O pastor Marco Aurélio da Silva Aires foi condenado a dois anos de prisão, em regime aberto, por importunação sexual cometido contra uma fiel dentro da Igreja Pentecostal Gideões de Fogo da Última Hora, no Bairro Jardim Vitória, na Região Nordeste de Belo Horizonte. O juiz considerou que o religioso usou a posição de autoridade que exercia sobre os frequentadores para cometer o crime e intimidar a vítima.

Segundo a decisão, Marco Aurélio era visto pelos fiéis como um “ungido do Senhor”, o que fazia com que sua conduta não fosse questionada pela comunidade. O juiz também apontou que o pastor utilizava a influência religiosa para persuadir e manipular as vítimas.

Pelo menos sete mulheres procuraram a polícia para denunciar o líder religioso. As investigações da Polícia Civil (PCMG) apontaram que os crimes ocorreram entre 2003 e 2023, em sua maioria dentro das dependências da igreja, antes ou depois dos cultos.

Defesa apresentou laudo psicológico

A defesa apresentou um laudo psicológico com o objetivo de demonstrar que Marco Aurélio não teria características compatíveis com o perfil de um abusador.

O argumento, porém, foi rejeitado. Na sentença, o magistrado considerou que as demais provas reunidas no processo eram suficientes para comprovar a prática do crime.

Além da pena de prisão, o pastor foi condenado a pagar R$ 10 mil por danos morais a uma das vítimas. Por ter respondido ao processo em liberdade, Marco Aurélio poderá recorrer da condenação sem ser preso.

Denúncias vieram de sete mulheres

O caso envolve outras acusações contra o pastor. Ele chegou a ser indiciado seis vezes por estupro, cinco por violação sexual mediante fraude e duas por importunação sexual. Somadas, as penas previstas para os crimes poderiam ultrapassar 100 anos de prisão.

As primeiras denúncias foram apresentadas à PC em abril deste ano. Uma das vítimas, ouvida pelo Estado de Minas sob sigilo, relatou ter sido estuprada pelo pastor quando tinha 16 anos, em 2006.

A polícia passou a considerar a possibilidade de haver mais vítimas depois que os casos se tornaram públicos. Segundo as investigações, o número de mulheres que teriam sofrido algum tipo de violência pode ser superior a dez.

As delegadas Juliana Califf e Larissa Mascotte, responsáveis pela apuração, afirmaram à época que a maior parte dos crimes teria ocorrido na própria igreja.

Pastor teria intimidado vítimas

Além das denúncias de violência sexual, as investigações apontaram que o pastor teria usado a posição de liderança religiosa para impedir que as vítimas procurassem as autoridades.

Conforme os relatos reunidos pela polícia, após os episódios, Marco Aurélio teria intimidado mulheres e colocado uma vítima contra outra. A estratégia teria dificultado que os casos fossem denunciados e investigados anteriormente.

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*Estagiária sob supervisão

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