DESESPERO

Sirenes de emergência da Anglo American assustam moradores em MG

Acionamento ocorreu na noite desta quinta-feira (13/8), na região de São José do Jassém; moradores relatam correria e medo

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No início da noite dessa quinta-feira (13/8), as sirenes do sistema de emergência da Anglo American foram acionadas na região de São José do Jassém, na zona rural de Conceição do Mato Dentro e Alvorada de Minas, na Região Central de Minas Gerais. O sinal, registrado por volta das 19h40, provocou medo entre moradores que vivem na Zona de Autossalvamento (ZAS) de uma barragem de rejeitos do complexo Minas-Rio.

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Diante do acionamento, moradores deixaram suas casas e seguiram pelas rotas de fuga até os pontos de encontro indicados nos treinamentos de emergência. Vídeos e relatos feitos durante a noite mostram a movimentação nas comunidades.

Segundo moradores, idosos, pessoas com deficiência, crianças, gestantes e até um recém-nascido foram levados ou precisaram ser mobilizados para os pontos de encontro. Em São José do Jassém, um dos locais utilizados foi o escritório da própria Anglo American.

Moradora da comunidade, Dayanne Carvalho contou que o acionamento provocou uma mobilização imediata entre os moradores.

“Eu mandei mensagem no grupo da comunidade falando do acionamento. Aí o pessoal começou a se mobilizar, a gente começou a ligar um para o outro, mandando mensagem”, relatou.

Dayanne conta que moradores da comunidade de Saraiva, que pertence a Jassém, também correram para o ponto de encontro durante a noite. Ela afirmou ainda que algumas famílias enfrentaram dificuldades para retirar pessoas com mobilidade reduzida, “Teve gente que teve que buscar idosos em casa, porque não têm condição de locomover”, disse.

Segundo ela uma família não conseguiu retirar uma criança cadeirante porque a cadeira estava na escola. Outra idosa, segundo ela, decidiu permanecer em casa.

A moradora também criticou a demora no atendimento após o acionamento. Segundo ela, uma ambulância da prefeitura chegou à comunidade, mas representantes da Anglo American só teriam aparecido depois das 22h30. Dayanne afirmou ainda que a Defesa Civil não compareceu ao local.

Segundo acionamento em 2026

O episódio desta quinta-feira é o segundo acionamento não programado do sistema de sirenes neste ano. O caso ocorre cerca de seis meses depois de outro episódio registrado em fevereiro.

A repetição dos episódios aumenta a preocupação das comunidades que vivem próximas às estruturas do Minas-Rio. Para Dayanne, os acionamentos sucessivos prejudicam a confiança dos moradores no sistema de alerta.

“Se de fato um dia essa barragem romper, muita gente vai morrer. Porque poucas pessoas têm essa consciência que, gente, sendo incidente ou não, vamos sair”, afirmou.

Ela também questionou a explicação apresentada pela empresa para o episódio anterior. Em fevereiro, a Anglo American atribuiu o acionamento a uma interferência de rádio provocada por uma empresa contratada. Segundo a companhia, medidas foram adotadas para evitar que a situação voltasse a ocorrer.

Histórico

Moradores afirmam que o episódio desta quinta-feira (13/8) não seria um caso isolado. Segundo eles, outros acionamentos do sistema de sirenes do Minas-Rio já provocaram mobilização nas comunidades próximas à barragem.

Em 2020, moradores relataram um acionamento nas regiões de São José do Jassém, Água Quente e Passa Sete.

Em 2025, outro acionamento não programado foi relacionado à sirene do Dique 3,em fevereiro de 2026, um novo episódio mobilizou moradores. Na ocasião, segundo a Anglo American, o acionamento foi provocado por uma interferência de rádio relacionada a uma empresa contratada. O caso também passou a ser acompanhado pelo Ministério Público de Minas Gerais.

Agora, em agosto, moradores relatam uma nova mobilização após o acionamento registrado na noite desta quinta-feira.

O episódio ocorre poucos dias depois de a empresa informar uma medida adotada para evitar uma nova ocorrência. Em 28 de julho, ao explicar o caso de fevereiro, a Anglo American afirmou que havia desabilitado a função de viva-voz do sistema. A empresa também disse que a causa havia sido uma interferência de rádio e que medidas foram tomadas junto à empresa contratada.

A Anglo American, porém, ainda apura o que provocou o acionamento desta quinta-feira e afirma que não houve situação de emergência e que as estruturas permanecem seguras.

Nas redes sociais, o acionamento repercutiu entre autoridades e representantes políticos. A deputada federal Duda Salabert (PSOL-MG) afirmou que pretende apresentar uma denúncia ao Ministério Público para apurar o caso, eventual responsabilidade da Anglo American e possíveis violações aos direitos da comunidade quilombola de Jassém. Ela também citou o PL 3.524/2026, de sua autoria, que prevê punição para o acionamento indevido de sirenes.

A deputada estadual Bella Gonçalves (PT) também se manifestou. Em vídeo, afirmou que o acionamento provocou desespero entre os moradores e questionou a repetição dos episódios. Segundo ela, a sequência de ocorrências pode fazer com que a população deixe de confiar no sistema de alerta em uma eventual situação de emergência.

Região da barragem

A estrutura de rejeitos do Minas-Rio está localizada dentro da área operacional da Anglo American, próxima ao Córrego Passa Sete, entre os municípios de Conceição do Mato Dentro e Alvorada de Minas.

Entre as comunidades e povoados próximos estão Passa Sete, Água Quente, Goiabeira, Teodoro, Cachoeira, Cachoeira de Baixo, Saraiva e São José do Jassém. O Minas-Rio é o complexo da Anglo American voltado à exploração e ao beneficiamento de minério de ferro nas serras da Ferrugem e do Sapo.

Em nota, a Anglo American informou que está apurando o ocorrido envolvendo o sistema de sirenes na região de São José do Jassém e lamentou o transtorno causado.

A empresa afirmou que as estruturas permanecem seguras e operando normalmente e que não houve situação de emergência.

Segundo a mineradora, as equipes foram mobilizadas imediatamente para entender o que aconteceu e prestar esclarecimentos. A companhia informou ainda que seguirá acompanhando a situação e manterá a comunidade informada após a conclusão da apuração.

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A reportagem questionou a empresa sobre a causa do acionamento, o número de famílias e pessoas que vivem na área de risco, o tempo de resposta das equipes, a quantidade e o tipo de rejeitos armazenados na estrutura e as medidas que serão adotadas para evitar novos episódios. As informações não foram detalhadas na nota enviada à reportagem até a publicação.

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