Aos 9 meses, enquanto outras crianças começam a se preparar para dar os primeiros passos, Ravi enfrenta uma rotina de cuidados para poder chegar a esse momento. Diagnosticado com pé torto congênito poucas horas depois de nascer, ele iniciou o tratamento aos 2 meses e passou por uma cirurgia há 17 dias. Agora, para manter a correção dos pés e conseguir andar, a família criou uma vaquinha para comprar uma bota ortopédica.
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O pé torto congênito é uma má-formação musculoesquelética que faz com que o membro fique voltado para dentro e para baixo. No caso de Ravi, o diagnóstico veio duas horas depois do nascimento. A mãe, Raquel Francisco Vitorino, de 32 anos, percebeu que havia algo diferente no pé do filho e recebeu a confirmação dos médicos.
“Minha gestação foi considerada de risco desde cedo. Durante os exames de ultrassom, o médico achou que ele poderia nascer com uma má formação no estômago. Fiquei muito preocupada”. Quando Ravi nasceu, veio o alívio. “Graças a Deus estava tudo normal. Mas quando vi os pezinhos dele percebi que estavam diferentes. Pouco tempo depois o médico veio e contou o diagnóstico. Foi um momento de muito susto e preocupação, mas, ao mesmo tempo, já me coloquei de pé para lutar por ele.”
Ravi iniciou o tratamento aos 2 meses de vida. Desde então, a família passou a lidar com uma rotina de consultas, cuidados constantes e trocas de gesso, geralmente a cada duas semanas.
O acompanhamento é feito no Hospital das Clínicas em Belo Horizonte desde o início. Para Raquel, acompanhar o filho nessa jornada é cansativo, mas cada etapa representa uma esperança de vê-lo caminhar no futuro. “Todo esforço vai valer a pena. Ele é meu guerreiro e eu não vou desistir.”
Cirurgia
Uma das etapas mais importante do tratamento ocorreu há 17 dias. Em 7 de agosto, Ravi passou por uma cirurgia que incluiu o corte do tendão. Depois do procedimento, o pequeno continuou usando gesso. A previsão era iniciar uma nova fase do tratamento com a órtese, mas a família descobriu que não havia no hospital uma bota no tamanho adequado para ele.
“Depois da cirurgia, ele usou gesso e estava previsto trocar no dia 24. Mas como não temos a órtese/bota adequada, ele voltou para o gesso de novo e agora vai trocar no dia 31. Se até lá não tivermos a bota, ele terá que permanecer no gesso mais um tempo”, explica Raquel.
A órtese Dennis Brown tem a função de manter os pés na posição corrigida depois da cirurgia e reduzir o risco de que a deformidade volte. Para Ravi, a recomendação é que o equipamento seja utilizado por 23 horas por dia no início do tratamento.
Para Raquel, manter o filho no gesso por mais tempo é angustiante. O material esquenta, causa coceira e incomoda o bebê, além de não substituir a órtese indicada para essa etapa.
“Ele não pode ficar usando gesso para sempre. A órtese precisa ser usada para o tratamento funcionar e ele poder andar um dia. Sem ela, o tratamento não avança”, explica.
Procurado, o Hospital das Clínicas não retornou à reportagem. O espaço segue aberto.
Como ajudar
Na internet, a primeira órtese custa entre R$ 360 e R$ 380, mas a preocupação de Raquel não termina com essa compra. Como Ravi ainda é bebê, a órtese precisará ser trocada por modelos de tamanhos maiores ao longo do tratamento. A família terá de acompanhar o crescimento dos pés e adquirir novas botas sempre que o equipamento deixar de servir.
Sem a órtese no momento adequado, existe o risco de o pé voltar à posição anterior e de o tratamento sofrer atrasos. Por isso, a família corre contra o tempo para conseguir o primeiro equipamento.
Enquanto busca recursos para o equipamento, sem conseguir trabalhar Raquel também pretende solicitar o Benefício de Prestação Continuada (BPC) previsto na Lei Orgânica da Assistência Social (Loas), diante da necessidade de acompanhamento e tratamento contínuos relacionados às condições de saúde do filho que também foi diagnosticado com displasia de quadril.
“Se puder ajudar com qualquer valor, ou apenas compartilhar a história do Ravi, já é uma bênção enorme. Compartilhar é tão importante quanto doar. Quanto mais pessoas souberem, mais perto estamos de conseguir a bota.”
Quem não puder contribuir financeiramente pode acessar a vakinha online ou pela chave pix raviluizvitorino@gmail.com.
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*Estagiária sob a supervisão da subeditora Tetê Monteiro
