O professor brasileiro de jiu-jítsu Thiago Cintra Vieira Brito, de 34 anos, foi preso pelo Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE), no último 24 de julho, no Aeroporto Internacional da Filadélfia, no estado da Pensilvânia, nos EUA, ao tentar embarcar em um voo com destino a Orlando, na Flórida. O objetivo era acompanhar alunos em um torneio.

Natural de São Paulo, Thiago se mudou com a família, em 2005, para Monte Verde, distrito de Camanducaia, no Sul de Minas Gerais. Aos 17 anos, o atleta retornou à capital paulista. Em 2016, ele fixou residência nos Estados Unidos.

Visto vencido

A TV Connect USA, canal de televisão aberta nos Estados Unidos com transmissão em português, conversou com a família do professor. De acordo com a emissora, os parentes informaram que Thiago entrou no país com o visto de turista B2, que, via de regra, tem validade de 10 anos — embora o consulado norte-americano possa conceder esse documento por prazo menor, caso considere necessário. Ainda conforme o canal de TV, a família disse que Thiago teve um pedido de autorização de trabalho negado.

Jeffrey Jones, dono da Tri State Kickboxing and MMA, academia localizada na comunidade residencial de Fairless Hills, no Condado de Bucks, na Pensilvânia, onde Thiago trabalha, criou uma campanha de arrecadação em uma plataforma de financiamento coletivo para custear a defesa jurídica do professor. Até o fechamento desta edição, dos US$ 35 mil estipulados, US$ 29 mil já haviam sido arrecadados.

Na segunda-feira (4/8), Jeffrey visitou Thiago na prisão acompanhado da esposa. "Embora tenha sido incrivelmente difícil vê-lo nessa situação e nesse ambiente, também foi muito bom poder vê-lo, passar um tempo com ele e lembrá-lo de que ele não está sozinho. Estamos fazendo tudo o que podemos para preparar e apresentar o caso mais forte possível para a audiência de fiança", declarou.

No Instagram, a Tri State Kickboxing and MMA publicou que Thiago agora "enfrenta uma batalha jurídica difícil, exigindo assistência jurídica especializada em imigração, o que acarretará despesas legais significativas".

"Muitos de vocês conhecem o Thiago não apenas como um instrutor incrível de jiu-jítsu, mas como mentor, treinador e amigo que dedicou anos a ajudar os outros, tanto dentro quanto fora dos tatames. Cada doação, independentemente do valor, fará diferença e ajudará a garantir que o Thiago tenha a oportunidade de contar com a melhor representação jurídica possível", diz parte do texto publicado em 29 de julho.

Em outra publicação feita no dia seguinte, a academia informou que tem recebido "um número enorme de mensagens" de pessoas perguntando o que podem fazer para ajudar. "Se o professor Thiago fez a diferença na sua vida, na vida do seu filho ou da sua família, agora é a hora de fazer sua voz ser ouvida", diz a publicação, que incentiva as pessoas a escreverem cartas de apoio.

Os depoimentos estão sendo publicados no Instagram da academia. Um deles foi escrito por Liam Karas, de 14 anos, aluno do brasileiro há sete anos.

"O professor Thiago é como um terceiro pai para mim. Viajei, competi e treinei com ele por sete anos. Eu não gostaria que outra pessoa fosse meu treinador. Ele não apenas me tornou uma pessoa melhor fisicamente, mas também mentalmente, ensinando muitas lições de vida que nunca vou esquecer e que levarei comigo pelo resto da vida. Ele não melhora apenas a mim, mas torna toda a comunidade melhor", declarou. 

O Estado de Minas entrou em contato com o ICE solicitando informações sobre a detenção de Thiago Brito. A publicação será atualizada se houver resposta. 

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