O imponente hotel em que ela ficou hospedada não existe mais – saiu de cena na década de 1950 para dar lugar ao Edifício Maletta, na Rua da Bahia, no Centro de BH. A demolição do Grande Hotel foi uma perda irreparável para nosso patrimônio, e daqueles tempos ficaram muitas histórias, a exemplo da célebre visita, que completa 100 anos, da cientista Marie Sklowska-Curie (1867-1934), polonesa naturalizada francesa e pioneira no estudo da radioatividade.


Madame Curie, como ficou conhecida, esteve no Rio de Janeiro, São Paulo e Minas, entre 15 de julho e 28 agosto de 1926. Fez conferências para estudantes e pesquisadores, visitou instituições científicas, conheceu o Pão de Açúcar, na capital fluminense, e se tornou a primeira mulher integrante da Academia Brasileira de Ciências (ABC), na categoria de correspondente. Na quinta-feira (13/8), às 19h30, haverá um bate-papo no MM Gerdau – Museu das Minas e do Metal, na Praça da Liberdade. Em pauta, a importância da visita de madame Curie para o fortalecimento da ciência nacional e o protagonismo feminino. Participação do Cememor/Faculdade de Medicina/UFMG.


E mais: ainda para o celebrar o centenário, a Faculdade de Medicina da UFMG apresenta uma exposição no Corredor da Memória, no prédio da Avenida Alfredo Balena, 190, na Área Hospitalar, no Bairro Santa Efigênia, em BH.


A viagem, na companhia da filha, Irène Curie, e a convite do Instituto Franco-brasileiro de Alta Cultura, deixou legado importante para a medicina brasileira. Durante sua passagem por BH, em 16 e 17 de agosto de 1926, Marie Curie doou duas agulhas de rádio ao então Instituto Radium, contribuindo para o desenvolvimento da radioterapia no país. O centenário da visita resgata um capítulo pouco conhecido da história da ciência brasileira e mostra como a presença da única pessoa a receber dois prêmios Nobel (de física, em 1903, e de química, em 1911) fortaleceu a pesquisa nacional e inspirou gerações de cientistas.


Professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e membro da Academia Brasileira de Ciências (ABC), Ildeu Moreira explica que a viagem contribuiu, em certa escala, para estimular cientistas locais e jovens, valorizar instituições científicas e destacar a importância da “ciência pura” e do uso da ciência na saúde, em particular da radioatividade. “Reforçou também o papel desempenhado pela ABC e ajudou a divulgar a nova entidade. Houve também forte interação com o grupo de mulheres da Federação Brasileira para o Progresso Feminino, liderada por Bertha Lutz, em suas campanhas pela valorização da mulher na sociedade e na ciência”, afirma Moreira.


SALVA DE PALMAS


Assim noticiou a imprensa mineira, em 17 de agosto: “Belo Horizonte hospeda, desde ontem, a notável radiologista francesa madame Curie, credora da maior admiração do mundo científico pelo abnegado esforço e louvável dedicação, com que se tem empenhado, no labor constante das descobertas de aplicações radiológicas, na ciência médica, para minorar os sofrimentos da humanidade”.


Em uma foto histórica em BH, do acervo do Centro de Memória da Medicina (Cememor) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a cientista e a filha se encontram com um grupo que inclui o patologista Carlos Pinheiro Chagas, Eduardo Borges da Costa (então diretor do Instituto Radium), Flávio Marques Lisboa, Paulo Mascarenhas Tamm, João Barbará, José Baeta Vianna e Luiz Adelmo Lodi. Também a médica e futura primeira deputada federal brasileira, Carlota Pereira de Queiroz, e a zoóloga e pioneira do feminismo no Brasil, Bertha Lutz.


Madame Curie visitou o Instituto Radium e depois seguiu rumo à Faculdade de Medicina para palestra sobre Radioatividade, suas aplicações e organização dos institutos Curie e Radium, de Paris. “Terminada a conferência, sob demorada salva de palmas, a ilustre visitante, acompanhada de sua comitiva, dirigiu-se para o Grande Hotel, de onde saiu às 19h com destino à estação da Central”, conforme nota publicada pelo “Minas Gerais”.


SANTO ANTÔNIO DO SALTO, EM OURO PRETO...


