EUA expulsou dezenas de pessoas para centros de deportação na África, afirmam advogadas
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Os Estados Unidos deportaram, nesta quinta e sexta-feira (30 e 31), dezenas de pessoas para quatro países africanos, como parte do sistema de deportações para "terceiros países" do presidente americano Donald Trump, disseram advogadas à AFP.
Praticamente todos os deportados são originários de países diferentes daqueles para os quais estão sendo enviados — Guiné Equatorial, Serra Leoa, Gana e República Centro-Africana — alertaram as advogadas e um monitor de voos de deportação.
Isso se inscreve em uma ofensiva contra a imigração nos Estados Unidos que tem recorrido ao que os críticos classificam como "brechas legais" para expulsar pessoas que o país está proibido de devolver a seus locais de origem.
Cerca de dez pessoas foram deportadas para a Guiné Equatorial na quinta-feira, apontaram Alma David e Meredyth Yoon, advogadas de imigração nos Estados Unidos informadas sobre seus casos.
Nesta sexta-feira, um voo procedente dos Estados Unidos aterrissou em Serra Leoa, onde desembarcaram mais dez pessoas, afirmou David. Esse mesmo voo seguia para Gana e depois para a República Centro-Africana, disseram as advogadas à AFP.
Os voos também foram rastreados pelo ICE Flight Monitor, afiliado à organização humanitária Human Rights First. Segundo o rastreador, ambos fizeram escala para reabastecimento no Senegal, um ponto de passagem fundamental para os voos de deportação no continente.
As deportações costumam ser pouco transparentes. Yoon disse que ela e seus colegas tinham uma lista de pessoas que acreditavam estarem no avião, mas não tinham certeza se seriam enviadas para Serra Leoa ou para Gana.
Uma investigação da AFP revelou que os Estados Unidos ofereceram acordos bilionários e ameaçaram impor restrições de visto em sua tentativa de conseguir que "terceiros países", especialmente na África, aceitassem esses deportados.
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