A queda de uma aeronave de pequeno porte em uma área de mata de Mateus Leme, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, trouxe à tona o funcionamento de uma tecnologia crucial para a segurança na aviação: o paraquedas balístico. O piloto da aeronave conseguiu acionar o dispositivo de emergência, o que permitiu uma descida controlada e um resgate sem ferimentos graves, destacando a eficácia do sistema.

Este recurso de segurança foi projetado para ser a última alternativa em situações críticas, como perda de controle da aeronave ou pane total do motor em voo.

Leia Mais

O que é o paraquedas de avião?

O equipamento é um Sistema de Paraquedas Balístico para Aeronaves, que possibilita a descida controlada de todo o avião em uma emergência. A Cirrus Aircraft denomina seu sistema proprietário como CAPS (Cirrus Airframe Parachute System), mas sistemas similares são produzidos por outros fabricantes sob diferentes marcas. Diferente de um paraquedas individual, ele é projetado para salvar a fuselagem inteira e seus ocupantes.

A tecnologia é integrada diretamente na estrutura do avião, geralmente na parte traseira da cabine. Quando acionado, um paraquedas de grandes dimensões é ejetado e infla em segundos, reduzindo drasticamente a velocidade de queda da aeronave e permitindo um pouso de emergência com impacto gerenciado.

Como o sistema de paraquedas é acionado?

O acionamento do sistema segue um processo rápido e projetado para funcionar mesmo sob grande estresse. O procedimento geralmente envolve as seguintes etapas:

  1. Identificação da emergência: o piloto constata uma falha catastrófica e irreversível, como a perda total de potência do motor, que impede o voo planado até um local seguro para pouso.

  2. Acionamento manual: uma alavanca de emergência, geralmente localizada no teto da cabine e identificada pela cor vermelha, é puxada com força pelo piloto.

  3. Disparo pirotécnico: o acionamento da alavanca ativa um pequeno foguete de combustível sólido que extrai o paraquedas de seu compartimento em alta velocidade, garantindo que ele se afaste da aeronave antes de inflar.

  4. Inflagem e estabilização: em poucos segundos, o paraquedas se abre por completo. Cintas de alta resistência, conectadas a pontos estratégicos da fuselagem, garantem que o avião desça de maneira estável.

  5. Pouso de emergência: a velocidade vertical é reduzida a um nível que, embora resulte em danos significativos à aeronave, é projetado para preservar a integridade da cabine e a vida dos ocupantes.

É importante destacar que o piloto e eventuais passageiros permanecem dentro da aeronave durante toda a descida — não há ejeção como em aeronaves militares.

Quais aviões possuem essa tecnologia?

A tecnologia foi popularizada pela fabricante norte-americana Cirrus Aircraft, que a inclui como item de série em todos os seus modelos, como o SR20 e o SR22. Outras fabricantes que oferecem sistemas de paraquedas balístico incluem Diamond Aircraft (em alguns modelos DA40 e DA42), Icon Aircraft (A5), Flight Design e diversos fabricantes de aeronaves ultraleves. O sistema BRS (Ballistic Recovery Systems) é um dos principais fornecedores independentes dessa tecnologia.

O resgate com o paraquedas é sempre seguro?

O acionamento do paraquedas balístico é uma medida de último recurso. Embora aumente exponencialmente as chances de sobrevivência, o pouso ainda é de alto impacto. A estrutura da aeronave, incluindo assentos e o trem de pouso, é projetada para absorver parte da energia da queda, mas danos severos ao avião são esperados. O objetivo central do sistema é salvar vidas, não a aeronave.

Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia

Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.

compartilhe