Sabor da comida de raiz, cultura mineira entre as montanhas, aconchego gostoso e tranquilidade para o visitante chegar e se sentir em casa. Tudo isso e muito mais está presente no distrito de Santo Antônio do Salto, em Ouro Preto. No próximo domingo (16/8), das 8h30 às 18h, será realizado no local o Festival de Cultura e Culinária Típica, com uma série de atrativos à mesa e ao ar livre. À frente, está a Associação das Mulheres Empreendedoras de Santo Antônio do Salto (Ames), presidida por Heloísa de Fátima Moutinho. “Queremos que todos venham conhecer nossa comunidade e desfrutar de nossas belezas, temperos e hospitalidade. E, provar, claro, pratos deliciosos, entre eles mamão com costelinha, frango ao molho pardo, frango com quiabo, nosso famoso angu e umbigo de banana”, afirma Heloísa. Neste ano, será lançado o livro “Fusão”, da inglesa Ixta Belfrage, que percorreu o Brasil e se encantou com o distrito. Fazem parte também da Ames os moradores Hozana Purificação (vice-presidente), Iolanda Domingos (secretária), Shirley Mota (vice-secretária), Nilma Moutinho e Cristiano Souza (tesoureiros) e Edmar Alves de Azevedo, Ronildo de Souza e Lílian Alves de Azevedo (conselho fiscal).

 

Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press – 18/8/2024 - AMES/DIVULGAÇÃO


....PROMOVE FESTIVAL DE CULINÁRIA TÍPICA


Distante 33 quilômetros de Ouro Preto, com acesso asfaltado, Santo Antônio do Salto se destaca pela exuberante natureza com cânions, matas, rios e cachoeiras, atrativos para o turismo ecológico e de aventura. Os sabores vêm das hortas orgânicas, da qualidade dos ingredientes, do poder dos fogões a lenha e das panelas de pedra, bem como da habilidade das mãos que cultivam e preparam os mais festejados e autênticos pratos da gastronomia ouro-pretana. Conforme pesquisas, a formação da localidade remete ao fim do século 18, durante a exploração do ouro. A ocupação das áreas, que hoje compõem o distrito, ocorreu ao pé da Serra das Lavras Novas, entre as margens do Rio Maynarte e de seu afluente Ribeirão dos Prazeres.

 

 
MINISTÉRIO PÚBLICO DE MINAS GERAIS/DIVULGAÇÃO


PAREDE DA MEMÓRIA


No próximo sábado (15/8), os católicos celebram o dia da Assunção de Nossa Senhora. Há muitas imagens da mãe de Jesus desaparecidas, nas suas várias titulações, entre elas a de Nossa Senhora do Carmo, da Igreja Matriz de Santa Cruz, em Chapada do Norte, Vale do Jequitinhonha. Com 80 centímetros de altura e esculpida em madeira, com policromia, a peça de meados do século 18 desapareceu em 18 de setembro de 1994, estando na lista de bens procurados pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG). O templo e seus elementos de talha, pinturas e alfaias são tombados pelo município e Iepha-MG. Para mais informações sobre a imagem, consulte a plataforma virtual Sondar, do MPMG.


JK 1

Nas homenagens a Juscelino Kubitschek, o eterno JK, no cinquentenário de sua morte e 70 anos do início do seu mandato como presidente do Brasil, a Casa Fiat de Cultura relembra o legado do médico e político que foi também governador de Minas e prefeito de Belo Horizonte. Em cartaz até 11 de outubro, a exposição "Celebrar as ruas: 50 anos de Fiat e brasilidade na Casa Fiat de Cultura". Um dos núcleos da mostra aborda o projeto desenvolvimentista liderado por JK, mineiro de Diamantina, que impulsionou a industrialização brasileira e contribuiu para a consolidação do setor automobilístico como um dos pilares da modernização econômica. Entre as fotografias apresentadas, há uma da visita de JK à fábrica da Fiat, em Betim, em 1976 (foto), pouco antes de sua morte ocorrida em 22 de agosto aquele ano.

 

STUDIO CERRI/DIVULGAÇÃO


JK 2


Ainda como parte das homenagens ao ex-presidente, a Casa Fiat de Cultura realiza amanhã (11/8), às 19h30, a palestra "JK e sua influência na arquitetura e urbanismo brasileiros: de Pampulha a Brasília", ministrada pelo professor pós-doutor Flávio Carsalade, da Escola de Arquitetura da UFMG. O encontro abordará a influência de JK na arquitetura e no urbanismo brasileiros, sua atuação à frente de Minas e a concepção de Brasília como símbolo de um projeto de país voltado para o futuro. Toda a programação é gratuita e integra as comemorações dos 20 anos da Casa Fiat de Cultura, que fica na Praça da Liberdade, na Região Centro-Sul da capital. Aberta de terça-feira à sexta-feira, das 10h às 21h. Sábados, domingos e feriados, das 10h às 18h. Não abre às segundas.

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JK 3


Reverência à memória de JK também na Câmara Municipal de BH. Na quinta-feira (13/8), às 18h30, haverá reunião especial para lembrar os 70 anos da posse presidencial e 50 anos da morte de Juscelino, ocorrida na Via Dutra, em Resende (RJ). Na quinta-feira passada, com o tema “50 anos de saudade – 1976-2026”, houve reunião especial, na Assembleia Legislativa (ALMG), no plenário que leva o nome de Juscelino Kubitschek.

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