Uma forte mudança nas condições meteorológicas promete colocar grande parte de Minas Gerais em estágio de atenção neste fim de semana. O avanço de uma frente fria, impulsionada pelo surgimento de um ciclone extratropical no Sul do país, provocará um combo de fenômenos no estado: queda acentuada nos índices de umidade relativa do ar, aceleração expressiva dos ventos e tempestades pontuais com possibilidade de granizo. 

Segundo avisos emitidos pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), 439 municípios mineiros estão sob alerta de vendaval nesta sexta-feira (7/8). Como o estado possui 853 cidades no total, o volume de municípios afetados pela ventania no primeiro dia do sistema representa 51,4% de todo o território mineiro – ou seja, mais da metade das cidades mineiras. No sábado (8/8), o alerta de vendaval se mantém para 142 municípios (16,6% do estado). 

Em análise técnica sobre o cenário, a meteorologista Anete Fernandes explica que o sistema que dá origem à instabilidade é um ciclone extratropical, fenômeno comum que se forma no Sul do Brasil, Uruguai e Argentina. Quando esse sistema apresenta uma queda drástica na pressão atmosférica central em um intervalo de 24 horas, ele ganha a classificação de "ciclone bomba", aumentando a intensidade das rajadas de ar. 

A formação do sistema acontece no decorrer desta quinta (6/8), e são esperados ventos no Sul do país, no Mato Grosso do Sul e até no Sul de São Paulo. "O ciclone vai atuar sobre o oceano, portanto não trará consequências destrutivas para o interior do continente. Porém, ele dispara frentes de rajada e gera uma frente fria que avança, a partir de amanhã, em direção ao Sudeste", esclarece a meteorologista. 

Antes de a massa de ar frio chegar de fato, o estado enfrenta o que a meteorologia chama de "situação pré-frontal". Esse processo eleva as temperaturas e derruba a umidade a níveis preocupantes. Entre as 13h e as 18h de sexta-feira, grande parte de Minas – incluindo Noroeste, Norte, Central, Triângulo, Centro-Oeste, Sul, Campo das Vertentes e Região Metropolitana de Belo Horizonte – registrará índices de umidade relativa do ar inferiores a 30%, considerados críticos pela Organização Mundial da Saúde (OMS). 

Nuvens de poeira

Com o solo seco e o tempo aquecido, a aceleração dos ventos pode provocar levantamentos de terra. "A aproximação desse sistema tende a trazer ventos fortes. Como está muito quente e seco, pode haver a formação do que chamamos de nuvem de poeira, principalmente do lado do Triângulo Mineiro", pontua Anete Fernandes.

Além da poeira, há risco de tempestades isoladas. Embora a probabilidade de chuvas volumosas seja baixa, o Inmet prevê precipitações entre 20 e 30 mm/h (ou até 50 mm/dia) e ventos entre 40 km/h e 60 km/h. Na sexta, 118 cidades estão sob risco de tempestade. No sábado, o alerta de tempestade fica restrito a oito municípios do Sul de Minas: Bueno Brandão, Camanducaia, Extrema, Itapeva, Monte Sião, Munhoz, Senador Amaral e Toledo. 

A meteorologista reforça que a principal característica dessas pancadas de chuva não será o volume de água. "Não esperamos chuvas excessivas, mas sim severidade: ocorrência de muitos raios, rajadas de vento e não se descarta a possibilidade de queda de granizo, principalmente no Sul do estado e na Zona da Mata mineira", destaca. 

Impacto na capital

Para a capital mineira, o impacto do ciclone será ameno. De acordo com a meteorologista, Belo Horizonte deve registrar apenas um tempo mais ventoso, com rajadas isoladas da ordem de até 40 km/h, que não devem provocar grandes transtornos. O clima na região metropolitana continuará predominantemente quente e seco ao longo do fim de semana, sem previsão de chuvas significativas.

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Em áreas com ventos entre 40 km/h e 60 km/h – como Triângulo, Oeste, Sul, Campo das Vertentes, Zona da Mata, Rio Doce e Grande BH –, o Inmet e a Defesa Civil estadual alertam para o baixo risco de queda de galhos de árvores, pequenos alagamentos e breves interrupções no fornecimento de energia elétrica.

Recomendações

  • Não se abrigue debaixo de árvores: Existe risco leve de queda de galhos e de descargas elétricas (raios).
  • Atenção ao estacionar: Evite parar veículos próximos a torres de transmissão, estruturas metálicas e placas de propaganda.
  • Busque ajuda oficial: Em caso de emergência ou para obter mais informações sobre o curso das tempestades, acione a Defesa Civil pelo telefone 199 ou o Corpo de Bombeiros pelo número 193.
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