dragas
No Vale do Jequitinhonha, ribeirinhos se unem em protesto para denunciar a poluição e o assoreamento causados pela extração de ouro no rio
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Moradores do Vale do Jequitinhonha se uniram em um protesto no último domingo (20/9) para exigir a proteção do Rio Araçuaí, que vem sofrendo com a degradação ambiental causada pela mineração com dragas. A principal denúncia é que a atividade está poluindo e assoreando o leito do rio, comprometendo o abastecimento de água e a produção agrícola local.
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A manifestação reuniu cerca de 20 pessoas que percorreram 18 quilômetros do rio em quatro embarcações, partindo da localidade de Tuntum, em Virgem da Lapa, até a comunidade de Macieira, em Araçuaí. Em terra, outros 60 moradores aguardavam com faixas e cartazes, cobrando providências dos órgãos ambientais para a suspensão das atividades de mineração.
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O Rio Araçuaí é um dos afluentes mais importantes do Rio Jequitinhonha, nascendo em Diamantina e desaguando em Itira, no município de Araçuaí. Sua preservação é fundamental para a região, historicamente afetada por períodos de seca, garantindo água para consumo e irrigação de pequenas lavouras.
Segundo os ribeirinhos, as dragas foram instaladas com a justificativa de extrair areia, mas na prática estariam sendo usadas para a mineração de ouro. A movimentação do solo no leito e nas margens tem provocado desvios no curso do rio, com a formação de ilhas de cascalho e um intenso processo de assoreamento.
“O rio está sendo muito assoreado e poluído”, afirma Adriano, lembrando que, em vários pontos, o Araçuaí foi “desviado”, com a formação de “ilhas de cascalho” no meio do leito.
Recentemente, uma das dragas que operava na região foi embargada pela Polícia Militar de Meio Ambiente após a constatação de irregularidades. O proprietário do maquinário teria desativado outras quatro máquinas, mas a comunidade cobra uma solução definitiva para o problema.
“As dragas estão degradando demais o rio, não com o assoreamento, mas também com o lançamento de produtos químicos”, afirma Adriano Passos. “Eles (os mineradores) falam que (as dragas) são para extração de areia, mas estão retirando ouro”, lamenta o morador.
Além do assoreamento, os moradores relatam a contaminação por produtos químicos utilizados na mineração, derramamento de óleo diesel das máquinas e até o descarte de dejetos humanos diretamente na água. Esses fatores impactam diretamente a qualidade da água usada pelas famílias para beber e para a agricultura de subsistência.
“As dragas estão assoreando muito o rio”, disse o pescador Antônio Souza Jardim, de 56 anos, conhecido como “Toninho Pescador”.
As comunidades ribeirinhas formalizaram denúncias e enviaram ofícios à Fundação Estadual de Meio Ambiente (Feam), à Agência Nacional de Mineração (ANM) e ao Ministério Público de Minas Gerais (MPMG). Também foram notificados a Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Araçuaí e a Câmara de Vereadores. Os moradores afirmam que continuam aguardando respostas e uma ação efetiva para a desativação completa das dragas e a recuperação do manancial.
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“Mas, continuamos aguardando as respostas e tomada de providências. Queremos que a proteção do Rio Araçuaí”, sustenta Eliene.