Neste sábado (18/7) foi realizada em Belo Horizonte a 2ª Marcha de Mulheridades LBTs, que reuniu mulheres lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais na Avenida Afonso Pena, em frente ao Parque Municipal, na Região Central.
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Nesta segunda edição, o tema da marcha é “Quando Minas mata, a marcha denuncia: mulheres trans e travestis no centro da luta, com lésbicas e bissexuais pela vida e pela dignidade”. A dispersão do ato foi sob o Viaduto Santa Tereza, onde paralelamente foi organizado o 2º “Festival Fuzuê LGBTQIA+: Arte, celebração e luta”, na Serraria Souza Pinto.
De acordo com Gisella Lima, vice-presidente do Centro de Luta pela Livre Orientação Sexual e Identidade de Gênero de Minas Gerais (Cellos-MG) e uma das organizadoras da marcha, o evento tem como destaque as mulheres trans e travestis conjunto com a luta das mulheres lésbicas e bissexuais.
“Minas Gerais é um dos estados que mais matam mulheres trans e travestis, em alinhamento ao feminicídio. Essas mulheres precisam sair dessas estatísticas e ganhar visibilidade. Estamos na rua para reivindicar segurança, sobretudo, mas também dignidade e vida às mulheres LBT”, explicou. Antes da marcha, a expectativa era reunir 250 participantes.
A técnica em farmácia Lara Caetano, que também é membro do Cellos-MG, acrescentou que a marcha reúne não apenas as mulheres, mas também recebe apoio de homens. “Estamos vulnerabilizadas, mas nos colocamos como mulheres fortes e potentes. Queremos uma Minas Gerais sem feminicídio e sem transfeminicídio. A partir da nossa pauta queremos que os governos criem políticas públicas. Nós avançamos muito com a inclusão de mulheres trans e travestis na Lei Maria da Penha, mas queremos mais”, disse.
Presente na marcha, a cirurgiã dentista Juliana Cotrim Evangelista de Jesus participa ativamente da agenda de manifestações LGBTQIAP+. Ela coloca a questão de ser uma mulher preta mais um fator que aumenta sua exposição à violência: “No meu caso, o fato de ser lésbica não é tão aparente quanto ser uma mulher negra.”
Ela relata que no último mês foi abordada três vezes por policiais que a trataram com truculência, motivo pelo qual acha importante que as câmeras corporais precisam sempre estar ligadas. Em uma dessas abordagens, Juliana conta que estava na companhia de três amigas desfem — abreviação para desfeminilizadas, relativo à mulheres que não seguem os padrões tradicionais de feminilidade —, condição que, na interpretação dos agentes, daria legitimidade para revistá-las.
A advogada Mariana Sptimio Rosa de Souza, do coletivo Brejo das Sapas, afirma que a reivindicação do ato é sobre o direito à existência das “mulheridades” lésbicas, bissexuais, travestis e transsexuais. “A solução é ocupar todos os espaços, para termos a possibilidade de levar as nossas vozes e dizer o que precisamos, contribuindo para que a sociedade melhore como um todo“, defendeu.
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A marcha faz parte da programação da 27ª Parada do Orgulho LGBTQIA+ de Belo Horizonte, que será realizada neste domingo (19/7) no cruzamento da Avenida Brasil com Afonso Pena. A concentração tem início às 13h30, com previsão de dispersão na Praça Sete às 21h.
