O advogado Raul Rodrigues Costa Lages, acusado de matar sua namorada, a também advogada Carolina da Cunha Pereira França Magalhães, em junho de 2022, será julgado pelo Tribunal do Júri de Belo Horizonte. O caso foi decidido pela juíza sumariante Ana Carolina Rauen Lopes de Souza, do 1° Tribunal do Júri da capital. A magistrada confirmou decisão proferida em outubro do ano passado determinando a formação do conselho de sentença para composição do júri. O Ministério Público sustenta que Raul jogou a mulher do oitavo andar do prédio onde estavam.
A ratificação da Justiça nesta terça-feira (14/7) ao dizer que Raul será julgado pelo Tribunal do Júri é uma resposta à apelação interposta pela defesa do advogado, que desde o início do caso defendeu a tese de suicídio de Carolina. Após analisar o recurso, a 5ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) negou a anulação do processo pretendida pela defesa.
Leia Mais
Em outubro de 2025, ao acolher a denúncia do Ministério Público para que o advogado respondesse pelo feminicídio qualificado da ex-companheira, a juíza declarou: "Embora ausentes testemunhas presenciais do exato momento da queda da vítima, o conjunto probatório produzido em juízo revela indícios de autoria em desfavor de Raul Rodrigues Costa Lages - única pessoa presente no local e horário dos fatos - o que, nesta fase sumária, mostra-se suficiente à formação do juízo de admissibilidade da acusação", afirmou na ocasião.
Denúncia
Carol, como era conhecida, estava com Raul na noite do crime. Seus dois filhos, de um outro relacionamento, não estavam no local. Na época, a morte da mulher foi registrada como suicídio, mas, conforme inquérito concluído pela Polícia Civil de Minas Gerais, há provas que apontam para o crime de feminicídio.
Conforme denúncia enviada pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) à Justiça, Raul, que responde ao processo em liberdade, “agindo com dolo de matar”, agrediu a companheira durante uma discussão. O então casal, ainda segundo os autos, mantinha um relacionamento “conturbado”, sendo que o suspeito já teria agredido a mulher de maneira física e verbal.
As investigações mostraram que, na noite do crime, o denunciado lançou Carol ao chão, situação que a deixou desacordada e a “impossibilitou de qualquer meio de defesa”. Ao perceber que a mulher havia desmaiado, o suspeito teria limpado cômodos da casa e colocado roupas de cama na máquina de lavar.
Além disso, conforme o documento do MPMG, Raul teria cortado a tela de proteção da janela da varanda da sala e lançado Carolina do oitavo andar, causando sua morte. Um dos vizinhos da mulher ouviu, por volta das 23h, um estrondo e, ao olhar para baixo, viu o corpo da vítima na área de lazer do condomínio.
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
Para o promotor de Justiça Fabiano Mendes Cardoso, o crime foi cometido por motivo torpe, tendo em vista o sentido de posse do denunciado em relação à Carol. Em sua tese, Cardoso argumenta que foram apresentadas provas do “inconformismo” de Raul com a possibilidade de fim do relacionamento com a vítima.
