INTOLERÂNCIA RELIGIOSA

Terreiro de umbanda suspende atividades após novo ataque, em Esmeraldas

Casa de religião de matriz africana foi vandalizada pela quarta vez; cadeiras e objetos litúrgicos foram furtados e assentamentos de orixás quebrados

Publicidade
Carregando...

Um terreiro de umbanda em Esmeraldas, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, foi alvo de vandalismo pela quarta vez. Segundo o responsável pelo local, cadeiras foram furtadas e objetos religiosos foram quebrados e destruídos. A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) informou que apura o caso ocorrido na última quinta-feira (30/7). Até o momento, nenhum suspeito foi conduzido à delegacia.

Fique por dentro das notícias que importam para você!

SIGA O ESTADO DE MINAS NO Google Discover Icon Google Discover SIGA O EM NO Google Discover Icon Google Discover

Em entrevista ao Estado de Minas, o pai de santo Murilo Vieira Rodrigues, conhecido como Pai Murilo de Oxalá, contou que registrou um boletim de ocorrência. Conforme relatou, ele deixou o terreiro no domingo (26/7), e retornou na quinta. "Estava tudo normal quando fui embora. Não moro no terreiro. Quando voltei, já observei que na rua havia coisas jogadas", disse.

Ao entrar no lugar, ele percebeu que a casa havia sido violada. "Acionamos a polícia e começamos a averiguar o que foi quebrado e roubado", afirmou. O local não possui sistema de monitoramento de câmeras, e fica ao lado de um lote vazio e aberto. Segundo o boletim da Polícia Militar (PM), em tese, os suspeitos do vandalismo podem ter acessado o interior do estabelecimento pelo terreno vago. A corporação ainda recomendou a instalação de um sistema de segurança.

Murilo disse ainda que, 15 cadeiras usadas pelas pessoas da comunidade que frequentam a casa foram levadas, dois assentamentos de Exu, Ogum e outros orixás foram quebrados, e elementos litúrgicos foram roubados. "Tiramos três caminhonetes de lixo de dentro da casa", lamentou.

O terreiro agora foi fechado por tempo indeterminado e as atividades foram suspensas. "A nossa tradição se liga ao ancestral. Precisa refazer tudo que foi quebrado. Nao temos intenção de parar com a casa. Desanima, deixa tristeza e revolta, mas fechar está fora de cogitação", desabafou Rodrigues.

Onda de ataques

Murilo também relembrou outros três ataques sofridos em Esmeraldas. "Em 2022, nessa mesma época do ano, em julho, sofremos três ataques. Também registramos boletins de ocorrência. Desde esse ano, não tivemos mais nenhum problema. Agora voltou. Ficamos até sem entender o porquê", comentou.

Naquele ano, o Estado de Minas noticiou o que aconteceu nos três ataques. O primeiro foi em 11 de julho, quando foram arrancadas as plantas utilizadas nos rituais sagrados. Na segunda ação de vandalismo, as plantas foram novamente arrancadas e peças do assentamento de Exu – uma espécie de altar – foram quebradas. Na terceira vez, as plantas voltaram a ser alvo e novamente o assentamento do orixá foi destruído.

Na ocasião, em resposta ao ato de intolerância religiosa e com o objetivo de alertar e conscientizar as pessoas, 12 terreiros de umbanda e candomblé da cidade se uniram na Praça Getúlio Vargas em um manifesto pacífico. Ainda em 2022, Murilo contou à reportagem que foram cinco atos de violência em dois meses em templos de matriz africana na cidade.

Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia

Em um vídeo publicado nas redes sociais após o ataque de quinta-feira, Murilo fala dos estragos e se pergunta por que devotos de religiões de matriz africana ainda precisam investir em segurança para conseguir exercer a própria fé. "Até quando, para professar a nossa fé, teremos que buscar medidas de segurança porque o desrespeito e a falta de compreensão imperam?", questionou.

Tópicos relacionados:

ataque de terreiro umbanda

Acesse o Clube do Assinante

Clique aqui para finalizar a ativação.

Acesse sua conta

Se você já possui cadastro no Estado de Minas, informe e-mail/matrícula e senha. Se ainda não tem,

Informe seus dados para criar uma conta:

Digite seu e-mail da conta para enviarmos os passos para a recuperação de senha:

Faça a sua assinatura

Estado de Minas

Estado de Minas

de R$ 9,90 por apenas

R$ 1,90

nos 2 primeiros meses

Aproveite o melhor do Estado de Minas: conteúdos exclusivos, colunistas renomados e muitos benefícios para você

Assine agora
overflay