Escolas particulares ficarão abertas; sindicato fala em grande paralisação
Ação é motivada por proposta de dividir convenção entre professores da educação básica e superior
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Uma paralisação dos professores deve afetar a rede privada do estado nesta quarta-feira (16/9). De acordo com uma nota emitida pelo Sindicato das Escolas Particulares de Minas Gerais (Sinepe-MG), as unidades de ensino permanecerão abertas normalmente, “garantindo aos seus alunos o pleno acesso às atividades escolares”.
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Por outro lado, o Sindicato dos Professores do Estado de Minas Gerais (Sinpro Minas), que representa os docentes da rede particular, afirma que a adesão ao movimento está grande, sendo que a presidente da entidade, Valéria Morato, classificou como “espetacular” a participação da categoria na paralisação. “Os professores nunca se furtaram de defender seus direitos”, diz ela.
Já o Sinepe-MG destaca que há um “universo de 4.200 instituições de ensino privado” em Minas Gerais e que “nenhuma informou que vai paralisar as atividades”. A presidente do Sinpro Minas afirma que, apesar de abertas, cerca de 25 escolas particulares permanecerão sem professores hoje. “Estão colocando estagiários, contratando monitores”, argumenta.
Um professor da rede particular consultado pela reportagem explicou, sob a condição de anonimato, que a paralisação deve manter o foco em colégios de grande porte, com milhares de alunos, e de segmentos mais elitizados. Já as instituições de porte menor tendem a manter a rotina de funcionamento. De acordo com o docente, em colégios com equipes reduzidas, os profissionais ficam mais sujeitos a retaliações. Valéria Morato também fala em “pressão dentro das escolas”.
Convenção motiva paralisação
A paralisação convocada pelo Sinpro Minas é motivada por uma proposta do Sinepe-MG para dividir a convenção da categoria, que atualmente é a mesma tanto para docentes da educação básica quanto para os do nível superior. Tal mudança resultaria em direitos e benefícios distintos para professores das diferentes etapas de ensino.
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Para o Sinpro Minas, “a divisão enfraquece a capacidade de negociação coletiva e abre espaço a novos ataques a conquistas históricas, como as bolsas de estudos e a isonomia salarial”. A entidade pontua ainda que essa alteração poderia, inclusive, resultar em reajuste salarial menor que o previsto pela convenção, que segue o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC).
Por sua vez, o Sinepe-MG argumenta que “a separação das convenções não representa a retirada de benefícios dos professores” e que “a discussão em curso está relacionada à construção de um novo modelo de negociação que seja mais adequado à realidade das diferentes instituições de ensino”.
A entidade salienta que a rede particular de Minas Gerais é extremamente heterogênea e que a mudança permitiria negociações mais adequadas às necessidades específicas das escolas. “A grande maioria das instituições de ensino privado é de pequeno porte, com estruturas, condições econômicas e realidades muito distintas”, complementa o sindicato patronal.
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Quanto à possibilidade de um acordo, o Sinepe-MG destaca, na nota, que “continua disposto a negociar”. Já o Sinpro Minas alega que “os donos de escolas afirmam que só fecham um acordo da campanha salarial se os docentes aceitarem dividir a convenção”. Em assembleia, os docentes decidiram pelo dissídio coletivo, e o caso foi judicializado.
O que dizem os colégios
O Estado de Minas consultou os colégios Bernoulli e Marista Dom Silvério: o primeiro afirmou que permanecerá aberto, mas o segundo não funcionará. “Nossas unidades serão mantidas em funcionamento com atividades para nossos alunos”, afirma o Bernoulli. “Permanecemos sempre abertos ao diálogo e trabalhando para oferecer as melhores condições de aprendizagem para nossa comunidade escolar”, acrescenta a instituição.
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“Diante da decisão dos professores, não teremos como manter as atividades escolares desse dia. Lamentamos profundamente os transtornos para as famílias, pois sempre defendemos o diálogo entre as partes. Portanto, informamos que não haverá aulas no dia 16 de setembro. A reposição desse dia será informada oportunamente”, esclarece o Marista Dom Silvério.