O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) ofereceu nesta quarta-feira (29/7) denúncia criminal contra Paola Stefany Neto Cirino, diarista acusada pela morte de Cláudio Atala Inácio, de 75 anos, e Maria Clotilde Atala Inácio, de 76, no Bairro São Pedro, em Belo Horizonte no dia 29 de junho. A atuação é da 12ª Promotoria de Justiça de Belo Horizonte.

“A diarista foi denunciada pelo MPMG por latrocínio, roubo com resultado morte — por duas vezes, com agravantes de uso de meio cruel, com uso de recurso que dificultou a defesa das vítimas e pelo crime ter sido praticado contra pessoas idosas. Além disso, ela foi denunciada por adulteração de provas, por ter manipulado a cena do crime para dificultar a perícia, e por uso fraudulento de cartões bancários das vítimas”, divulgou o MPMG. A denúncia aponta ainda que a acusada tentou fugir para outro estado mas foi presa antes pela Polícia Civil (PCMG). 

Um segundo acusado, proprietário de um restaurante no Centro de BH que teria permitido o uso dos cartões nos equipamentos do estabelecimento, também foi denunciado pelo MPMG e responderá por furto mediante fraude. Os dois teriam dividido proporcionalmente os valores obtidos.

"Pelo o que foi apurado, tratou-se de um crime premeditado, tanto pela preparação anterior quanto pelas medidas adotadas após o crime, com a adulteração da cena do crime e a venda dos itens roubados", explica o promotor de Justiça Mauro Fonseca Ellovitch.

O MPMG ainda apura a participação de outras três pessoas que podem ter adquirido bens subtraídos. Por não haver indícios de que participaram da morte do casal de idosos, foi pedido o desmembramento do processo.

Relembre o caso 

De acordo com as investigações da Polícia Civil (PCMG), no dia 29 de junho Paola trabalhava como diarista no apartamento das vítimas e preparou um suco no liquidificador com quatro comprimidos de um medicamento controlado que utilizava para tratar depressão. Após o consumo da bebida, o casal começou a adormecer, o que facilitou o início do furto de R$ 18 mil, além de joias e relógios.

A situação escalou para o homicídio quando Cláudio Atala despertou durante o furto. Segundo a versão de Paola, ela pegou uma faca na cozinha para ameaçá-lo e, diante da tentativa de reação do idoso, iniciou o ataque. Exames periciais confirmaram a brutalidade. O advogado foi golpeado 40 vezes, enquanto Maria Clotilde, que ainda estava sonolenta devido ao medicamento, foi morta com 14 facadas. Os corpos foram encontrados no dia seguinte, em 30 de junho.

De acordo com a investigação, Paola já teria decidido cometer o crime antes de estar no apartamento das vítimas. Segundo a PCMG, a suspeita tem histórico de praticar roubos utilizando medicamentos que produzem efeitos sedativos para reduzir a capacidade de resistência das vítimas. O método foi comprovado pela perícia.

A diarista foi presa no dia 1º de julho enquanto estava hospedada no It Itabira Hotel. Segundo o delegado Gustavo Barletta, responsável pelas investigações, Paola atendeu os policiais no quarto do hotel já bastante abalada, chorando e abraçada ao filho sobre a cama do quarto.

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Conforme o inquérito da Polícia Civil, concluído em 13 de julho, Paola foi indiciada pelo crime de latrocínio por duas vezes. Outros quatro homens que adquiriram bens roubados da casa das vítimas foram indiciados por receptação qualificada. Durante as investigações, eles mesmos procuraram voluntariamente a polícia, acompanhados de advogados, alegando desconhecer a origem ilícita dos itens e os devolveram.

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