Hospital Maria Amélia Lins passa a ser centro de oftalmologia da Santa Casa
Prédio deve passar por reforma e a previsão é que os atendimentos comecem em dezembro deste ano
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O prédio onde funcionava o Hospital Maria Amélia Lins (HMAL), no Bairro Santa Efigênia, Região Centro-Sul de Belo Horizonte, vai receber o Instituto de Oftalmologia da Santa Casa BH. A iniciativa foi anunciada após reunião na Santa Casa, nesta terça-feira (1º/9). Serão investidos R$ 5,8 milhões na reforma do prédio, recursos da própria instituição de saúde, que venceu o edital de cessão do imóvel, lançado pela Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), em janeiro deste ano.
A previsão é que os atendimentos tenham início no novo centro em dezembro deste ano. "Será feita uma reforma de adaptação para que ele funcione como instituto de oftalmologia e de diálise peritoneal", explica Roberto Otto, provedor da Santa Casa BH.
O procedimento é um tratamento de substituição da função renal que limpa o sangue usando a membrana do próprio abdômen (o peritônio) como filtro natural. A diálise deve começar a ser oferecida no novo local em abril de 2027.
Com a transferência das especialidades para o prédio do antigo HMAL, Otto diz que vai possibilitar que a Santa Casa amplie ofertas de outros serviços em suas instalações atuais. "Isso vai fazer com que a Santa Casa funcione melhor, inclusive a oftalmologia, que está espalhada por vários locais. Vamos poder atender esses pacientes com mais conforto nessa nova unidade", pontua.
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Necessidades
A escolha da oftalmologia foi em razão da necessidade da capital e Grande BH por mais cirurgias desta especialidade. Segundo a Santa Casa BH, foram analisadas as filas de espera da Secretaria Municipal de Saúde (SMSA) de BH. O bloco cirúrgico da oftalmologia da Santa Casa será transferido para o prédio do antigo HMAL. A previsão é de que sejam feitas 120 novas cirurgias mensais, ultrapassando 550 procedimentos por mês. Devem ser oferecidos ainda mais de 170 pequenos procedimentos oftalmológicos.
O prédio ainda vai abrigar serviços de diálise peritoneal. Com a transferência para o novo local, a Santa Casa espera aumentar 47 vagas para o procedimento. Nos espaços que são ocupados atualmente por oftalmologia e diálise na instituição, serão oferecidos novos serviços de demanda reprimida, segundo o provedor Santa Casa BH.
"Na área de saúde auditiva serão mais 40 consultas mensais. Estamos estudando a ampliação de cirurgias de otorrino, além de mais 400 exames de ultrassom, totalizando mais de 3.600 exames mensais", afirma Otto.
Ortopedia deixou de ser problema
O secretário de Estado de Saúde (SES-MG) Fábio Baccheretti ressaltou que a ortopedia deixou de ser um problema para Belo Horizonte. "Hoje, o Hospital São Francisco é nossa maior referência ortopédica. A própria Santa Casa já desmobilizou parte de sua equipe ortopédica porque não temos tantos pacientes. Belo Horizonte tem uma rede robusta que está conseguindo dar conta (da demanda)", pontua.
Para Baccheretti, isso mostra que a saúde é dinâmica. "É preciso conversa constante para entender quais as necessidades. O foco agora é reduzir as filas de oftalmologia, otorrinolaringologia e diálise, potencializando a capacidade do sistema."
De acordo com o secretário, o Hospital João XXIII e demais hospitais da Rede Fhemig conseguiram absorver a demanda de cirurgias ortopédicas feitas anteriormente pelo HMAL. Eram cerca de 200 cirurgias mensais. O chefe da SES-MG disse que, atualmente, na Fhemig são feitos cerca de 400 procedimentos mensais. No Hospital João XXIII, a média é de 800 cirurgias ortopédicas mensais. Em agosto, foram 1.105, de acordo com o secretário.
Ele lembra que o processo de reestruturação do prédio começou em janeiro do ano passado, em uma situação emergencial. "Mas estamos convictos de que a decisão foi acertada. Toda a demanda do (Hospital) Maria Amélia Lins foi completamente absorvida pela Fhemig. A fila que existia na época do Maria Amélia Lins não existe mais. O (Hospital) João XXIII conseguiu absorver e concentrar as cirurgias em um prédio de alta complexidade e para o paciente é muito melhor", avalia.
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O secretário não acredita que a cessão do imóvel do antigo HMAL para a Santa Casa possa ser alvo de ação judicial. "Isso é página virada. O Tribunal de Contas do Estado (TCE) já tomou sua decisão. O Tribunal de Justiça (TJ) já derrubou várias liminares e foi claro que quem tem autonomia de decisão do modelo de gestão é o Executivo estadual. Mais uma vez digo que a decisão foi acertada porque conseguimos absorver a demanda na Rede Fhemig e poderemos fazer mais de 500 procedimentos", concluiu.